Salvador: lançamento de livro marca expansão do programa ‘Corra pro Abraço’

Lançamento do Livro 'Corra para o Abraço'. Evento ocorreu em Salvador.

Lançamento do Livro ‘Corra para o Abraço’. Evento ocorreu em Salvador.
Foto: Elói Corrêa/GOVBA

Na data em que se comemora o Dia Nacional da Luta Antimanicomial, o lançamento do livro ‘Corra pro Abraço: o encontro para o cuidado na rua’ marca a expansão e a consolidação do programa social Corra pro Abraço, que há três anos se dedica a moradores de rua e usuários de drogas que vivem por Salvador. A obra reúne histórias, metodologias e o processo de construção da iniciativa.

A cerimônia, realizada na tarde desta quarta-feira (18/05/2016), na sede do Ministério Público do Trabalho (MPT), em Salvador, teve a participação de autoridades e pessoas que trabalham no projeto. Mas grande parte do público que foi ao auditório era formado por pessoas atendidas pelo programa e que vibraram ao ver suas histórias de vida e desafios serem reconhecidos. No evento, também foram assinados convênios para a implantação do programa, que é mantido pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS), em outros locais da capital e no interior do estado.

A expansão leva o Corra pro Abraço para quatro Áreas Integradas de Segurança Pública (AISPs), através das Bases Comunitárias de Segurança – Bairro da Paz, Beiru/Tancredo Neves, Nordeste de Amaralina e Subúrbio/Parque São Bartolomeu -, além do Núcleo de Prisão em Flagrantes do Tribunal de Justiça, em Salvador. No interior, o programa será implantado nos municípios de Feira de Santana, Vitória da Conquista e Lauro de Freitas, que totalizam oito equipes de atuação.

Para o secretário da SJDHDS, Geraldo Reis, o lançamento do livro e a assinatura dos convênios representam a consagração de um trabalho que tem trazido resultados muito positivos a partir da redução de danos. “Esse é um rito de passagem, a consolidação de uma concepção de atendimento de pessoas em situação de rua e a expansão desse projeto, que atende um público que normalmente é visto de forma muito preconceituosa, dentro de uma visão conservadora, de que são prejudiciais à estética da cidade. Mas nós os enxergamos como pessoas, como seres humanos que devem e merecem ter acesso a todos os direitos e cidadania plena. Essa é a grande beleza do Corra pro Abraço”, afirmou.

Distribuição

A publicação lançada nesta quarta (18) inclui os aprendizados, conceitos e metodologia do programa. Desenvolvida pela SJDHDS, em parceria com o Centro de Referência Integral de Adolescentes (CRIA), a tiragem foi custeada integralmente pelo Governo do Estado, que pretende distribuir gratuitamente os livros em bibliotecas e universidades, além de instituições vinculadas ao Sistema Único de Saúde (SUS), à rede de atenção psicossocial e afins.

Segundo a diretora de Gestão e Monitoramento da Superintendência de Políticas sobre Drogas, Emanuelle Silva, o livro é uma forma de trocar conhecimentos e tornar públicas as experiências exitosas do programa. “Queremos compartilhar os nossos aprendizados com gestores públicos, com a comunidade acadêmica e principalmente com os usuários. Isso porque durante esse tempo entendemos que eles são quem mais têm a nos ensinar em como lidar com a situação de rua. Compreendemos que é a rua que dá o ‘tom’ desse projeto, tudo deve ser muito dialogado e não pensado de cima para baixo. É uma ação que se reinventa o tempo inteiro”.

Mudança de vida

Há sete anos, Edilúcia Soares de Menezes e o marido, Adailton de Jesus, chegavam em Salvador, vindos da cidade de Palmares, no interior de Pernambuco, em busca de melhores empregos. Porém, a formação em Pedagogia e os cursos de inglês e de técnica de enfermagem de Edilúcia não foram suficientes para que ela e o marido começassem a vida na capital baiana. Os dois acabaram dormindo nas ruas durante anos, tiveram pertences e documentos roubados enquanto dormiam à noite, até que souberam do Corra pro Abraço.

“Disseram que na ‘Praça da Mãozinha’ [como é conhecida a Praça Marechal Deodoro da Fonseca, no Comércio] tinha um projeto que ajudava as pessoas e nós fomos correndo pra lá. Desde então, o Corra pro Abraço mudou a nossa vida. Hoje eu sou professora do Topa, o Dai, como é conhecido o Adailton, não lia e nem escrevia nada. Hoje ele já escreve o próprio nome e em breve vai estar lendo tudo, já fez vários cursos e ele, que antes quase nem conversava, hoje ‘fala pelos cotovelos’”, contou emocionada, ao lembrar dos primeiros anos em Salvador.

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