Delator Sérgio Machado faz acordo com MPF para devolver R$ 75 milhões e cita presidente interino Michel Temer como beneficiário do esquema de corrupção

Em delação premiada, ex-presidente da Transpetro José Sérgio de Oliveira Machado fez 13 depoimentos que atinge os principais líderes nacionais do PMDB e políticos de outros partidos.

Em delação premiada, ex-presidente da Transpetro José Sérgio de Oliveira Machado fez 13 depoimentos que atinge os principais líderes nacionais do PMDB e políticos de outros partidos.

Jornal Estadão destaca envolvimento do presidente interino Michel Temer em delação de Sérgio Machado.

Jornal Estadão destaca envolvimento do presidente interino Michel Temer em delação de Sérgio Machado.

O ex-presidente da Transpetro, José Sérgio de Oliveira Machado, um dos delatores da Operação Lava Jato, se comprometeu, no acordo de delação premiada, a devolver R$ 75 milhões à Petrobras.

No acordo, a Procuradoria-Geral da República (PGR) acertou que Machado não poderá ser condenado a mais de 20 de anos nas ações criminais às quais deverá responder pelos desvios na estatal. Além disso, o delator cumprirá pena em regime domiciliar, com monitoramento por tornozeleira eletrônica.

De acordo com os termos, divulgados hoje (15/06/2016) após decisão do ministro Teori Zavascki, R$ 10 milhões deverão ser pagos 30 dias após a homologação, que ocorreu no mês passado, e R$ 65 milhões parcelados em 18 meses.

Por ter delatado os supostos repasses de recursos da Transpetro para políticos, Machado vai cumprir regime domiciliar diferenciado.

“O colaborador poderá ausentar-se de sua residência, por seis horas contínuas e não fracionáveis, em oito datas no período de sua reclusão em regime fechado domiciliar,

devendo cientificar ao Juízo e ao Ministério Público Federal, com antecedência mínima de 72 horas, do horário, em cada data, em que fará uso da franquia e podendo solicitar, fundamentadamente e com antecedência mínima de cinco dias úteis, alteração de data”, afirmou o termo de colaboração.

Ex-presidente da Transpetro envolve Michel Temer e 20 políticos em esquema de propina

Delator Sérgio Machado afirmou em negociada com a Justiça que Michel Temer lhe pediu dinheiro para ajudar a campanha de Gabriel Chalita, então candidato do PMDB à prefeitura de São Paulo em 2012.

Em delação premiada negociada com a Justiça, o ex-dirigente da Transpetro Sérgio Machado afirmou que repassou propina disfarçada em doações eleitorais declaradas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para ao menos 20 políticos, entre eles o “menino”, termo que, segundo os investigadores, foi utilizado para se referir a Gabriel Chalita (PDT), então candidato à prefeitura de São Paulo pelo PMDB em 2012. Chalita seria só mais um político implicado na extensa lista do petrolão não fosse um detalhe grave contido nas declarações de Sérgio Machado: segundo ele, quem acertou o envio de dinheiro para a campanha do PMDB foi o hoje presidente interino da República, Michel Temer.

Segundo o delator, o pedido de Temer foi feita numa conversa na Base Aérea de Brasília. À época, a campanha de Chalita tinha dificuldade de caixa. “O contexto da conversa deixava claro que o que Michel temer estava ajustando com o depoente era que este solicitasse recursos ilícitos das empresas que tinham contratos com a Tranpetro na forma de doação oficial para a campanha de Chalita”, diz trecho da delação. Na conversa, segundo a versão de Machado, ficou acertado que a empreiteira Queiroz Galvão repassaria 1,5 milhão de reais em dinheiro camuflado de doação oficial.

Machado também citou como beneficiários do propinoduto outras estrelas do PMDB como o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), o senadores Jader Barbalho (PA) e o ex-presidente José Sarney (AP). A lista inclui parlamentares de diversas siglas, incluindo os ex-ministros Luiz Sergio (PT-RJ), Edson Santos (PT-RJ), Ideli Salvatti (PT-SC) e Garibaldi Alves (PMDB-RN). Também figura na lista o governador interino do Rio de Janeiro, Francisco Dornelles (PP). O atual ministro do Turismo do governo interino de Michel Temer, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), também foi beneficiário, conforme o delator.

Sergio Machado chegou a afirmar assustadora sinceridade sua dupla função na subsidiária da Petrobras: “extrair o máximo possível de eficiência das empresas contratadas pela estatal” e, no campo criminoso, “extrair o máximo possível de recursos ilícitos para repassar aos políticos que o garantiam no cargo”.

Apadrinhado pelos caciques peemedebistas, Sergio Machado também citou como destinatários de dinheiro sujo os seguintes políticos: Cândido Vaccarezza (PT-SP), Jandira Feghali (PCdoB-RJ), Jorge Bittar (PT-RJ), Walter Alves (possivelmente o deputado do PMDB-RN). No campo da oposição, foram citados o presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), o deputado Felipe Maia (DEM-RN), o ex-presidente do PSDB Sergio Guerra (morto em 2004) e Heráclito Fortes (PSB-PI).

MPF

Segundo o MPF, “o depoente também repassou propina, via doação oficial, para os seguintes: Cândido Vaccarezza (PT), Jandira Feghali (PC do B), Luis Sérgio (PT), Edson Santos (PT), Francisco Dornelles (PP), Henrique Eduardo Alves (PMDB), Ideli Salvatti (PT); Jorge Bittar (PT), Garibaldi Alves (PMDB), Valter Alves, José Agripino Maia (DEM), Felipe Maia (DEM), Sergio Guerra (PSDB, morto em 2014), Heráclito Fortes (PMDB), Valdir Raupp (PMDB); que Michel Temer pediu ao depoente que obtivesse doações oficiais para Gabriel Chalita, então candidato a prefeito de São Paulo”.

“O contexto da conversa deixava claro que o que Michel Temer estava ajustando com o depoente era que este solicitasse recursos ilícitos das empresas que tinham contratos com a Transpetro na forma de doação oficial para a campanha de Chalita”, revelou Machado à Procuradoria-Geral da República.

Baixe

Delação de José Sérgio de Oliveira Machado – 1

Delação de José Sérgio de Oliveira Machado – 2

*Com informações da Agência Brasil, Veja e Estadão.

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