Eleições 2016 – Feira de Santana: projeção sobre bancada evangélica formada por vereadores é debatida

Roque Pereira do Carmo disse estar muito preocupado e triste com as declarações do ex-vereador Marialvo Barreto, porque, segundo ele, atinge o Legislativo feirense.

Roque Pereira do Carmo disse estar muito preocupado e triste com as declarações do ex-vereador Marialvo Barreto, porque, segundo ele, atinge o Legislativo feirense.

Nesta segunda-feira (06/06/2016), durante pronunciamento na tribuna da Câmara Municipal de Feira de Santana, o vereador Roque Pereira (DEM) repercutiu uma postagem na rede social feita pelo ex-vereador Marialvo Barreto (PT) a respeito do comportamento da bancada evangélica da Casa da Cidadania.

O democrata leu a postagem na íntegra.  “A bancada evangélica da Câmara de Feira vai diminuir em 2017 para quatro ou cinco vereadores. A Câmara de Feira sempre teve uma bancada evangélica significativa, hoje são nove vereadores, mas a diferença é que antes não havia um radicalismo contra as outras religiões, contra homossexuais e contra a discussão de gênero. Com a eleição de um determinado edil fundamentalista cristão, esta situação inverteu, a Câmara está sendo jogada contra a sociedade.

Marialvo acrescenta: “e mais: este edil tem vendido o peixe de que só ele defende os princípios evangélicos, e isto tem atingido em cheio esta comunidade religiosa, que passa a repetir o seu discurso. Enquanto ele se ‘queima’ com os parceiros edis no plenário da Câmara, ele cresce na base dos outros vereadores evangélicos. Vai ser um massacre. Ele cresce e os outros afundam, com exceção do edil vinculado à Igreja Universal, pois lá sua entrada e de outros é impossível”.

O ex-vereador diz ainda na publicação que “a bancada evangélica vai então diminuir, enquanto um candidato vai estourar de votos. Só espero que o meu partido, o PT, não aceite este homofóbico na sua coligação, pois se isto acontecer, estarão os petistas desrespeitando todas as suas resoluções internas sobre o gênero, liberdade religiosa e direito  dos homossexuais”.

Após a leitura, Roque Pereira disse estar muito preocupado e triste com as declarações do ex-vereador Marialvo Barreto, porque, segundo ele, atinge o Legislativo feirense. “Uma matéria dessa, a gente não pode deixar de discutir aqui nesta Casa, porque, de qualquer forma, atinge a Câmara de Feira de Santana. A gente tem que ter consciência de uma coisa: no momento em que qualquer um da gente faz qualquer besteira ou comete um deslize lá fora, a Casa é atingida em cheio. Então, está na hora, já que está se aproximando do período eleitoral, de vocês sentarem, todos os nobres evangélicos daqui desta Casa, e ver onde é que está o erro, porque está na hora de dar um basta nisso aí”.

Em aparte, o vereador Welligton Andrade (PSDB) também se pronunciou sobre a publicação do ex-vereador Marialvo. “Isso é somente para dizer que não quer Edvaldo Lima na composição do PT. Eles não têm coragem de dizer que não tem densidade eleitoral para encarar Edvaldo Lima e, por isso, usa subterfúgios para desmerecer o vereador. Eu não sou muito fã do comportamento legislativo do vereador Edvaldo, mas confesso que aqui nesta Casa existem outros evangélicos valiosos, são comprometidos. Agora, o vereador Edvaldo Lima, certamente, vai ter um número bom de votos, mas vai ter dificuldades na composição proporcional”, pontuou.

Também em aparte, o vereador Justiniano França (DEM) comentou o assunto. “Eu confesso a Vossa Excelência [Roque Pereira] que não me preocupo, tenho a minha condição de evangélico, já estou no meu terceiro mandato, não faço do poder público, da Câmara, uma questão cética, tenho meus princípios através da Bíblia e acho que existem denominações que têm vereador, mas eu não faço campanha dentro de igreja, nunca fiz e não faço, tenho apoio sim de pastores, porém não uso a igreja para isso, porque acho que isso não é a função da igreja, mas defendo os princípios do evangelho, o que creio na Bíblia”.

O democrata acrescentou: “agora, tenho minha posição muito tranqüila e sei exatamente do papel do Estado, as suas ações, e isso não pode interferir naquilo que eu penso. Eu entendo também que é uma guerra que começam a fazer, que passa a beirar a insensatez, e nós precisamos estar acordados, evangélicos ou não, para que isso não venha afetar as nossas vidas”, disse Justiniano.

Retomando a palavra, Roque Pereira declarou: “meu objetivo aqui é de preservar a instituição, porque o nome da Casa é que fica comprometido, nós aqui somos passageiros, mas o que não pode é ficar a Casa sendo taxada disso e daquilo, que vereador é homofóbico, que é contra religião, contra isso e aquilo, aí fica meio complicado”.

Na sequência, o vereador Eli Ribeiro (PRB) opinou sobre o assunto, afirmando que também sabe separar as tarefas da igreja do ambiente de trabalho. “Sempre tenho falado aqui que eu tenho conceito, e não preconceito. Tenho a posição da minha fé, entendo que aqui não é uma igreja, aqui é meu trabalho, sou vereador de Feira de Santana e é evidente que sou a favor da família”.

O edil continuou: “infelizmente, o vereador Edvaldo Lima se intitula como único defensor da família, e isso não é verdade. David Neto, por exemplo, não é evangélico, mas é um defensor da família. As declarações também não vão me atingir; eu uso a razão, e não o coração, e a Igreja Universal do Reino de Deus é bem madura em relação a isso, nós temos na igreja várias pessoas ex-homossexuais, ex-traficantes, enfim, a Universal é uma igreja de portas abertas. Então, eu não posso bater no ser humano, eu não posso comungar com o que eles fazem, mas eu tenho conceito, volto a repetir, e não preconceito”, pontuou.

Novamente com o uso da palavra, Roque Pereira também afirmou que foi eleito para defender os interesses da comunidade de forma geral. “Eu fui eleito não foi só para defender determinada classe ou categoria, religião ou lado sexual, a gente está aqui para defender o bem estar da cidade, esse que é o papel do vereador. Agora, no momento em que o vereador sobe na tribuna e começa fazer discursos que só ele defende a família, ele não coloca só os evangélicos no canto da parede, coloca nós também católicos ou de qualquer outra religião como se a gente não defendesse”.

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