Mãos Divinas | Por Baltazar Miranda Saraiva

Benjamin Solomon Carson (Ben Carson) é um médico neurocirurgião pediátrico, psicólogo, escritor, professor e filantropo estadunidense.

Benjamin Solomon Carson (Ben Carson) é um médico neurocirurgião pediátrico, psicólogo, escritor, professor e filantropo estadunidense.

Alguns anos atrás, o mundo tomou conhecimento da história de Benjamin Solomon Carson, famoso cirurgião americano que entrou para a história quando, em 1987, conseguiu separar gêmeos siameses unidos pela cabeça. Ben Carson, como era chamado pelos íntimos, levou cinco meses planejando a cirurgia, cuja execução durou 22 horas e envolveu uma equipe de mais de 50 médicos. Imortalizado no filme Gifted Hands (Mãos Talentosas), deu ao mundo o exemplo do menino pobre que se tornou neurocirurgião de fama mundial.

Esse gênio, que sob todos os aspectos honra a raça negra, a exemplo do extraordinário Martin Luther King Jr., atualmente dirige o Departamento de Neurocirurgia Pediátrica do Hospital Jonhs Hopkins, nos Estados Unidos, e foi premiado com a maior honraria civil daquele país, a Medalha Presidencial da Liberdade, em 2008, pelo então presidente George W. Bush.

No Brasil, outras mãos se tornaram, além de talentosas, divinas. A massoterapeuta Felícia Ayres dos Prados, uma índia da Selva Amazônica, há 40 anos vem unido a sabedoria indígena à técnicas da terapia corporal pelo toque das mãos sobre a pele dos pacientes.

Mãos de fadas, mãos santas, mãos divinas. Todas essas expressões ensejam inúmeros significados, mas nem por isso deixam de representar os talentos de Felícia Ayres, que começou a fazer seus milagres aos dez anos de idade. Neta de índia, aprendeu a curar com a sua avó Raimunda Ayres, a curandeira do Rio Manicoré, onde fica o Seringal Independência, dentro da Selva Amazônica.

Em suas mensagens, ela lembra que, na época, não existia médico para atender a população e sua avó tratava as pessoas com massagens, amor e sabedoria. Os médicos só apareciam uma vez por ano, na época da febre amarela. Esses médicos, lembra, encaminhavam os pacientes sem lesão para a sua avó tratar. De tão santa -e também divina-, essa índia ficou na terra por 125 anos, sempre curando, fazendo o bem.

Depois que sua avó morreu, Felícia foi morar em Manaus, onde iniciou os estudos de várias técnicas de terapia corporal. Nessa época tinha 18 anos. Hoje, aos 72 anos, explica que sua técnica é um conjunto de antigas técnicas como a reflexologia podal, a acupuntura digital, a linfática e a estética. Confessa que não sabe fazer outra coisa senão ajudar as pessoas através do poder de cura de suas mãos.

Na lista dos que já se trataram com ela estão empresários, políticos, artistas, magistrados e anônimos, inclusive estrangeiros, que fazem questão de registrar em seu diário mensagem de afeto e gratidão. Realmente, nem a magia explica a magia das mãos dessa índia que saiu da selva amazônica para vir salvar almas na cidade grande.

Essa “psicóloga da alma”, antes de começar atender as pessoas, tem o seu ritual de trabalho, que é a sintonia com Deus, pois, segundo ela, “o corpo é sagrado, para que eu possa tocar, tenho de pedir permissão ao meu Deus e ao deus da pessoa que vai receber a massagem”.

Sua vinda para Salvador deu-se quando ela viu numa revista a fotografia de nossa capital. Ficou encantada. Um dia convenceu o marido a vir morar na Bahia. Hoje mora no Parque São Cristóvão, não possui carro e visita todos os seus pacientes de ônibus.

É um mistério o que Felícia Ayres faz com as mãos. E para provar que as mãos curam, uma revista especializada no assunto entrevistou uma paciente de Felícia que havia sofrido um acidente numa academia de ginástica e ficou seriamente danificada em algumas partes do seu corpo. Vários ortopedistas não conseguiram resolver o seu problema. Depois que Felícia Ayres colocou suas mãos sobre essa pessoa, ela chorou; não de dor, mas de alegria. Estava curada.

Felícia saiu da selva amazônica para realizar seus sonhos de curar as pessoas. E como o mundo está nas mãos daqueles que tem a coragem de viver os seus sonhos, essa fantástica índia pode dizer, como Martin Luther King, que tudo o que guardou nas mãos de Deus, ainda possui. Essa é a razão por que suas mãos são divinas.

*Baltazar Miranda Saraiva é desembargador do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA).

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