O Impeachment não é golpe; faz parte do golpe

O golpe é consumado quando Michel Temer é notificado a assumir, interinamente, a presidência da República.

O golpe é consumado quando Michel Temer é notificado a assumir, interinamente, a presidência da República.

Na realidade o impeachment da presidente Dilma Rousseff concluído hoje às 6:30 da manhã, dia 12 de maio de 2016, não é golpe. Faz parte de um esquema sórdido da elite branca – os coxinhas – composta por analfabetos funcionais politico e culturalmente, que não aceitou a perda do poder que foi dado à Presidente nas urnas, por mais de 54 milhões de brasileiros que, diante das atuais ocorrências, se sentem verdadeiros palhaços.

Mas na realidade, os palhaços não são estes. São aqueles que querem sucatear o patrimônio público entregando nossos bens mais preciosos ao Tio Sam; são aqueles que odeiam ver pobres e negros frequentando as universidades, fazendo pós-graduação e até doutorado no exterior, através dos programas do governo – PROUNI, Ciência sem Fronteiras, FIES, ENEM entre outros – ou até mesmo a classe mais humilde comprando carro novo e viajando de avião.

A próxima etapa do golpe será a devolução das investigações sobre Luiz Inácio Lula da Silva ao “ódio” do juiz Sérgio Moro que, com certeza, deve declarar a prisão do ex-presidente. A prisão de Lula vai facilitar para a direita golpista – apoiada pelas Organizações Globo de Comunicação dos irmãos Marinho – as eleições de 2018. O impeachment da presidente Dilma Rousseff não passa de uma etapa do golpe que começou no dia 15 de novembro de 2014, antes mesmo da posse do segundo mandato, com as propostas pró-impeachment.

Também está inserido neste arcabouço a entrega do Pré Sal e da Petrobrás para os EUA, de forma mais fácil ainda do que foi a Vale do Rio Doce, a livre negociação empregador x empregado, o que seria uma lástima para a classe trabalhadora; a entrega do Banco Central à iniciativa privada – outra lástima; o fim da participação nos BRIC`s – grupo formado por países emergentes com situação econômica semelhante, formado por Brasil, Rússia, Índia e China – e o fim dos programas sociais, como: Minha Casa Minha Vida, Bolsa Família entre outros.

Perguntas ficarão no ar: Aonde foi parar a compostura e a ética das autoridades brasileiras? Nunca as tiveram? E a falta de respeito com os mais de 54 milhões de eleitores que escolheram democraticamente Dilma Rousseff como sua representante legal? Nas próximas eleições, qual a motivação do eleitor para registrar seu voto que não sabe se vai ser respeitado? Com que cara de pau vão convocar o eleitorado à palhaçada do próximo pleito? O STF existe? Será que a era Hitler está de volta?

Sobre o autor

Alberto Peixoto
Antonio Alberto de Oliveira Peixoto, nasceu em Feira de Santana, em 3 de setembro de 1950, é Bacharel em Administração de Empresas pela UNIFACS, e funcionário público lotado na Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, atua como articulista do Jornal Grande Bahia, escrevendo semanalmente, é escritor e tem entre as obras publicadas os livros de contos: 'Estórias que Deus Duvida', 'O Enterro da Sogra, 'Único Espermatozoide', 'Dasdores a Difícil Vida Fácil', participou da coletânea 'Bahia de Todos em Contos', Vol. III, através da editora Òmnira. Também atua incentivador da cultura nordestina, sendo conselheiro da Fundação Òmnira de Assistência Cultural e Comunitária, realizando atividades em favor de comunidades carentes de Salvador, Feira de Santana e Santo Antonio de Jesus. É Membro da Academia de Letras do Recôncavo (ALER), ocupando a cadeira de número 26. Saiba mais visitando: http://www.albertopeixoto.com.br