Sobre precariedade dos serviços de saúde de Feira de Santana, vereador governista contesta

José Carneiro Rocha: "Feira é referência em obstetrícia, mesmo estando superlotada. Porém, não podemos deixar de reconhecer que a saúde no país está um caos e na Bahia não é diferente".

José Carneiro Rocha: “Feira é referência em obstetrícia, mesmo estando superlotada. Porém, não podemos deixar de reconhecer que a saúde no país está um caos e na Bahia não é diferente”.

Durante o horário do grande expediente desta quarta-feira (18/05/2016), na Câmara Municipal de Feira de Santana, o líder do Governo na Casa, vereador José Carneiro Rocha (PSDB), apresentou contrapontos sobre o discurso do petista Beldes Ramos em relação ao atendimento no Hospital Municipal Inácia Pinto dos Santos (Hospital da Mulher).

“Gostaria de fazer alguns contrapontos. A informação que Vossa Excelência deu, de que há funcionário na porta do Hospital da Mulher informando que na unidade não tem vaga, não procede. Quando fala dessa unidade age de forma incoerente. O Hospital é referência em maternidade na macrorregião, Feira é referência em obstetrícia, mesmo estando superlotada. Porém, não podemos deixar de reconhecer que a saúde no país está um caos e na Bahia não é diferente. E sabe de quem é a culpa? Do Governo do Estado, que está há 12 anos no poder e não construiu uma só maternidade no interior do estado”, disse Carneiro.

Ele continuou a disparar contra o Governo do Estado. “Isso tem gerado um déficit enorme no que diz respeito à maternidade, e mulheres grávidas têm passado por grandes constrangimentos no momento mais importante de suas vidas, que é o parto. Recentemente, li uma matéria que relatava o caso de uma senhora de Coité que pariu no meio da rua. Uma cidade com mais de 50 mil habitantes! Assim como ela, 80% das cidades não possuem uma maternidade e o Governo do Estado não levanta  a voz para dizer às gestantes que ele está preocupado com essa situação”, pontuou Carneiro.

O líder governista também lembrou que uma maternidade foi reformada recentemente em Salvador, enquanto o Hospital da Mulher continua sem estrutura para atender Feira de Santana e região. “Agora quero saber qual cidade do interior do estado que o Governo Estadual construiu uma maternidade? Isso é um absurdo e o Hospital da Mulher continua atendendo Feira e região sem a devida estrutura”, afirmou.

Em aparte, o vereador Beldes disse que em Feira de Santana também há mulheres que dão luz aos filhos no meio da rua. “O setor de obstetrícia da cidade é de competência no Município e o líder, equivocadamente, coloca a culpa no Governo do Estado. Lembro-me bem quando Vossa Excelência foi o autor de uma audiência pública que debateu o fechamento da maternidade do Hospital Dom Pedro de Alcântara”, lembrou.

Em resposta, Carneiro disse que não ouve ninguém na cidade afirmar que o setor de obstetrícia vai bem. Quanto ao fechamento da maternidade do Hospital Dom Pedro de Alcântara, ele afirmou que continua com a mesma opinião. “E discordo também da redução de leitos do HGCA para as parturientes. E Vossa Excelência é um homem esclarecido e, portanto, sabe que saúde é dever do Estado. O Município tem o dever de participar e faz isso com o Hospital da Mulher. Porém, dizer que o Estado não tem obrigação de construir maternidades é contrassenso”, disse.

Em aparte, o edil Justiniano França (DEM) revelou que o Hospital Dom Pedro de Alcântara é privado, porém presta serviço pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “Zé Carneiro está correto em relação à maternidade e o secretário Estadual de Saúde esteve em Feira de Santana e disse que irá construir 50 leitos no Hospital Estadual da Criança, para que se torne um hospital materno-infantil, inclusive com UTI, para folgar o HGCA. Nossa expectativa é que isso aconteça logo”, declarou.

Também em aparte, o edil Pablo Roberto (PHS) discordou do colega Justiniano quando tratou do atendimento pelo SUS no Dom Pedro de Alcântara. “Transformou o hospital em atendimento às especialidades de oncologia e cardiologia e deixou de atender à obstetrícia. É um hospital filantrópico e tem o dever de devolver isso a Feira de Santana com serviços médicos, porém só devolve para quem tem como pagar pelo serviço”, afirmou.

Retomando o discurso, Carneiro reiterou que não concorda com o fechamento da maternidade do Hospital Dom Pedro de Alcântara. “Continuo achando um absurdo. Agora, nosso maior problema é com o Governo do Estado, que promete e não cumpre. Prometeu transformar um andar do Hospital Estadual da Criança em maternidade e não fez, prometeu a construção de um novo hospital geral e, até agora, nada saiu do papel”, findou.

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