O “ministério de notáveis” corruptos | Por Altamiro Borges

Presidente interino Michel Temer realiza primeira reunião ministerial, em 13 de maio de 2016.

Presidente interino Michel Temer realiza primeira reunião ministerial, em 13 de maio de 2016.

A mídia golpista até tentou embelezar o governo do Judas Michel Temer. Difundiu que o “presidente interino” anunciaria um “ministério de notáveis” logo após a confirmação do golpe contra Dilma na infame votação do Senado. Mas bastou o vice-impostor tomar “posse” nesta quinta-feira (12/05/2016) para a primeira foto oficial estampar a composição reacionária, machista e corrupta do novo governo. Dos 23 ministros empossados – todos homens, brancos e ricos -, a maioria tem processos na Justiça. São políticos mais sujos do que pau de galinheiro. Confira a biografia – ou ficha corrida – de alguns dos “notáveis” corruptos, direitistas e oportunistas do governo golpista:

1- Eliseu Padilha (Casa Civil)

O peemedebista gaúcho faz parte do núcleo íntimo de Michel Temer. Já foi investigado por ocultação de bens, formação de quadrilha, corrupção passiva, peculato, improbidade administrativa e acusado de irregularidades quando era secretário do Trabalho do governador Antonio Brito (PMDB). Em 2014, ele voltou a ser réu no famoso “escândalo dos precatórios”, sendo acusado de causar prejuízos aos cofres públicos em acordos celebrado pelo extinto Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER). Eliseu Padilha também é alvo de ações no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e no Supremo Tribunal Federal (STF) e tem seu nome citado em processos nos Tribunais Regionais Federais da 1ª e da 4ª Região, no Rio Grande do Sul e no Distrito Federal.

2- Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo)

Outro integrante do núcleo de poder do presidente golpista, o peemedebista baiano ganhou fama no escândalo dos “anões do orçamento”, em 1993. Ele foi acusado de manipular emendas parlamentares com o objetivo de desviar dinheiro através de entidades sociais fantasmas ou de empreiteiras. Essa relação promíscua com empresários corruptos também rendeu outras graves denúncias. Mensagens apreendidas recentemente pela Polícia Federal na Operação Lava-Jato revelaram que o chefão do PMDB teria usado sua influência política para atuar em favor dos interesses da construtora OAS.

3- Henrique Eduardo Alves (Turismo)

Outro peemedebista ligado intimamente a Michel Temer, o político do Rio Grande do Norte é alvo de ação civil por improbidade administrativa e enriquecimento ilícito movida pelo Ministério Público Federal. Recentemente, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu abertura de inquérito contra a velha raposa com base nas trocas de mensagens entre o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e o dono da OAS, Léo Pinheiro. Em dezembro de 2015, a Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão no apartamento de Henrique Eduardo Alves, em Natal (RN). A ação fez parte das investigações da Lava-Jato e a ordem das buscas partiu do STF. Além disso, durante dois anos o Tribunal de Contas da União (TCU) investigou o ex-presidente da Câmara Federal por suspeitas de utilizar o seu cargo para obter contratos com órgãos públicos e empresas estatais.

4- Moreira Franco (Coordenação de Infraestrutura)

Homem de confiança do Judas, o peemedebista carioca já protagonizou vários casos escrabrosos. Em 1982, quando candidato ao governo do Rio de Janeiro, ele foi acusado de tentar fraudar as eleições no famoso “escândalo Proconsult”. Na época, o correntista suíço Eduardo Cunha já era um dos auxiliares do novo ministro.

5- Romero Jucá (Planejamento)

O senador do PMDB de Roraima possui longa ficha corrida. Da compra de votos ao desvio de verbas públicas, passando por empréstimos ilegais em bancos públicos, ele é formalmente investigado pelo STF na Operação Lava-Jato. O seu nome aparece em acordos de delação premiada de executivos da Andrade Gutierrez e da UTC, que o acusaram de receber propina e doações eleitorais para interferir em favor das empreiteiras em contratos da Eletronorte e Eletronuclear. Ele também foi mencionado na Operação Zelotes, sendo acusado pelo lobista Alexandre Paes de cobrar cerca de R$ 15 milhões para aprovar emendas de interesse do setor automotivo. Como presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Romero Jucá foi alvo de investigação do Tribunal de Contas da União (TCU), acusado de cobrar propina para permitir a exploração ilegal de madeira em terras indígenas.

