Senador troca denúncia contra Romero Jucá por representação no Conselho de Ética

Em nome do Partido Democrático Trabalhista, o senador Telmário Mota (PDT-RR) protocola pedido de cassação do mandato do senador Romero Jucá (PMDB-RR).

Em nome do Partido Democrático Trabalhista, o senador Telmário Mota (PDT-RR) protocola pedido de cassação do mandato do senador Romero Jucá (PMDB-RR).

O senador Telmário Mota (PDT-RR) fez uma substituição da denúncia que apresentou na terça-feira (24/05/2016) contra o senador Romero Jucá (PMDB-RR) por uma representação assinada por seu partido. Mota tinha apresentado de manhã a denúncia, assinada por ele e pelo presidente do PDT, Carlos Lupi, mas à tarde apresentou novo documento em que o partido é o signatário.

Mota explicou que a apresentação de denúncia foi um equívoco, uma vez que ela deixa a cargo da presidência do Conselho de Ética a decisão de, depois, encaminhar representação que pode levar à cassação do mandato. A representação pode ser encaminhada diretamente, pulando essa etapa, por ser apresentada por partido político.

O PDT baseou a representação em fatos noticiados pela imprensa sobre uma conversa entre Jucá e o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado. A gravação da conversa, recém-divulgada pelo jornal Folha de S. Paulo, mostra que Jucá e Machado discutiam formas de tentar frear a “sangria” provocada pela Operação Lava Jato e consideravam que a entrada de Michel Temer interinamente na Presidência da República, associada a um “pacto” com ministros do Supremo Tribunal Federal, poderia ser uma saída.

Ontem (23), Romero Jucá pediu licença do cargo de ministro do Planejamento e prometeu provocar o Ministério Público e o próprio Supremo Tribunal Federal para que avaliem se o diálogo representa a prática de algum crime. Enquanto isso, Jucá retornou à condição de senador, para, como disse, fazer “o enfrentamento” das denúncias.

Ministro Gilmar Mendes não vê tentativa de obstrução da Lava Jato em declarações de Jucá

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, disse na terça-feira (24/05/2016) que não considera as declarações do ex-ministro do Planejamento Romero Jucá, divulgadas ontem (23) pelo jornal Folha de S.Paulo, uma tentativa de obstrução da Operação Lava Jato. Nas gravações obtidas pelo jornal, em conversa com ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, Jucá sugere um “pacto” para tentar barrar a operação, que incluiria o Supremo. Por causa das declarações, Jucá pediu para ser exonerado.

“Não vi isso. A não ser, uma certa impropriedade em relação à referência ao Supremo. Sempre vem essa história: ‘já falei com os juízes’ ou coisa do tipo. Mas é uma conversa entre pessoas que têm alguma convivência e estão fazendo análise sobre o cenário numa posição não muito confortável”, disse Gilmar Mendes, em referência ao trecho em que Jucá cita o STF na conversa.

“A não ser essa referência [sobre o STF], que causa incômodo, é uma repetição. Virou um mantra, um enredo que se repete”, acrescentou o ministro, em entrevista no STF.  Mendes disse que nunca foi procurado por Jucá para falar sobre a Lava Jato.

Para o ministro, o STF tem agido com imparcialidade com relação à operação. “Não há o que suspeitar do Tribunal, o Tribunal tem agido com muita tranquilidade, com muita seriedade, muita imparcialidade, a mim me parece que não há nada para mudar o curso [da Lava Jato].”

Perguntado se a saída de Jucá abala o governo interino que acabou de começar, Mendes disse que a mudança “faz parte da realidade política”.

“São problemas da realidade política, com os quais se tem que lidar. Quer dizer, eu tenho essa experiência também, passei por governo. Quer dizer, da noite para o dia, às vezes por uma fala, por uma revelação, se encerra um mandato às vezes até exitoso. Em suma, isso faz parte da realidade política”.

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