Feira de Santana: fechamento de indústria gera debate entre vereadores

Edvaldo Lima: As fábricas implantadas neste município estão pegando todos os seus aparelhos e indo embora para outras cidades, deixando para trás milhares de pais e mães de famílias desempregados. Isso porque falta competência de quem dirige o destino deste município.

Edvaldo Lima: As fábricas implantadas neste município estão pegando todos os seus aparelhos e indo embora para outras cidades, deixando para trás milhares de pais e mães de famílias desempregados. Isso porque falta competência de quem dirige o destino deste município.

O vereador Edvaldo Lima (PP), durante discurso nesta quarta-feira (22/06/2016), na tribuna da Câmara Municipal de Feira de Santana, criticou o Governo Municipal pela falta de incentivo fiscal para indústrias, o que, segundo ele, contribui para o fechamento de muitas delas no município, fazendo com que centenas de trabalhadores fiquem desempregados.

“Estou muito preocupado com o destino do município. As fábricas implantadas neste município estão pegando todos os seus aparelhos e indo embora para outras cidades, deixando para trás milhares de pais e mães de famílias desempregados. Isso porque falta competência de quem dirige o destino deste município, porque pensa só em cobrar impostos. Coloca impostos lá nas alturas, mas não vê que se não dá subsídios as empresas buscam outros estados e municípios para se instalarem”, criticou.

Edvaldo Lima citou algumas empresas que já fecharam as portas em Feira de Santana. “É o que aconteceu com a Yazaki, é o que aconteceu com a cervejaria e o fechamento de uma parte importante da Pirelli. Centenas de pais e mães de famílias desempregados, porque o Município virou as costas”, disse.

O vereador informou que já fez vários requerimentos solicitando melhorias nas ruas que ficam no entorno do Centro Industrial do Subaé (CIS), mas a resposta do Município foi negativa. “Fiz vários requerimentos e indicações para que o Governo pudesse chegar ali e fazer uma limpeza, fazer a reforma, tapar buracos ou pavimentar as vias de lá no bairro CIS/Tomba, mas mandou me dizer que era responsabilidade do Governo Estado, e não vai poder fazer nada”, lamentou.

O edil lembrou que, na época do ex-governador Paulo Souto, o Município levava melhorias para aquela região da cidade. “Quando o governador era Paulo Souto, quem fazia a limpeza era o Município e quem administrava era esse que aí está [José Ronaldo]. Quero saber até quando este Governo vai tomar as providências de reduzir, como reduziu para as empresas de transporte público. Dois pesos e duas medias”, pontuou.

Edvaldo afirmou que o Governo do Estado tem um posicionamento diferente quando à geração de emprego. “O Município é diferente do governador, do vice João Leão, que foi em busca da melhoria para o nosso estado”, disse o oposicionista, destacando que o vice-governador da Bahia foi buscar, por exemplo, recursos para a ferrovia Oeste-Leste, que, segundo ele, fornecerá milhares de empregos aos baianos.

Justiniano diz que Município não é culpado por fechamento de indústrias

Na sessão legislativa desta quarta-feira (22/06/2016), após o vereador Edvaldo Lima (PP) atribuir ao Governo Municipal a culpa pelo fechamento de indústrias na cidade de Feira de Santana, o edil Justiniano França (DEM) explicou que o Centro Industrial do Subaé é de responsabilidade do Governo do Estado.

“O vereador Edvaldo Lima fez algumas colocações aqui e eu gostaria de fazer o contraponto. Primeiro, quero dizer que não é verdade quando fala que o Governo deu 0% para empresas de transporte. A redução veio para 2% do ISS. Alguns municípios, além dessa redução, ainda dão subsídios. Feira de Santana não tem subsídios, reduziu para 2%, então não é zero, porque se fosse zero, significaria renúncia fiscal, e o Município não deu”, afirmou o governista, lembrando que essa redução de 2% foi aprovada pelo Legislativo.

Com relação à administração do Centro Industrial Subaé, Justiniano disse que “o CIS é de competência do Governo do Estado, tanto é que tem uma autarquia do Estado administrando lá”. Segundo o vereador, o Centro das Indústrias de Feira de Santana (CIFS) já procurou o Governo do Município para resolver o problema da administração do local, mas o Governo Estadual deu a seguinte opção: “se o Município quiser assumir, ele assuma, mas o Estado não dá nada ou então as empresas assumam”, disse o edil.

Quanto à reclamação de Edvaldo ao Município no que tange a falta de manutenção do CIS, o democrata declarou: “é competência sim do Governo do Estado a manutenção do Centro Industrial do Subaé. Pode até pedir a parceria do Município, mas a responsabilidade é do Governo”, afirmou,  ressaltando que oposição tem que ser feita com responsabilidade, “não atribuindo ao Município uma competência que não é dele”.

No tocante ao fechamento da empresa Yazaki em Feira de Santana, Justiniano disse que a fábrica está funcionando hoje no estado de Sergipe. “E não foi por conta do Município que ela saiu, existem outras situações que os empresários alegam. Inclusive, eu conversei, esta semana, com uma pessoa que trabalhou na Yazaki que disse que quando chega em uma indústria e apresenta a Carteira de Trabalho e o contratante vê o nome Yasaki, normalmente as pessoas não empregam”, relatou o democrata, cobrando dos órgãos competentes uma  averiguação desse problema.

Em aparte, o vereador José Carneiro (PSDB) se pronunciou também sobre fechamento de indústrias na cidade. “A gente viu recentemente a Kaiser fechar as portas e acompanhei o diretor do CIS, o senhor Jairo Miranda, dizer que tomou conhecimento pela imprensa. E aí a gente pergunta: será que o Governo do Estado está sendo omisso na questão do fechamento de grandes indústrias?”, questionou.

Retomando o discurso, Justiniano lembrou que o Brasil está passando por uma crise financeira e várias empresas estão fechando. “A empresa Ford aqui na Bahia fechou o terceiro turno e, lá em Sergipe, a Yazaki também fechou o terceiro turno. Então, não é responsabilidade do Município fechamento de indústrias, não é porque o Município não dá manutenção no CIS que as indústrias estão fechando”, avalia.

Em aparte, o vereador Alberto Nery (PT) disse que em todo Brasil é comum as grandes empresas fecharem as portas ou se transferirem para outros municípios quando acabam as isenções fiscais.

Novamente com o uso da palavra, Justiniano defendeu a criação de uma política nacional para coibir as ações das empresas que se beneficiam com isenções ou incentivos fiscais. “Porque o Governo Federal, na legislação, é que dá essa abertura, permitindo, por exemplo, que estados tenham ICMS menor do que outros”.

Para o edil, tem que haver uma lei obrigando as empresas a devolverem todos os incentivos concedidos pelo Governo, em caso de migração para outras cidades ou estados.

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