Food Trust: mudanças nas leis americanas vão afetar produção de alimentos em todo o mundo

Mudanças nas leis americanas vão afetar produção de alimentos em todo o mundo.

Mudanças nas leis americanas vão afetar produção de alimentos em todo o mundo.

A indústria global de alimentos nunca enfrentou tantos desafios. Com cadeias de abastecimento cada vez mais complexas, noções básicas de comércio e fornecimento de produtos estão sendo testadas.  Os recentes casos de falhas na segurança dos alimentos, repercutidos em escala mundial, elevou a preocupação dos consumidores e criaram riscos de confiança alimentar. Além disso, fatores como a centralização da produção e da distribuição de alimentos e o rápido crescimento das importações provenientes de países com normas de segurança mais fracas, contribuíram para tornar a cadeia de abastecimento mais vulnerável, especialmente nos EUA e em países com economia desenvolvida.

O efeito proveniente disso foi um endurecimento na regulamentação em países importadores. A Lei de Modernização da Segurança dos Alimentos dos EUA, por exemplo, começou a vigorar em 2015 e afeta a cadeia de produção de alimentos em nível global.  De acordo com a Lei, que dá novas competências à agência Food and Drugs Administration (FDA), os importadores passam a serem os responsáveis por garantir que os fornecedores estrangeiros cumpram a regulamentação.

Como a FDA estima que cerca de 15% de todos os alimentos consumidos nos EUA são importados – inclusive 60% das frutas e dos legumes frescos –, as consequências terão amplo alcance, em uma espécie de efeito cascata. Resumidamente, serão afetados os agricultores e produtores, as indústrias de alimentos, os distribuidores, os varejistas e restaurantes, e, finalmente, os exportadores.

A 18ª Pesquisa Anual Global da PwC, realizada com CEOS de empresas de todo o mundo, revelou que 78% dos líderes executivos estão preocupados com os impactos negativos provenientes das novas regras e a ameaça que isso pode representar para as perspectivas de negócios. No entanto, a mudança regulatória atual pode ser uma oportunidade de reavaliar e fortalecer a segurança dos alimentos e a resiliência da cadeia de abastecimento.

Embora a legislação estabeleça apenas normas mínimas, os consumidores esperam que sua comida seja segura e que tenha alta qualidade, expectativa que só tende a aumentar, uma vez que o conhecimento dos consumidores sobre a segurança também aumente. Mesmo tendo em vista que as empresas levam a qualidade muito à sério, a natureza das cadeias de abastecimento atuais exige uma abordagem mais estratégica. Denominada pela PwC de Food Trust, essa abordagem objetiva cumprir a promessa da marca, proteger a reputação, melhorar a eficiência, reduzir custos, limitar problemas e permitir uma resposta mais eficaz às crises.

Consequências

Como a nova regulamentação posterga mais poderes de fiscalização à FDA, é importante que se entenda quais serão os principais impactos para as empresas de bem de consumo e varejo. De acordo com pesquisa global da PwC, as principais mudanças devem ocorrer na supervisão de importações, já que os importadores serão responsáveis por assegurar que os fornecedores estrangeiros tenham controles preventivos; no recall de produtos, visto que os avisos de recall podem aumentar; e na defesa alimentar. Além disso, a pesquisa também aponta que a FDA deve aumentar as inspeções nas fábricas, elevar a proteção aos funcionários das empresas que queiram fazer denúncias e aumentar o investimento em rastreabilidade e qualificação de pessoal.

Como o consumidor vai confiar na minha marca?

Ainda de acordo com a pesquisa da PwC, empresas-líderes adotam uma abordagem que inclui a análise rigorosa  não só das limitações e dos riscos de oferta, mas também das áreas nas quais possam surgir problemas de confiabilidade na cadeia alimentar. Isso confere maior integridade, qualidade, rastreabilidade e transparência para toda a cadeia de abastecimento, dando aos clientes mais confiança na sua alimentação.

As experiências e pesquisas realizadas revelam que as estratégias mais utilizadas pelas empresas-líderes para melhorar a confiabilidade na cadeia alimentar e proteger as marcas são:

– Estabelecer uma cultura positiva de segurança e qualidade, desde o campo até o chão da fábrica, adotando práticas inovadoras, que incluem o treinamento e a conscientização da equipe e analisando os principais indicadores para identificar e gerenciar riscos;

– Assegurar uma cultura de negócios resilientes a riscos e comportamentos adequados no topo da organização, com os líderes de negócios envolvendo-se plenamente com os problemas de confiabilidade e participando de associações setoriais;

– Revisar regularmente os riscos da cadeia de abastecimento e promover benchmarking em relação às melhores práticas. O comportamento proativo na gestão de riscos de fornecedores reduz os custos de conformidade e recall de produtos, bem como oferece maior confiabilidade aos consumidores;

– Adotar uma abordagem centrada no risco, garantindo que seus recursos estejam focados em combater as principais ameaças. Além disso, realizar essa abordagem de forma transparente, com procedimentos sólidos de recall de produtos;

– Investir em soluções baseadas em tecnologia para aperfeiçoar padrões, gerenciar riscos e fornecer mais informações sobre os produtos alimentares;

– Integrar totalmente as cadeias de abastecimento alimentar às organizações, visando implementar a segurança, a rastreabilidade e ter uma visão geral da segurança do fornecimento;

– Gerencia o risco transacional, estendendo essa prática para os sistemas e processos e aos locais de produção, bem como à cultura, à governança, ao risco do fornecedor e à infraestrutura secundária de suporte.

Por onde posso começar?

A Pwc ainda aponta caminhos, a partir da nova regulamentação, para as empresas de alimentos que têm a intenção de serem líderes de mercado:

– Adapte-se à FSMA avaliando e melhorando os processos existentes. Encare os processos do ponto de vista das possibilidades de recall (por exemplo, a administração sabe quais são os primeiros passos no caso de um recall?).

– Adote uma visão preventiva baseada em riscos para a sua estratégia de segurança dos alimentos, com foco em gestão da qualidade, integridade do produto, defesa alimentar e rastreabilidade.

– Verifique, como um fornecedor ou exportador para os Estados Unidos, se você está em condições de comprovar o compliance com a FDA.

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