Deputado Daniel Almeida denuncia: “Planalto opera para salvar mandato de Eduardo Cunha”

Deputado Daniel Gomes revela que Governo Temer tenta salvar mandato de Eduardo Cunha.

Deputado Daniel Gomes revela que Governo Temer tenta salvar mandato de Eduardo Cunha.

Relatório do deputado Marcos Rogério (DEM-RO) apresenta provas robustas para cassar o presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha. À frente da Bancada do PCdoB na Casa, Daniel Almeida alerta que pressão do governo interino de Michel Temer (PMDB) pode levar à absolvição do peemedebista, o que é um “escárnio” diante da sociedade.

Réu por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no Supremo Tribunal Federal (STF), o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) conta com proteção especial do Palácio do Planalto e teve a decisão sobre o seu futuro político adiada mais uma vez no Conselho de Ética. Agora, foi postergada para a próxima terça-feira (14/06/2016). “Cunha manda no Michel Temer. Isto é um escárnio contra o povo brasileiro”, avalia Daniel Almeida.

Esta semana, o presidente interino entrou em cena, trabalhando nos bastidores para influenciar os membros do colegiado a aplicar pena mais branda contra Cunha, tentando evitar inclusive a apreciação do caso pelo Plenário da Casa. Estas manobras deixam mais claro, conforme o líder comunista, que “Cunha interfere no Conselho de Ética com o objetivo de salvar seu mandato. E utiliza o poder político que está no comando do país”.

O deputado acrescenta que o peemedebista está atuando fortemente no governo federal, negociando com o PRB e outros partidos na Câmara. Na noite de segunda-feira, Temer marcou um jantar às pressas com a cúpula do PRB para operar em favor de Cunha no Conselho. Após a conversa, o presidente da legenda se encontrou com a deputada Tia Eron (PRB-BA), que foi pressionada e acabou não comparecendo à sessão. Se o relatório fosse votado nesta semana, caberia ao suplente Carlos Marun (PMDB-MS), um dos principais defensores de Cunha, votar no lugar dela. A expectativa é que, neste cenário, o réu do STF fosse absolvido com placar de 11 votos a nove.

O voto dela é disputado nos corredores do Congresso por apoiadores de Cunha, pois define o destino do peemedebista. Após esta tentativa de enquadramento da deputada do PRB que havia sinalizado voto favorável à cassação, parlamentares denunciaram a intervenção de Temer no Conselho de Ética para evitar a queda de seu aliado.

Para evitar a absolvição de Cunha, o relator Marcos Rogério solicitou tempo para ler o voto em separado apresentado pelo deputado João Carlos Bacelar (PR-BA). O deputado pediu para analisar o texto, que pretende amenizar a punição contra Cunha, apenas suspendendo o mandato por três meses.

Enquanto o processo se arrasta no Conselho de Ética, houve a substituição de dois integrantes titulares do PR na composição da Comissão de Constituição e Justiça, nesta quarta-feira (6), por integrantes da tropa de choque de Cunha. O intuito é aprovar a consulta sobre votação de processos disciplinares que beneficiaria Cunha. A matéria está na pauta da comissão.

Para Daniel Almeida, o STF precisa agir de maneira célere, evitando mais manobras na Câmara. “A expectativa que temos é que o Supremo faça o julgamento do pedido de prisão do Eduardo Cunha, para que esta nefasta presença seja retirada na cena política brasileira”, afirma.

As articulações do peemedebista e do Palácio do Planalto no Congresso não foram capazes de interromper as investigações feitas pela Procuradoria-Geral da República (PGR). A Procuradoria comprovou a existência de R$ 5,2 milhões em uma conta na Suíça, ligada ao deputado, que servia para recebimento de verbas desviadas do esquema de corrupção da Petrobras. O que reforçou a acusação de falso testemunho de Eduardo Cunha na CPI da Petrobras, que afirmou a inexistência de contas em seu nome fora do país.

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