Paladino do não golpe, ministro José Serra rebate artigo do Financial Times sobre Mercosul

Ministro José Serra e presidente interino Michel Temer. Governo não é reconhecido internacionalmente.

Ministro José Serra e presidente interino Michel Temer. Governo não é reconhecido internacionalmente.

O ministro das Relações Exteriores, José Serra, rebateu hoje (30/05/2016) artigo publicado na última semana pelo jornal britânico Financial Times afirmando que ele “não é fã” do Mercosul, bloco econômico regional integrado por Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela.

“Ao contrário do que o artigo sugere, estou plenamente convencido da importância do Mercosul e estou pronto para trabalhar com nossos parceiros, com vistas ao seu fortalecimento”, afirmou o ministro, em carta publicada na íntegra na edição impressa do jornal desta segunda-feira.

Serra classificou como “altamente questionável” o argumento do artigo de que há uma “nova separação” na América Latina, devido aos modelos de comércio diferentes adotados pelo Mercosul e pela Aliança do Pacífico, bloco mais recente que reúne México, Chile, Peru e Colômbia.

O artigo do Financial Times compara os blocos com tom elogioso à Aliança do Pacífico. Para o jornal, o Mercosul se baseia em um “modelo mais tradicional de comércio” negociado pelo Estado. De acordo com a publicação, o bloco estaria ainda “engasgado” desde sua criação, no início dos anos 1990.

Na carta, Serra contestou essa visão, afirmando que os dois blocos “compartilham o objetivo de incrementar sua participação nos mercados globais de comércio”. “Não há divisão, somente convergência baseada em objetivos comuns”, acrescentou o ministro.

Segundo ele, ao comparar o desempenho dos dois blocos, o jornal negligencia os diferentes estágios de evolução. “O Mercosul [foi] estabelecido há 25 anos e a Aliança do Pacífico em 2011. Nada mais natural que a intensificação dos fluxos comerciais seja mais rápida nos primeiros anos de qualquer mecanismo do tipo”, destacou o ministro na carta.

José Serra disse ainda que se deve levar em conta que os dois membros com as maiores economias do Mercosul, Brasil e Argentina, foram afetados pela retração econômica. “O baixo crescimento, no curto prazo, tende a desacelerar o intercâmbio comercial”, afirmou.

Ele considerou também “risível” afirmar, em 2016, que há rivalidade entre Brasil e Argentina. “Na verdade, os dois maiores países da América do Sul construíram uma forte parceria estratégica, que está no cerne do Mercosul”, concluiu a carta.

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Redação
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