Estudo científico comprova que nascente do Rio Subaé ocorre em Feira de Santana e que lagoas formam sistema hídrico

Páginas 6393 e 6394 do estudo sobre as nascentes e lagoas da bacia do rio Subaé, em Feira de Santana.

Páginas 6393 e 6394 do estudo sobre as nascentes e lagoas da bacia do rio Subaé, em Feira de Santana.

Vista aérea das nascentes e lagoas da bacia do rio Subaé, em Feira de Santana.

Vista aérea das nascentes e lagoas da bacia do rio Subaé, em Feira de Santana.

O recente debate decorrente de possível aterramento de parte da Lagoa do Subaé, em Feira de Santana, em uma área localizada às margens da Rodovia BR 324, levantou diversos questionamentos que permanecem, aparentemente, sem resposta. Dentre os questionamentos levantados destaca-se a seguinte pergunta: a área em debate é parte da Lagoa do Subaé e, por conseguinte, da nascente do Rio Subaé?

Tentando contribuir com o debate, o Jornal Grande Bahia pesquisou sobre o tema e apresenta documento científico, publicado nos anais do XV Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto (SBSR), durante evento científico, ocorrido de 30 de abril a 5 de maio de 2011, em Curitiba.

De autoria de Erivaldo Vieira Adôrno, Maria Alexandra Santivañez Cruz, Taise Bonfim de Jesus e Dária Cardoso Nascimento o estudo científico intitulado ‘Avaliação do impacto do uso e ocupação da terra na qualidade da água das nascentes e lagoas da bacia do rio Subaé com subsídio de técnicas de Sensoriamento Remoto’, revela que a nascente do Rio Subaé ocorre em Feira de Santana, e que a lagoa do Subaé, não é uma, mas são três lagoas que formam o sistema hídrico da nascente do Rio Subaé.

Pesquisa científica

No trabalho científico, os pesquisadores avaliam que:

— Na cidade de Feira de Santana se tem declarado o rio Subaé como APA (Área de preservação Ambiental) com a legislação ambiental municipal nº 1.612/92 e é enquadrado como rio de classe 2 pela Resolução 357/05 do Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA). (ADÔRNO, Et. Al, 2011, p. 6387)

— A cidade de Feira de Santana teve crescimento urbano sem planejamento, o que acarreta em dificuldades para se compreender como se processou a ocupação urbana e resgatar espaços importantes para preservação ambiental. Estradas restritas e aterramento de lagoas temporárias urbanas geradas pelas ocupações espontâneas nas áreas de interesse ambiental, como as nascentes e lagoas do rio Subaé, prejudicam as análises das suas localizações e tamanho original, dificultando a compreensão espacial do objeto de estudo. (ADÔRNO, Et. Al, 2011, p. 6388)

Os pesquisadores revelam que para produção e análise dos dados usaram a técnica de Sensoriamento Remoto e visita a campo:

— Uma vez que as ferramentas do Sensoriamento Remoto que estudam os alvos sem ter contato físico com os mesmos (INPE, 2001) possibilita a análise da ocupação urbana em áreas de interesse ambiental, esta técnica foi utilizada para gerar os mapas de uso e ocupação da Terra e espacialização e georeferenciamento de todos os pontos de coleta de amostras de água para estudo físico. (ADÔRNO, Et. Al, 2011, p. 6388)

— As visitas técnicas a campo permitiram, além do reconhecimento da área de estudo e a consequente obtenção de pontos notáveis para a interpretação visual da imagem, o georeferenciamento das margens das três lagoas identificadas como nascentes da bacia do Subaé, a lagoa Salgada, a lagoa Subaé do lado norte da BR-324 e lagoa Subaé do lado sul da BR – 324, assim como o ponto referenciado pela base cartográfica como nascente localizada no Bairro Brasília, na rua Pedro Suzart. Também o georeferenciamento dos sete pontos de coleta da água para a determinação da sua qualidade e posterior relacionamento com o uso e ocupação da terra. (ADÔRNO, Et. Al, 2011, p. 6389 e 6390)

Os pesquisadores concluem o estudo, afirmando:

— O ponto da nascente da Bacia do rio Subaé, que apresentou padrões físicos químicos e biológicos de qualidade de água acima dos limites estabelecidos pela resolução CONAMA 357/2005, está alocado em uma área exclusivamente urbana, o que pode determinar o tipo de rejeito que está contribuindo com as alterações no padrão de qualidade da água. (ADÔRNO, Et. Al, 2011, p. 6393 e 6394)

Observações

Conforme explicações técnicas e imagens cientificas inseridas na publicação acadêmica, observa-se que a nascente do Rio Subaé ocorre em Feira de Santana. A constatação conduz a observação empírica da realidade socioambiental de Feira de Santana, situação materialmente comprovada, em que a Secretaria Municipal de Meio de Feira de Santana (SEMMAM), em conjunto com o Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (INEMA) atuam de forma desqualificada e descomprometida com as vinculações legais as quais estão submetidas. Em síntese, as falhas dos órgãos de controle do Estado contribuem de forma preponderante para a degradação ambiental de Feira de Santana.

No caso da SEMMAM, as falhas do órgão são observadas e recorrentes ao longo das duas últimas décadas. O que explica o elevado nível de degradação socioambiental de Feira de Santana, não apenas no caso da nascente do Rio Subaé, mas também em outros aspectos ambientais.

No caso do Inema, a entidade atua de forma retardada e apenas quando provocada. Observa-se que é como se os servidores do órgão, que tem sede em Feira de Santana, não residissem na cidade e desconhecem os inúmeros problemas ambientais que afetam a comunidade, e que são de responsabilidade do órgão.

Baixe

Estudo científico sobre as nascentes e lagoas da bacia do rio Subaé, em Feira de Santana

ADÔRNO, Erivaldo Vieira; CRUZ, Maria Alexandra Santivañez; JESUS, Taise Bonfim de; NASCIMENTO, Dária Cardoso. Avaliação do impacto do uso e ocupação da terra na qualidade da água das nascentes e lagoas da bacia do rio Subaé com subsídio de técnicas de Sensoriamento Remoto. Anais XV Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto – SBSR, Curitiba, PR, Brasil, 30 de abril a 05 de maio de 2011, INPE p.6387.

*Carlos Augusto é cientista social e jornalista.

Sobre o autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto Oliveira da Silva (Carlos Augusto) é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF). Atua como jornalista e cientista social. Telefone: (75)98242-8000 | E-mail: diretor@jornalgrandebahia.com.br.