O artista plástico Raimundo Falcão de Oliveira | Por Adilson Simas

A pintura – Crucificação, obra de Raimundo Falcão de Oliveira (Raimundo de Oliveira), produzida em 1955, com uso da técnica aquarela (pintura a óleo sobre tela) – se encontra na pinacoteca da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Feira de Santana é uma reprodução do original. A reprodução foi realizada pelo jornalista Carlos Augusto, com uso de técnicas de reprodução fotográfica digital e impressão eletrônica tipo plotagem em material canvas. O quadro original ‘Crucificação’ pertence ao acervo do empresário José da Costa Falcão. A reprodução, e foi registrada a partir da pintura original, que se encontrava na sala de estar da residência do empresário, na Mansão José da Costa Falcão, em Feira de Santana, em 17 de outubro de 2007.

A pintura – Crucificação, obra de Raimundo Falcão de Oliveira (Raimundo de Oliveira), produzida em 1955, com uso da técnica aquarela (pintura a óleo sobre tela) – se encontra na pinacoteca da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Feira de Santana é uma reprodução do original. A reprodução foi realizada pelo jornalista Carlos Augusto, com uso de técnicas de reprodução fotográfica digital e impressão eletrônica tipo plotagem em material canvas. O quadro original ‘Crucificação’ pertence ao acervo do empresário José da Costa Falcão. A reprodução, e foi registrada a partir da pintura original, que se encontrava na sala de estar da residência do empresário, na Mansão José da Costa Falcão, em Feira de Santana, em 17 de outubro de 2007.

A pintura – Crucificação, obra de Raimundo Falcão de Oliveira (Raimundo de Oliveira), produzida em 1955, com uso da técnica aquarela (pintura a óleo sobre tela) – se encontra na pinacoteca da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Feira de Santana é uma reprodução do original. A reprodução foi realizada pelo jornalista Carlos Augusto, com uso de técnicas de reprodução fotográfica digital e impressão eletrônica tipo plotagem em material canvas. O quadro original ‘Crucificação’ pertence ao acervo do empresário José da Costa Falcão. A reprodução, e foi registrada a partir da pintura original, que se encontrava na sala de estar da residência do empresário, na Mansão José da Costa Falcão, em Feira de Santana, em 17 de outubro de 2007.

A pintura – Crucificação, obra de Raimundo Falcão de Oliveira (Raimundo de Oliveira), produzida em 1955, com uso da técnica aquarela (pintura a óleo sobre tela) – se encontra na galeria de arte do Teatro da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Feira de Santana é uma reprodução do original.

Monge, obra de Raimundo Falcão de Oliveira (Raimundo de Oliveira), produzida em 1955, com uso da técnica nanquim sobre papel.

Monge, obra de Raimundo Falcão de Oliveira (Raimundo de Oliveira), produzida em 1955, com uso da técnica nanquim sobre papel.

Na edição especial, que circulou no domingo 5 de setembro de 1976, há 40 anos, comemorando o sexto aniversário, com o título “Quem é este homem chamado Raimundo Oliveira?”, o extinto jornal impresso Feira Hoje dedicou a capa do 3º caderno ao grande pintor feirense. Vale a pena ver de novo:

– Há dez anos e sete meses o mundo artístico nacional era surpreendido com a notícia do suicídio do pintor feirense Raimundo Oliveira, ocorrido no quarto de hotel, em Salvador, capital do Estado, quando a sua pintura começava a ganhar dimensões mais profundas, atingindo a crítica internacional e situando-se dentre as mais importantes do Brasil.

Raimundo Falcão de Oliveira nasceu em Feira de Santana, em 24 de abril de 1930, filho de Arsênio Oliveira e de dona Leolinda Falcão de Oliveira. Raimundo Oliveira nasceu na avenida Senhor dos Passos, fazendo seus primeiros estudos na escola da professora Margarida Brito.

Sua mãe, mais conhecida como D. Santa, é quem o introduz na pintura e no desenho, ela que também pintava e desenhava.

Raimundo, ainda na escola primária, começa a fazer os seus primeiros desenhos, histórias em quadrinhos, e ao ingressar no Ginásio Santanópolis, onde realizou a sua primeira exposição individual, passa a reproduzir o rosto dos professores tirados de fotografias.

Aos 17 anos, contra a vontade do pai, matricula-se na Escola de Belas Artes de Salvador,  e seu modelo é Presciliano Silva, fazendo amizade com Mário Cravo e Jenner Augusto.

