Festival em Araci movimentou Centro Cultural com shows, teatro, literatura e fotografia

Festival em Araci movimentou Centro Cultural.

Festival em Araci movimentou Centro Cultural.

Uma apresentação do espetáculo “Rebentos”, do Bando de Teatro Sem Nome, de Salvador, encerrou em grande estilo a segunda edição do Festival O Sertão vai virar Arte, que reuniu diversas atrações no Centro Cultural de Araci (CCA) no fim de semana (dias 7 e 8/5/2016). Cerca de 200 pessoas se concentraram na parte externa do Centro para ver a peça que trata de comportamento e liberdade, tendo o corpo como canal de expressão. Mas o festival movimentou o público, desde o sábado, em torno de shows de samba com Juliana Ribeiro, a banda Sertanília e o rock do araciense Sergio Magno, oficinas e outras expressões artísticas, como a intervenção de arte urbana com o grafite de Julio Firmo, feito durante as apresentações na fachada principal do prédio do Centro Cultural.

A diversidade esteve presente também nas 32 fotos reunidas em exposição com fotógrafos da cidade, lançada no domingo, com imagens de texturas, personagens, cenários e flagrantes, principalmente do município, localizado na região sisaleira da Bahia. A poeta Clarissa Macedo, ganhadora do prêmio Nacional de Poesia da Academia de Letras da Bahia em 2013, lançou no evento o seu livro “Na pata do cavalo há sete abismos”, com 50 poemas que falam de força, doçura e sensualidade, como o próprio animal simboliza. Clarissa aproveitou a passagem no festival para ministrar uma oficina sobre escrita criativa para jovens e adultos. “A principal dificuldade deles é o pouco nível de leitura, e isso foi incentivado nas aulas. Nós fizemos um trabalho de produção coletiva, com os participantes colaborando entre eles, vendo e escrevendo poemas, contos e minicontos”, detalhou.

Outros moradores da cidade e visitantes participaram da oficina de turbantes com Adão Santos, e de Teatro, com a atriz araciense Josy Miranda, integrante do Bando de Teatro Sem Nome. Adão deu aula para cerca de quinze garotas adolescentes. Ele contou que aprendeu sozinho a fazer esse tipo de trabalho, e que já o ensinou em outras cidades da Bahia, sempre baseado no resgate da estética africana. “Ter turma com moças e rapazes é melhor para desmistificar a ideia de turbante como coisa de mulher, mas toda experiência é sempre interessante, para reforçar a atitude que essa estética representa”, acrescentou. O festival contou ainda com a apresentação do violonista araciense Emerson Moura e sua banda formada por sua irmã Raquel Moura e seu pai Everaldo Araújo.

 Antes de sua apresentação, a sambista Juliana Ribeiro elogiou a mobilização na cidade, considerando como símbolo de empoderamento da juventude a realização das oficinas. “Meu show tem a proposta de discutir questões de identidade e de gênero, de uma maneira leve e com ironia, mas de forma contundente, e eu trouxe músicas que tratam especialmente destes temas, e vejo que o interior está ligado com esse debate. O sertão está antenado com o restante do mundo, na velocidade da informação”, declarou.

A primeira edição do projeto O Sertão Vai Virar Arte ocorreu no começo de abril e contou com apresentações da banda Scambo, da Orquestra Santo Antônio, Val Macambira, banda Monocromático e da Cia de Teatro Noite de Reis, da cidade de Monte Santo, entre outras atrações. O evento tem apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia e Fundo de Cultura, através do Edital Agitação Cultural e conta ainda com parceria da Secretaria de Cultura, juventude e Turismo de Araci e do Centro Cultural. A terceira e última fase acontecerá nos dias 4 e 5 de junho e a programação já está sendo fechada, no mesmo formato de shows, teatro, oficinas e lançamento de livro, com a novidade da exibição de filme. A banda de pífanos que se apresentaria na 2ª edição, e por um contra tempo não conseguiu chegar ao local do evento, se apresentará na próxima edição, no dia 04.

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