Saída de Dilma Rousseff piora crise política, diz NYT

Cidadãos protestam contra o impeachment, durante festival de música em Salvador.

Cidadãos protestam contra o impeachment, durante festival de música em Salvador.

Cidadãos protestam contra o impeachment, durante festival de música em Salvador. Em editorial, jornal americano critica governo da presidente afastada, mas diz que ela paga "um preço desproporcionalmente alto" pelo que está sendo julgada. "Seus detratores são acusados de crimes mais graves", afirma.

Cidadãos protestam contra o impeachment, durante festival de música em Salvador. Em editorial, jornal americano critica governo da presidente afastada, mas diz que ela paga “um preço desproporcionalmente alto” pelo que está sendo julgada. “Seus detratores são acusados de crimes mais graves”, afirma.

O jornal americano The New York Times, em editorial publicado após o afastamento da presidente Dilma Rousseff nesta quinta-feira (12/05/2016), defende a realização “imediata” de novas eleições e afirma que a petista está prestes a “pagar um preço desproporcionalmente alto” por má conduta administrativa.

Enquanto isso, “muitos de seus mais ardentes detratores são acusados de crimes mais graves”, diz o jornal, reiterando que “muitos dos políticos que orquestram sua deposição foram associados a um grande esquema de propina e outros escândalos”. Segundo o jornal, a ira que tem sido direcionada a Dilma pode, em breve, ser redirecionada a eles.

Para o NYT, a presidente afastada tem comandado o país de forma ineficaz, classificando-a como uma líder “péssima” e “abaixo do esperado”. Ainda assim, lembra que Dilma não é acusada de abuso de poder para ganhos pessoais, e que tem o direito de questionar os motivos e a “autoridade moral dos políticos que buscam derrubá-la”.

O texto – intitulado “Piorando a crise brasileira” (em tradução livre) – explica que as acusações que envolvem o impeachment da presidente abordam as chamadas pedaladas fiscais, “uma tática que outros líderes brasileiros utilizaram no passado sem sofrer grande escrutínio”.

“Muitos suspeitam, porém, que os esforços para remover Dilma têm mais a ver com a decisão dela de permitir que procuradores avancem nas investigações de corrupção na Petrobras”, afirma o veículo, acrescentando que “o escândalo atingiu mais de 40 políticos, incluindo altos líderes do PT”.

O editorial sugere que, com a saída definitiva de Dilma da Presidência – “o que é provável, já que 55 dos 81 senadores brasileiros votaram a favor de seu afastamento” –, fique mais fácil retomar a política usual do pagamento de propinas. “Isso seria indefensável”, afirma o NYT.

Eduardo Cunha e Michel Temer não foram esquecidos pelo conselho editorial do jornal. O texto destaca que o deputado peemedebista, “parlamentar veterano que liderou os esforços para expulsar Dilma”, foi afastado do mandato porque responde a denúncias de corrupção.

Sobre o presidente interino, a publicação lembra que Temer pode ficar inelegível por oito anos após ter feito doações de campanha acima do limite permitido por lei. Ele foi condenado recentemente pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, mas a decisão não impede que Temer assuma a Presidência interinamente ou em um eventual impeachment.

Por fim, o jornal diz que, embora Dilma e seu partido tenham “se afundado nos últimos meses”, ao mesmo tempo em que o Brasil enfrenta a pior recessão desde 1930, o PT ainda conta com “um apoio considerável, particularmente entre os milhões de brasileiros que saíram da pobreza nas últimas duas décadas”.

“Os senadores que saboreiam a saída de Dilma devem lembrar que a presidente foi eleita nas urnas duas vezes”, destaca o veículo americano.

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