6- Alexandre Moraes (Justiça)

Um dos tucanos a compor o novo governo, ele ganhou fama como secretário de Segurança Pública de Geraldo Alckmin por sua truculência contra os estudantes que ocuparam as escolas estaduais. Em entrevista, Alexandre Moraes tratou os protestos dos movimentos sociais como “atos de guerrilha”. Reportagens divulgadas em 2015 revelaram que seu nome aparecia, no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, como advogado em pelo menos 123 processos na área civil em favor da Transcooper – empresa acusada de promover lavagem de dinheiro para a quadrilha criminosa do PCC. Como advogado, Alexandre Moraes também defendeu um ex-diretor da Siemens envolvido no esquema de propinas do cartel de trens em São Paulo, o famoso “trensalão”.

7- José Serra (Relações Exteriores)

Eterno derrotado em eleições presidenciais, o senador paulista é o mais importante quadro do PSDB no governo golpista. Apesar da blindagem da mídia amiga, seu nome já despontou em vários casos de corrupção. Durante o triste reinado de FHC, ele foi o mentor do criminoso processo da privatização das estatais. O livro “A privataria tucana”, do jornalista Amaury Ribeiro Jr., traz farta documentação do desvio de recursos públicos para os paraísos fiscais. Filha, cunhado e outros parentes do grão-tucano foram beneficiados na venda do patrimônio público. José Serra também deu início as negociatas com as multinacionais do setor de transporte de São Paulo, no escândalo conhecido do “trensalão tucano”.

8- Bruno Araújo (Cidades)

O deputado federal do PSDB de Pernambuco, que ficou famoso ao dar o voto 342 no impeachment de Dilma, teve o seu nome grafado na planilha de pagamentos do “departamento de propina” da Odebrecht na Operação Lava-Jato.

9- Blairo Maggi (Agricultura)

O senador do PR do Mato Grosso, intitulado de “rei da soja”, recebeu o “prêmio motosserra de ouro” por suas práticas de desmatamento ilegal. Segundo o Greenpeace, ele é responsável por pelo menos metade da devastação ambiental brasileira entre os anos de 2003 e 2004. Já o Instituto Nacional de Reforma Agrária (Incra) indica que Blairo Maggi e sua família concentram 45.115 hectares de terra, espalhados por 29 propriedades rurais. O latifundiário também tem em seu currículo inquéritos na Justiça. Entre outros processos, ele é investigado pelo Ministério Público Federal no inquérito aberto pelo STF para apurar os indícios da prática do crime de lavagem de dinheiro.

10- Maurício Quintella Lessa (Transportes)

O deputado federal Maurício Quintella Lessa (PR-AL) responde por processos judiciais, tanto no STF quanto no TRF. No Supremo, ele é alvo de inquérito que apura peculato. Já no TRF, na Seção Judiciária de Alagoas, o parlamentar foi condenado por improbidade administrativa com dano ao erário e enriquecimento ilícito. De acordo com a sentença, o parlamentar participou de esquema para fraudar licitação para aquisição de merenda e transporte escolar em troca de propina, no período em que ocupou o cargo de secretário estadual de Educação.

11- Mendonça Filho (Educação e Cultura)

O líder do DEM está na lista da construtora Odebrecht apreendida pela Polícia Federal na 23ª fase da Lava-Jato, batizada de “Operação Acarajé”. A planilha traz nomes de políticos que foram candidatos em 2014 e receberam repasses da empreiteira. Mendonça Filho responde também por irregularidades na prestação de conta junto ao Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE), na condição de presidente estadual dos demos.

12- Osmar Terra (Desenvolvimento Social e Agrário)

O deputado gaúcho já teve que responder ao Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul por irregularidades em suas gestões na Secretaria de Saúde e na prefeitura de Santa Rosa. Além disso, ele já foi alvo de inquérito no STF por suspeita de crime de sonegação de documentos e ainda pode ser investigado pelo STF por ter o seu nome citado em mensagens apreendidas pela Polícia Federal no celular do ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, condenado a 16 anos de prisão na Lava Jato.

13- Ricardo Barros (Saúde)

O deputado paranaense é investigado no STF por indício de direcionamento em licitação pública. Ele até tentou abortar a apuração, mas o ministro Luiz Fux aprovou o pedido da Procuradoria-Geral da República contra o parlamentar. Gravações telefônicas feitas em 2011 pelo Ministério Público do Paraná, com autorização da Justiça, trazem Ricardo Barros orientando um secretário da prefeitura de Maringá (PR) a construir um “acordo” entre duas agências de comunicação que disputavam licitação de publicidade da administração municipal, no valor de R$ 7,5 milhões.

14- Sarney Filho (Meio Ambiente)

Filho do ex-presidente, ex-governador e ex-senador José Sarney, o deputado maranhense é investigado pelo Ministério Público por usar passagens áreas para voar ao exterior com a mulher e o filho. Além disso, ele foi atingido pela Lei da Ficha Limpa, mas conseguiu driblar a Justiça e se candidatar à Câmara Federal. Ele também foi condenado, pelo Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão, a pagar multa por prática de conduta vedada.

*Altamiro Borges é jornalista.

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