Exclusiva: prefeito Antônio Dessa Cardozo comenta sobre conflito territorial entre São Gonçalo e Feira de Santana, crise na segurança pública e situação do Colégio Polivalente

Antônio Dessa Cardozo (Furão): No último ano de 2015, o número de homicídios cresceu 420%. A gente não viu, ao longo desse governo, o Estado tomar uma inciativa para mudar isso.

Antônio Dessa Cardozo (Furão): No último ano de 2015, o número de homicídios cresceu 420%. A gente não viu, ao longo desse governo, o Estado tomar uma inciativa para mudar isso.

Antônio Dessa Cardozo (Furão): Lamentavelmente, o Colégio Estadual Polivalente está em petição de miséria.

Antônio Dessa Cardozo (Furão): Lamentavelmente, o Colégio Estadual Polivalente está em petição de miséria.

O prefeito de São Gonçalo dos Campos, Antônio Dessa Cardozo (Furão), durante entrevista exclusiva ao Jornal Grande Bahia, abordou conflito territorial existe entre os municípios de São Gonçalo e Feira de Santana; lamentou o fato de vândalos estarem destruindo o patrimônio do município, concerte ao setor da educação; revelou que o setor de segurança pública do Estado não desenvolveu uma única ação com a finalidade de investigar a autoria dos crimes; e comentou sobre o lamentável estado de manutenção do Colégio Estadual Polivalente.

Confira a entrevista

Jornal Grande Bahia – Sobre o conflito territorial que ocorre entre o município de Feira de Santana e São Gonçalo, como avalia esse processo?

Antônio Dessa Cardozo – É um processo que tem gerado muito desgaste, não só para os políticos que representam as cidades, como, principalmente, para os moradores dessas localidades em discussão.

Por que é um prejuízo para os moradores? Porque tanto o prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo, como o prefeito de São Gonçalo ficam impossibilitado, diante desta dúvida, de quem pertence de fato a área, e com isso realizar os serviços.

Por exemplo, no final de 2015 a prefeitura de São Gonçalo iniciou a pavimentação do loteamento do Jardim Aliança. No início desse ano, quando reacendeu essa discussão, nós suspendemos a pavimentação do Jardim Aliança. A obra está 65% pronta. A decisão de suspender permanece até decidir a quem pertence a localidade.

Tem muita gente culpando o prefeito José Ronaldo por não ter chegado a um acordo, vou esclarecer. Se Furão não chegou em um acordo com José Ronaldo? Se José Ronaldo não chegou um acordo com Furão? Foi porque os dois não quiseram abrir mão de territórios que pertencem aos seus respectivos municípios. Até mesmo porque, se José Ronaldo abri mão de alguma coisa de Feira de Santana, e se Furão abri mão de alguma coisa de São Gonçalo, nós estamos passivos a uma representação contra a gente do ministério público, então nós temos responsabilidade com os nossos municípios, mas também temos responsabilidades com as nossas vidas.

Agora o que é que a lei diz? A constituição estadual diz que caso os municípios envolvidos não cheguem a um acordo, cabe ao Governo do Estado em conjunto com o IBGE fazer um parecer.  Há cerca de três anos foi feito parece e enviado para Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA). A Assembleia é quem tem a competência de decidir sobre o conflito estabelecido. Esse parecer está na mão da Assembleia há quase três anos. Se existe alguma omissão é da Assembleia.

JGB – Durante a entrevista coletiva, o senhor revelou a ocorrência de atos de vandalismo e furto praticado contra unidades de educação do município. Qual a sua avaliação sobre a segurança pública em São Gonçalo dos Campos?

Antônio Dessa Cardozo – A pior possível. Porque se você ouve o prefeito da cidade dizer que a avaliação eu ele faz da segurança da cidade é a pior possível é porque não está ruim não, está catastrófica.

No último ano de 2015, o número de homicídios cresceu 420%. A gente não viu, ao longo desse governo, o Estado tomar uma inciativa para mudar isso. Observe que estamos falando de São Gonçalo, que é a terra do pai do governador Rui Costa. O pai do governador morou aqui a vida toda.

Retomando o tema violência, há algum tempo os prédios públicos de São Gonçalo vem sendo arrombados por vândalos. Eles levam merenda escolar, equipamentos de televisores, som, Datashow, computadores, notebooks, além da merenda escolar. Eles furtam, também, utensílios de cozinha, carteiras, lápis e material didático.  Ultimamente, além de furtarem tudo da escola, estão destruindo o que não conseguem levar. Os vândalos quebram os armários, carteiras e geladeiras.

Na Escola Francisco José, localizada na comunidade de Boa Hora, além de destruir e levar tudo que podiam, os vândalos tocaram fogo na escola. O destre não foi maior porque membros da comunidade se mobilizaram para debelar o incêndio.

JGB – Durante a coletiva, o prefeito abordou, também, a degradação da escola pública estadual. Como analisa a estrutura estadual da escola pública?

Antônio Dessa Cardozo – A gente tem ouvido intensa cobrança das escolas municipais. Membros da comunidade passaram a discutir, também, a situação das escolas estaduais situadas no município, que são apenas duas – Antônio Pedreira e Polivalente – que é a maior unidade de educação do município.

Lamentavelmente, o Colégio Estadual Polivalente está em petição de miséria. Recebi, nos últimos dias, pelo WhatsApp, vários depoimentos de alunos, ilustrados com vídeos que evidenciam a falta de manutenção da unidade de ensino.

A situação é tão grave que vou passar para os advogados do município e provocar o Ministério Público. Para que tome providências quanto a deplorável situação da estrutura do Colégio Polivalente. A situação submente os alunos a degradante, humilhante a situação.

O Polivalente foi referência no tempo que estudei lá, isso há 30 anos. O colégio tinha laboratórios, uma biblioteca gigantesca. Hoje, não existe mais isso, nem mesmo a biblioteca, pois os poucos livros que tinha foram destruídos. A sua estrutura física está destruída, o prédio destruído. Nas aulas a noite os alunos assistem praticamente no escuro.

A sujeira tomou conta do Polivalente, ao ponto de os alunos tomarem iniciativa de ir lavar os sanitários. Então, nós vamos, diante dessas denúncias, entrar com uma representação no Ministério Público para que o governo do Estado tome providência e mande de imediato executar a reforma da unidade de ensino, que está parada há dois anos.

*A entrevista foi gravada pelo jornalista e cientista social Carlos Augusto, em 30 de maio de 2016, na residência do prefeito, em São Gonçalo dos Campos.

Sobre o autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto Oliveira da Silva (Carlos Augusto) é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF). Atua como jornalista e cientista social. Telefone: (75)98242-8000 | E-mail: diretor@jornalgrandebahia.com.br.