Impeachment é manobra de inconformados com resultado das urnas, diz ex-presidente da OAB

O ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Marcello Lavenère disse que a presidente Dilma Rousseff não praticou crime de responsabilidade que justifique impedimento.

O ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Marcello Lavenère disse que a presidente Dilma Rousseff não praticou crime de responsabilidade que justifique impedimento.

O ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Marcello Lavenère disse que a presidente Dilma Rousseff não praticou crime de responsabilidade que justifique impedimento. Ele foi um dos autores do pedido de impeachment contra o então presidente e atual senador Fernando Collor (PTC-AL).

Em depoimento na Comissão Especial do Impeachment a convite de aliados do governo, ele disse estar em curso no país “uma manobra urdida pelo inconformismo” com o resultado das eleições de 2014. Segundo Lavenère, a vítima estava escolhida e só faltava um motivo para justificar o processo.

— No caso de Collor, tinha crime praticado pelo presidente, com suas próprias mãos e falta de ética. E agora não existe isso. Não havendo crime, quem por acaso aderir a essa posição faz o mesmo que um médico que prescreve uma quimioterapia pesada para quem se apresenta com um simples corte na mão. A quimioterapia tem efeitos colaterais terríveis, e nenhum médico a recomendaria se o paciente não padecesse de um grave mal — argumentou.

Marcello Lavenère lembrou ainda que, na época, não apareceu nenhum jurista para defender Collor, diferentemente do que ocorre hoje com Dilma. Além disso, observou, nenhuma entidade, com exceção da OAB, tem mostrado apoio ao impedimento.

— E tenho certeza de que, logo logo, a OAB vai perceber o erro e vai mudar — afirmou.

Mídia golpista

O advogado lembrou que durante o impeachment de Collor o país estava unido. Direita, esquerda, maçonaria, estudantes, cientistas, juristas e trabalhadores apoiavam a destituição do presidente, disse ele. Hoje, ao contrário, acrescentou, o Brasil está rachado, com famílias e amigos se dividindo graças a uma “campanha ardilosa feita por uma mídia oligopolizada”:

— Essa imprensa golpista inoculou na população um sentimento de raiva e intolerância — alegou.

O ex-presidente da OAB disse não acreditar que algum defensor do impeachment crê realmente que haverá o fim da corrupção e que os problemas do país serão solucionados após esse processo. Ele pediu cautela:

— Qual será nosso futuro no day after? Se houver impeachment, quem fica com o pré-sal? Como vai ser a Previdência? Quem acredita que a CLT vai continuar defendendo os trabalhadores? Esse pedido tem o cofre e o cérebro fora do país. O cofre não está na Fiesp. Está fora. O cérebro não está nos advogados que apresentaram a denuncia. Está fora — alertou.

*Com informações da Agência Senado.

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