No terceiro ano, entretanto, abandona os estudos acadêmicos e passa a pintar os temas da sua especial predileção: os bíblicos, que o acompanhariam por toda vida, cada vez mais acentuadamente, tornando-o um pintor místico.

Já nessa época, desperta a sua outra vocação, nunca satisfeita, a de se tornar sacerdote, mas de intensa influência na elaboração dos seus quadros e na temática de sua obra, pois foi, acima de tudo, um pintor bíblico, místico, voltado para os temas religiosos.

Raimundo não negava a forte influência que sobre ele tinha a personalidade da sua mãe, que antes mesmo de ensinar-lhe a ler pelas páginas da Bíblia, contava-lhe as histórias  do Antigo Testamento, mostrando-lhe as figuras de reis, de profetas, de santos, que marcariam para sempre o seu mundo, carregado de misticismo.

E este mundo da infância projetou-se pelo mundo afora, pela telas de Raimundo Oliveira que pintava cenas bíblicas, com personagens feitos à imagem do próprio artista.Alguns críticos colocam Raimundo Oliveira na área dos pintores primitivos. Mas, para outros, ele era sobretudo o pintor que sabia pintar e a ingenuidade que emanava dos seus quadros era antes de tudo uma exaltação de humildade, com que se posta ante os feitos de Deus.

Eduardo Portela, escritor feirense, crítico literário, afirmou que os “homens se encontram na rua e se desencontraram na vida”, tentando explicar o suicídio de Raimundo Oliveira, ele que, como afirma em seu artigo, publicado na Revista Tempo Brasileiro, nº 8, “crescemos juntos, parede com parede numa cidade do sertão baiano”.

Outro escritor baiano, Jorge Amado, diz que “o profeta Raimundo, grande da pintura brasileira, carregado de drama, de solidão e de pecado é, no entanto o mais alegre e terno, o mais puro e numeroso, jamais sozinho, pois sua palavra é de solidariedade e sua mensagem é o amor entre os seres humanos, é a alegria fruindo dos pincéis e do seu coração”.

Raimundo, durante sua curta vida, fez inúmeras exposições individuais e seus quadros fazem parte, hoje, dos mais importantes museus do mundo, além de figurarem em coleções particulares.

Um dos grandes nomes da pintura baiana, Juarez Paraiso, diz: “Sobretudo, Raimundo Oliveira, foi um grande estilista, um extraordinário calígrafo que, de posse das dimensões afetivas da cor, soube conferir à sua obra uma magistral poesia decorativa”.

A pintura de Raimundo tinha um colorido puro, vibrante, a temática religiosa presente em toda a sua obra, onde os personagens místicos se assemelhavam estranhamente à figuras bizantinas e, como um paradoxo, tinham muito de sua própria imagem, davam à sua obra um toque característico, marcando-a de imediato, entre as demais.

Os seus quadros eram belos, cheios de pureza, de equilíbrio, de soluções bem definidas e com uma dose extraordinária de imaginação criadora. De sua pintura, de sua eloqüente grandiosidade, transborda uma mensagem de ternura que, por menos sensibilidade que possa ter, contagia beleza.

Raimundo se sentiu só, num mundo que, para ele, era cheio de incompreensões. Os que conheceram mais de perto, afirmam que seu fim, mais dia, menos dia, seria o suicídio.

O crítico Clarival do Prado Valadares, afirma que “sua mãe, mesmo morta, era a grande presença  na personalidade de Raimundo. Educou-o religiosamente, no íntimo desejando vê-lo um dia um sacerdote. Filho único, desde muito cedo fugidio do mundo exterior, Raimundo aprendeu com ela a desenhar e a pintar. Todo o conflito de Raimundo está em torno da fixação da imagem materna. Ser sacerdote seria o anseio dela, mas, sendo artista na obra que o caracteriza, é ser a projeção, a sublimação de sua presença. Ninguém necessitaria  dizer-lhe que já era senhor de uma pintura autêntica, tendo como motivação a imagem do desejo materno e como fundamento o seguimento a fio da arte palco-cristã”.

Mas Raimundo Falcão de Oliveira, que tem quadros em Lenigrado e em Nova Iorque, em Roma e em Londres, em Paris e em Amsterdan, em Caracas e em Montevideo, em Buenos Aires e em La Paz, em São Paulo e no Rio de Janeiro, em Fortaleza e em Recife, em Salvador e em Aracaju, em Florianópolis e em Curitiba, em Maceió e em Campinas, em Porto Alegre e em Santos; Raimundo Falcão de Oliveira que tem quadros expostos Por esse Brasil afora, ainda não mereceu as homenagens da Feira de Santana.

