Por iniciativa do desembargador Baltazar Miranda Saraiva, Tribunal de Justiça da Bahia aprova Moção pelo falecimento do artista plástico Sante Scaldaferri

Sante Scaldaferri, vida e obra é destacada em 'Moção de Pesar' emitida pelo TJBA.

Sante Scaldaferri, vida e obra é destacada em ‘Moção de Pesar’ emitida pelo TJBA.

Pintura 'Sermão do Monte', de autoria de Sante Scaldaferri. Artista retratou, com maestria, o drama e a tragédia do sertão nordestino.

Pintura ‘Sermão do Monte’, de autoria de Sante Scaldaferri. Artista retratou, com maestria, o drama e a tragédia do sertão nordestino.

Na sessão plenária administrativa do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA), realizada na sexta-feira (20/05/2016), o desembargador Baltazar Miranda Saraiva (Vice-Presidente regional da Região Nordeste II da Associação Nacional dos Magistrados Estaduais – ANAMAGES), integrante da 5ª Câmara Cível e do Pleno, propôs ‘Moção de Pesar’ pelo falecimento do artista Sante Scaldaferri. Aderiu, expressamente, a desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago, presidente do TJBA, que, inclusive, registrou possuir uma das obras produzidas por Sante Scaldaferri.

Aprovada de forma unânime, a Moção apresentada pelo desembargador Baltazar Miranda Saraiva expressa “profundo pesar pelo falecimento do saudoso Sante Scaldaferri… considerado um dos representantes dos pintores brasileiros contemporâneos, que retratou, com maestria, o drama e a tragédia do sertão nordestino”.

Confira o teor da ‘Moção de Pesar’

Tribunal de Justiça do Estado da Bahia

Através desta MOÇÃO externamos nosso mais profundo pesar pelo falecimento do saudoso SANTE SCALDAFERRI, ocorrido no dia 15 deste mês, nesta Capital, rogando que Deus, em sua imensa sabedoria e misericórdia, possa confortar seus familiares e amigos nesse momento de dor e de saudades.

John Donne, poeta inglês do século XVI, em um dos seus magistrais poemas escreveu que nenhum homem é uma ilha, pois cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra. Se essa parte diminui quando um torrão é arrastado para o mar, a vida também diminui com a morte de qualquer homem, e que, “por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti”.

Um articulista pátrio, indignado com a morte sem causa, fruto da violência e do descaso de nossas autoridades, escreveu que quem ouvir o dobrar dos sinos em qualquer lugar, não perguntem por quem eles dobram, pois eles, simplesmente, dobram pelos indiferentes.

A Bahia – em especial este Tribunal -, não pode ficar indiferente ao dobrar dos sinos pelo falecimento do artista plástico Sante Scaldaferri, morto aos 88 anos no dia 15 do corrente. Este artista, considerado um dos representantes dos pintores brasileiros contemporâneos, retratou, com maestria, o drama e a tragédia do sertão nordestino.

Nascido em 1928, Scaldaferri colou grau na Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Foi membro de diversos eventos sobre artes plásticas, além de integrante do Conselho Estadual de Cultura da Bahia. Pode-se dizer que ele foi, em vida, uma verdadeira enciclopédia cultural: pintor, cenógrafo, professor, tapeceiro, ator e escritor.

Segundo os especialistas, a decadência física encontrada nos corpos dos seus personagens, parece aliar-se à moral. Seus trabalhos se esforçam para estimular a crítica e a reflexão. Nas telas Homem Porco ou O homem Porco Beija a Mulher Porca, trabalha com a figura humana entre o divino e o animal.

Por sua genialidade, eficiência, arte, amor à Bahia e por suas grandezas humanas, este Tribunal registra o falecimento do grande artista fazendo dobrar os sinos da saudade, saudando-o nesta homenagem póstuma, explícita nesta MOÇÃO.

Dê-se ciência da presente Moção à sua esposa Marina Scaldaferri, e a seus demais parentes.

Sala das Sessões, 20 de maio de 2016.

