“Jogo de intrigas cada vez mais maluco”, afirma imprensa europeia sobre processo de impeachment da presidente Rousseff

The Guardian aborda processo de impeachment de Rousseff. Jornais e sites de notícias da Europa dão destaque às reviravoltas no processo de impeachment de Dilma Rousseff. Para o "Guardian", nem os roteiristas de "House of Cards" iriam tão longe.

The Guardian aborda processo de impeachment de Rousseff. Jornais e sites de notícias da Europa dão destaque às reviravoltas no processo de impeachment de Dilma Rousseff. Para o “Guardian”, nem os roteiristas de “House of Cards” iriam tão longe.

A anulação da votação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados foi um dos temas da imprensa europeia nesta segunda-feira (09/05/2016), ganhando destaque o fato de a decisão “ter sido uma surpresa para todos”, como afirma o diário francês Le Monde.

“Surpreendente reviravolta para a chefe de Estado Dilma Rousseff na luta pelo poder”, afirma o site alemão Tagesschau sobre o recente episódio. “O movimento surpreendente gera uma reviravolta absurda no drama político em curso no país que acabaria com a credibilidade de um roteiro de House of Cards”, diz, por sua vez, o jornal britânico The Guardian.

Já o site Spiegel Online escreve que “Dilma tem bons motivos para sorrir, mas seus adversários não desistem, e o jogo de intrigas fica cada vez mais maluco”.

Nesta segunda-feira, o presidente interino da Câmara, deputado Waldir Maranhão, decidiu cancelar as sessões do dias 15, 16 e 17 de abril, quando os deputados federais aprovaram a continuidade do processo de impeachment. A decisão foi “um gesto de surpresa”, afirmam tanto o italiano Corriere della Sera como o Guardian.

Para o britânico, ao decretar a anulação, Maranhão “jogou uma corda de salvação para Rousseff”, mas a decisão foi recebida com cautela até mesmo pela presidente.

Maranhão, ao acatar um pedido da Advocacia-Geral da União (AGU), determinou a realização de uma nova sessão para analisar o processo de impedimento na casa e solicitou ao presidente do Senado, Renan Calheiros, a devolução dos autos.

Os senadores, porém, têm sessão marcada para esta quarta-feira para a votação da denúncia, que, se for de fato realizada, pode levar ao afastamento de Dilma por 180 dias. O Corriere della Sera destaca que a anulação da votação na Câmara ocorre “às vésperas da partida programada” da presidente.

“O cumprimento do calendário [do impeachment] é agora uma incógnita”, observa o espanhol El País, dizendo ainda que “Rousseff e seus aliados já têm como certo que uma maioria simples do Senado apoiaria sua saída da presidência”. “Poucos – mesmo dentro do PT – acreditam que ela poderá vencer”, afirma o Guardian.

Depois de o presidente do Senado ter afirmado, nesta segunda-feira, que rejeitaria a decisão de Maranhão e seguiria com a análise do processo no Senado, o El País publicou que “o impeachment de Dilma Rousseff tem provocado uma guerra entre instituições brasileiras”, uma vez que se espera, “mais uma vez, que o Supremo Tribunal Federal interfira no destino político do país”.

A imprensa europeia também destaca que tanto Cunha – descrito pelo Tagesschau como o “temível adversário de Dilma” – quanto Maranhão são investigados por corrupção, “assim como muitos políticos brasileiros”, diz o The Guardian.

“Maranhão assumiu a presidência da Câmara após o afastamento de Eduardo Cunha, acusado de obstruir investigações do escândalo de corrupção na Petrobras. O presidente interino, ele próprio, é suspeito de corrupção no esquema da estatal”, escreve o Le Monde.

O diário francês também observa que o vice-presidente, Michel Temer, “ex-aliado da presidente e que agora se tornou seu rival, já está se preparando para assumir a presidência interina e anunciar a formação de um novo governo” – é Temer quem assume o governo caso Dilma seja afastada por 180 dias após votação no Senado.

O italiano Corriere della Sera também destaca que o vice “já está trabalhando na formação de um novo governo”. Segundo o diário, “a anulação desta segunda-feira poderá atrasar esse processo, mas dificilmente salvará o mandato de Dilma Rousseff”.

*Com informações do DW.

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