Sessão Especial na Alba celebra centenário do professor José Calasans

Sessão Especial na Alba celebra centenário do professor José Calasans Brandão da Silva.

Sessão Especial na Alba celebra centenário do professor José Calasans Brandão da Silva.

Em comemoração ao centenário do professor José Calasans (1915-2015), a deputada estadual Fátima Nunes(PT) promove uma sessão especial, na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), no próximo dia 19 de maio de 2016, (quinta-feira), às 9h. A sessão tem como objetivo homenagear e reverenciar o professor que dedicou a vida e obra aos estudos sobre o município de Canudos.

“O professor Calasans teve uma acentuada dedicação por um dos maiores tradutores da vida sertaneja, e em especial a saga da Revolta de Canudos que vitimou milhares de mulheres e homens no final do sec. XIX. É um homem de absoluta importância para a nossa história e cultura. Jamais poderia deixar essa data passar em branco”, justificou a deputada Fátima Nunes.

Calasans também se destacou em vários outros ramos da pesquisa social, em temas da religiosidade indígena, estudos folclóricos e perfis biográficos de personalidades baianas e sergipanas, além de memórias de instituições diversas. Realizou larga docência nos dois Estados, orientando dezenas de dissertações e teses sobre o fulcro de sua dedicação, o povo e a história de Canudos.

José Calasans

José Calasans viveu um tempo de muita história. Desde cedo se interessou pelos acontecimentos políticos da época – como o Levante do Forte de Copacabana, em 1922, e as revoltas do 28º Batalhão de Caçadores em Aracaju nos anos de 1924 e 1926 – mas quem lhe sedimentou o gosto pelos estudos históricos foi Clodomir Silva, seu professor de português no Atheneu Sergipense e importante pesquisador do folclore e da história de Sergipe. Esta convivência com o mestre também despertou no jovem estudante o interesse pela oralidade que mais tarde lhe colocaria entre os pioneiros na historiografia brasileira.

Em 1933, com o desejo de ser professor de História, Calasans deixou a terra natal e foi estudar na Faculdade Livre de Direito da Bahia. Na época, era um dos líderes da Juventude Integralista e lutou pela criação de um núcleo de Cultura Espiritualista, projeto que provocou conflitos na Faculdade. Pouco tempo depois, conforme declarou em depoimento, abandonaria as ideias propagadas por Plínio Salgado.

Concluído o curso de Direito, em 1937, José Calasans voltou para Aracaju e dedicou-se ao magistério e estudos históricos, desenvolvendo pesquisas sobre os motivos que levaram à mudança da capital sergipana, antes estabelecida em São Cristovão. Na ocasião, compilou versos populares sobre o tema para fazer um cancioneiro político-popular. Do seu interesse pela poética das ruas, surgiriam os primeiros estudos sobre os aspectos folclores da cachaça que levariam à publicação do livro “Cachaça Moça Branca”. Ainda em Sergipe, trabalhou no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional/IPHAN, então dirigido por Rodrigo de Mello Franco, e iniciou o levantamento dos monumentos históricos sergipanos que, mais tarde, seriam tombados pela instituição.

Poucos anos depois, Calasans voltou para Salvador, onde retomou o magistério e dirigiu o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial/SENAC. Na época, também desenvolveu pesquisas sobre a Revolução de 30, mantendo vasta correspondência com revoltosos, e prestou concurso de Livre Docência na Faculdade de Filosofia da Universidade Federal da Bahia, apresentando a tese “O Ciclo Folclórico do Bom Jesus Conselheiro, Contribuição ao Estudo da Campanha de Canudos”.

Com esse trabalho, José Calasans iniciou a sua dedicação ao tema que abraçaria por toda a vida. Ainda jovem, tinha sido estimulado pelas pesquisas de oralidade quando frequentou vários locais de Aracaju em busca de versos populares sobre o folclore sergipano. Nas suas andanças, ouviram quadrinhas sobre o coronel Moreira César e a Guerra de Canudos. Alguns anos depois, em 1947, se impressionou com o episódio ao ler na revista “O Cruzeiro” uma reportagem rememorando  o cinquentenário do conflito e apresentando depoimentos de sobreviventes colhidos na Canudos reconstruída sobre os escombros da cidadela conselheirista1. Depois dessa leitura, decidiu conhecer o cenário da guerra com o objetivo de colher informações para a tese que apresentaria à Faculdade de Filosofia em 1950.

Com o “Ciclo Folclórico do Bom Jesus Conselheiro”, José Calasans trouxe para os meios acadêmicos a voz dos vencidos. À ela dedicou inúmeros estudos e pesquisas, libertando-a, como ele próprio anotou, “da gaiola de ouro de Os sertões”, numa referência ao livro de Euclydes da Cunha que, durante muito tempo, centralizou os estudos sobre Antônio Conselheiro e a Guerra de Canudos.

O Professor José Calasans Brandão da Silva faleceu na Cidade do Salvador no dia 28 de maio de 2001. Era casado com Lúcia Margarida Maciel da Silva e tiveram dois filhos: José, falecido precocemente, e Maria Madalena. O seu acervo, fruto das suas investigações sobre o tema, está disponível para pesquisas no Núcleo Sertão do Centro de Estudos Baianos da Universidade Federal da Bahia, criado em 1983, depois de generosa doação do Mestre.

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