Raimundo Oliveira que tanto amava a Feira de Santana, ao ponto de, pouco antes de morrer, quando da sua último exposição do Rio de Janeiro enviar a Feira de Santana a seguinte mensagem: “Minha querida cidade, que está sempre na minha lembrança, uma demonstração bem pequena do grande amor que sinto para convosco”, ainda não teve, dez anos depois de morto, a retribuição desse amor.

A Feira de Santana, tão pródiga em tributar homenagens imerecidas, não rendeu, ainda, as homenagens devidas  a Raimundo Oliveira.

Não há, na cidade, nada que signifique uma homenagem a Raimundo. Um busto, um marco, uma escola, uma rua, nada homenageia Raimundo, pois até a praça que dizem ter seu nome, tem outro nome, já que o seu não foi oficializado.

A Feira de Santana precisa se conscientizar do valor de Raimundo Oliveira, do que ele fez pela cidade, do muito que contribuiu para elevar o nome desta terra e procurar render-lhe homenagens, agradecer, retribuir o amor que ele lhe dedicava.

Esta cidade está em débito com a memória de Raimundo Falcão de Oliveira. É preciso fazer alguma coisa para saldar essa dívida.

O suicídio do artista plástico Raimundo de Oliveira

Na edição especial, que circulou no domingo 5 de setembro de 1976, há 40 anos, comemorando o sexto aniversário, com o título “Quem é este homem chamado Raimundo de Oliveira?”, o jornal Feira Hoje dedicou a capa do 3º caderno ao grande pintor feirense. Vale a pena ver de novo:

– Há dez anos e sete meses o mundo artístico nacional era surpreendido com a notícia do suicídio do pintor feirense Raimundo de Oliveira, ocorrido no quarto de hotel, em Salvador, capital do Estado, quando a sua pintura começava a ganhar dimensões mais profundas, atingindo a crítica internacional e situando-se dentre as mais importantes do Brasil.

Raimundo Falcão de Oliveira nasceu em Feira de Santana, em 24 de abril de 1930, filho de Arsênio Oliveira e de dona Leolinda Falcão de Oliveira. Raimundo Oliveira nasceu na avenida Senhor dos Passos, fazendo seus primeiros estudos na escola da professora Margarida Brito.

Sua mãe, mais conhecida como D. Santa, é quem o introduz na pintura e no desenho, ela que também pintava e desenhava.

Raimundo, ainda na escola primária, começa a fazer os seus primeiros desenhos, histórias em quadrinhos, e ao ingressar no Ginásio Santanópolis, onde realizou a sua primeira exposição individual, passa a reproduzir o rosto dos professores tirados de fotografias.

Aos 17 anos, contra a vontade do pai, matricula-se na Escola de Belas Artes de Salvador,  e seu modelo é Presciliano Silva, fazendo amizade com Mário Cravo e Jenner Augusto.

No terceiro ano, entretanto, abandona os estudos acadêmicos e passa a pintar os temas da sua especial predileção: os bíblicos, que o acompanhariam por toda vida, cada vez mais acentuadamente, tornando-o um pintor místico.

Já nessa época, desperta a sua outra vocação, nunca satisfeita, a de se tornar sacerdote, mas de intensa influência na elaboração dos seus quadros e na temática de sua obra, pois foi, acima de tudo, um pintor bíblico, místico, voltado para os temas religiosos.

Raimundo não negava a forte influência que sobre ele tinha a personalidade da sua mãe, que antes mesmo de ensinar-lhe a ler pelas  páginas da Bíblia, contava-lhe as histórias  do Antigo Testamento, mostrando-lhe as figuras de reis, de profetas, de santos, que marcariam para sempre o seu mundo, carregado de misticismo.

E este mundo da infância projetou-se pelo mundo afora, pela telas de Raimundo Oliveira que pintava cenas bíblicas, com personagens feitos à imagem do próprio artista.

Alguns críticos colocam Raimundo Oliveira na área dos pintores primitivos. Mas, para outros, ele era sobretudo o pintor que sabia pintar e a ingenuidade que emanava dos seus quadros era antes de tudo uma exaltação de humildade, com que se posta ante os feitos de Deus.