Desembargador Baltazar Miranda Saraiva

Biografia

Sante Scaldaferri (Salvador 1928 – 15 de maio 2016 em Salvador) fez o curso de pintura na Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia. Tem uma participação atuante no desenvolvimento cultural da Bahia, começando a sua atuação no após-guerra entre os jovens que editavam a revista “MAPA”.

Participou do “Cinema Novo” com pequenas cenografias e como ator em filmes de Glauber Rocha. É considerado um dos mais importantes e representativos entre os pintores brasileiros contemporâneos.

Sua pintura alia uma arte erudita sobre raiz popular e reflete o drama e a tragédia do povo da região dos sertões nordestinos do Brasil. Sem ser um regionalista provinciano, mas unindo uma linguagem contemporânea a uma temática brasileira de religiosidade e cultura popular, consegue atingir uma leitura universal e realizando trabalhos de grande força, ao mesmo tempo em que cria com a sua linguagem um trabalho muito pessoal, criativo e inconfundível. Seu universo é fruto de um grande acúmulo de conhecimentos teóricos e de muita vivência pessoal nas fontes da região Nordeste do Brasil. Desde 1957 usa em sua pintura o ex-voto como signo-símbolo, numa transfiguração estética, dando assim uma contribuição à identidade cultural brasileira e ao mesmo tempo consegue expressar o seu próprio universo. Em sua última fase, que começa em 1980, os ex-votos assumem a condição humana para expressarem as fraquezas do caráter, os pecados, assim como suas alegrias e tristezas, amores e ódios. Numa forma mais ampla, o interesse maior de sua pintura é o homem.

Em 1977 foi editado o catálogo “A Cultura Popular na Arte de Sante Scaldaferri” e em 1988 foi editado outro catálogo contendo toda a sua obra, em comemoração aos seus trinta anos como profissional de artes plásticas.

Ambos contêm textos dos mais importantes críticos e intelectuais. Desde 1980 usa a técnica de encáustica e também usa ex-votos originais ou outros materiais acoplados à pintura. Participou e participa de Bienais, Salões, Feiras de Arte, Exposições Individuais e Coletivas no Brasil e no exterior.

Possui inúmeros prêmios e extensa bibliografia a respeito de seu trabalho. Além de pintura de cavalete em várias técnicas, faz tapeçarias, cenários, cartazes, capas de disco, catálogos para teatro, painéis e ilustrações para livros e revistas. Seus quadros constam do acervo de museus e coleções brasileiras e de diversos países. Vive em Salvador, Bahia.

Documentários sobre Sante Scaldaferri

‘Sante Scaldaferri, A Dramaturgia do Sertão’, de Walter Lima, 26 minutos, 1999. Vídeoarte sobre o pintor, ator, gravurista, cenógrafo e professor Sante Scaldaferi (1928-). Formado na Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Scaldaferri foi assistente da arquiteta Lino Bo Bardi. No cinema, trabalhou como cenógrafo em produções do Cinema Novo e como ator em filmes de Glauber Rocha.

‘Sante Scaldaferri’, de Cícero Bathomarco, 34 minutos, 2013. Na primavera de 2011, o Palacete das Artes Rodin Bahia promoveu a exposição POP/Bienais com obras do premiadíssimo artista plástico Sante Scaldaferri. O documentário que leva o nome do artista, teve como base os diversos quadros e painéis expostos na referida mostra. Sante fala do conteúdo e da forma do seu trabalho, do seu processo criativo, da descoberta de uma “escrita” própria, da sua convivência com Glauber Rocha, da sua fidelidade à temática cultural nordestina, da sua resistência na realização de trabalhos não folclóricos e nem de fácil comercialização.

Baixe

‘Moção de Pesar’ emitida pelo TJBA em memória de Sante Scaldaferri

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Sobre o autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto Oliveira da Silva (Carlos Augusto) é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF). Atua como jornalista e cientista social. Telefone: (75)98242-8000 | E-mail: diretor@jornalgrandebahia.com.br.