Inflação nunca saiu de controle depois do plano de metas, diz presidente do Banco Central

Alexandre Tombini: “No cenário internacional, penso que podemos concluir que o regime de metas hoje encontra amplo apoio nas mais diferentes jurisdições".

Alexandre Tombini: “No cenário internacional, penso que podemos concluir que o regime de metas hoje encontra amplo apoio nas mais diferentes jurisdições”.

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, disse hoje (20/05/2016) que desde a implementação do regime de metas que vem sendo adotado pelo governo federal, a inflação sempre esteve sob controle, mesmo tendo, em alguns momentos, ultrapassado o limite superior da banda, de 6,5%.

As declarações do presidente do Banco Central, que deixará o cargo em breve, foram dadas durante a solenidade de abertura do 18º Seminário Anual de Metas para a Inflação, que ocorre hoje na sede da instituição, no Centro do Rio.

Em seu discurso, provavelmente um dos últimos antes de ser ser substituído por Ilan Goldfajn, já indicado pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles para a instituição, Tombini lembrou que o regime de metas está “perto de completar 17 anos” e que “certamente deixará importantes contribuições para a contínua evolução do regime de metas para a inflação brasileira”.

“Pessoalmente, tenho a dupla satisfação de ter participado do seu desenvolvimento desde o início e, também, de constatar o reconhecimento de sua importância pela sociedade brasileira”. Na avaliação do presidente do Banco Central, a robustez do regime foi “testada e aprovada” em vários ciclos monetários nos últimos anos, sob os mais diferentes cenários econômicos e sob a influência de fatores não econômicos que, por vezes, se mostraram bastante severos.

“No cenário internacional, penso que podemos concluir que o regime de metas hoje encontra amplo apoio nas mais diferentes jurisdições. No Brasil, em uma análise retrospectiva, considero que o regime de metas, adotado pelo país como um dos pilares do tripé macroeconômico que sustentou a estabilização e o crescimento, também superou críticas e vem prestando um bom serviço à nação”, disse.

Tombini avaliou que o sistema, seja no ciclo imediatamente posterior à sua adoção, quando o país enfrentou um período conturbado pós-adoção do regime de câmbio flutuante, na esteira de uma crise de balanço de pagamentos, seja em ciclos de crescimento econômico ou, ainda, em fases desafiadoras, “a manutenção dos princípios do regime permitiu que a inflação fosse mantida sob controle”.

Ele encerrou seu pronunciamento reafirmando suas convicções sobre o sucesso do regime, ainda que, em algumas aferições anuais, a inflação tenha ultrapassado o limite superior do intervalo de tolerância definido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), “situação prevista e administrável no âmbito do próprio regime de metas”. Segundo Tombini, a inflação em si jamais fugiu ao controle do Banco Central nesses dezessete anos do regime de metas.”

Ao elogiar hoje a formação da equipe econômica do presidente interino, Michel Temer, liderada pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, o ex-diretor do Banco Central Mário Mesquita (sócio Banco Brasil Plural) previu que a inflação brasileira deverá fechar este ano em torno de 7%, caindo para algo mais próximo do centro da meta estipulado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) já no ano que vem.

“Eu acredito que a recessão tem efeito desinflacionário [a retração vivida pela economia brasileira há vários meses], o que ficará mais evidente nos semestres à frente. Como no caso brasileiro a inflação inicial era muito alta, a resposta é mais demorada, mas vai acabar funcionando. A gente acredita que a inflação deva fechar o ano em torno dos 7%, devendo ficar próxima de 5%, 5,5% no próximo ano. Mas ainda estamos revendo os nossos números.”

Mesmo elogiando a nova equipe econômica, Mesquita ressaltou o fato de que apesar da sua “excelência” terá que haver entendimento com e Congresso Nacional para que as iniciativas e medidas pretendidas tenham êxito no âmbito fiscal.

“As dúvidas do mercado, hoje em dia, se referem muito mais ao apoio político que o governo e o Congresso vão dar à equipe econômica do que às decisões que essa equipe vai tomar. “A crise atual requer sacrifícios de todos e a gente vive um momento em que serão necessários sacrifícios. E a classe política deve estar ciente disso”.

Para o economista, a equipe econômica precisa preparar e conscientizar a sociedade para essas medidas e demonstrar a sua necessidade. Lembrado sobre as proximidades das eleições municipais de outubro, ele foi enfático.

“Se a classe política não quiser enfrentar momentos de impopularidade, mesmo que temporária, e não se empenhar em promover as reformas, o país vai caminhar para uma crise muito mais grave, uma vez que a dívida brasileira é insustentável. E aí a impopularidade também virá, e de forma bastante severa”, alertou.

Ao ser indagado sobre a possibilidade da volta, mesmo que temporária, do Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira (CPMF), Mesquita admitiu que, em um primeiro momento, talvez seja mesmo necessário que o governo aumente impostos, No entanto, Mesquita considera que uma alta temporária de imposto talvez seja necessária, “se o governo não quiser estabilizar a dívida pública em nível mais elevado, em relação ao Produto Interno Bruto [PIB], mas ressaltou que este aumento terá que vir acompanhado de uma política concreta de corte de gastos.

“E neste ponto a equipe comanda pelo ministro Meirelles tem a exata noção de que o ajuste fiscal deverá ser feito com foco no corte dos gastos públicos e numa reforma da Previdência Social, visto que a carga tributária já é bastante elevada.”

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