Eduardo Portela, escritor feirense, crítico literário, afirmou que os “homens se encontram na rua e se desencontraram na vida”, tentando explicar o suicídio de Raimundo Oliveira, ele que, como afirma em seu artigo, publicado na Revista Tempo Brasileiro, nº 8, “crescemos juntos, parede com parede numa cidade do sertão baiano”.

Outro escritor baiano, Jorge Amado, diz que “o profeta Raimundo, grande da pintura brasileira, carregado de drama, de solidão e de pecado é, no entanto o mais alegre e terno, o mais puro e numeroso, jamais sozinho, pois sua palavra é de solidariedade e sua mensagem é o amor entre os seres humanos, é a alegria fruindo dos pincéis e do seu coração”.

Raimundo, durante sua curta vida, fez inúmeras exposições individuais e seus quadros fazem parte, hoje, dos mais importantes museus do mundo, além de figurarem em coleções particulares.

Um dos grandes nomes da pintura baiana, Juarez Paraiso, diz: “Sobretudo, Raimundo Oliveira, foi um grande estilista, um extraordinário calígrafo que, de posse das dimensões afetivas da cor, soube conferir à sua obra uma magistral poesia decorativa”.

A pintura de Raimundo tinha um colorido puro, vibrante, a temática religiosa presente em toda a sua obra, onde os personagens místicos se assemelhavam estranhamente à figuras bizantinas e, como um paradoxo, tinham muito de sua própria imagem, davam à sua obra um toque característico, marcando-a de imediato, entre as demais.

Os seus quadros eram belos, cheios de pureza, de equilíbrio, de soluções bem definidas e com uma dose extraordinária de imaginação criadora. De sua pintura, de sua eloqüente grandiosidade, transborda uma mensagem de ternura que, por menos sensibilidade que possa ter, contagia beleza.

Raimundo se sentiu só, num mundo que, para ele, era cheio de incompreensões. Os que conheceram mais de perto, afirmam que seu fim, mais dia, menos dia, seria o suicídio.

O crítico Clarival do Prado Valadares, afirma que “sua mãe, mesmo morta, era a grande presença  na personalidade de Raimundo. Educou-o religiosamente, no íntimo desejando vê-lo um dia um sacerdote. Filho único, desde muito cedo fugidio do mundo exterior, Raimundo aprendeu com ela a desenhar e a pintar. Todo o conflito de Raimundo está em torno da fixação da imagem materna. Ser sacerdote seria o anseio dela, mas, sendo artista na obra que o caracteriza, é ser a projeção, a sublimação de sua presença. Ninguém necessitaria  dizer-lhe que já era senhor de uma pintura autêntica, tendo como motivação a imagem do desejo materno e como fundamento o seguimento a fio da arte palco-cristã”.

Mas Raimundo Falcão de Oliveira, que tem quadros em Lenigrado e em Nova Iorque, em Roma e em Londres, em Paris e em Amsterdan, em Caracas e em Montevideo, em Buenos Aires e em La Paz, em São Paulo e no Rio de Janeiro, em Fortaleza e em Recife, em Salvador e em Aracaju, em Florianópolis e em Curitiba, em Maceió e em Campinas, em Porto Alegre e em Santos; Raimundo Falcão de Oliveira que tem quadros expostos Por esse Brasil afora, ainda não mereceu as homenagens da Feira de Santana.

Raimundo Oliveira que tanto amava a Feira de Santana, ao ponto de, pouco antes de morrer, quando da sua último exposição do Rio de Janeiro enviar a Feira de Santana a seguinte mensagem: “Minha querida cidade, que está sempre na minha lembrança, uma demonstração bem pequena do grande amor que sinto para convosco”, ainda não teve, dez anos depois de morto, a retribuição desse amor.

A Feira de Santana, tão pródiga em tributar homenagens imerecidas, não rendeu, ainda, as homenagens devidas a Raimundo Oliveira.

Não há, na cidade, nada que signifique uma homenagem a Raimundo. Um busto, um marco, uma escola, uma rua, nada homenageia Raimundo, pois até a praça que dizem ter seu nome, tem outro nome, já que o seu não foi oficializado.

A Feira de Santana precisa se conscientizar do valor de Raimundo Oliveira, do que ele fez pela cidade, do muito que contribuiu para elevar o nome desta terra e procurar render-lhe homenagens, agradecer, retribuir o amor que ele lhe dedicava.

Esta cidade está em débito com a memória de Raimundo Falcão de Oliveira. É preciso fazer alguma coisa para saldar essa dívida.

*Adilson Simas é jornalista.

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