Exclusiva: deputado José Cerqueira Neto confirma pré-candidatura à prefeito de Feira de Santana e avalia criticamente gestão de José Ronaldo

Carlos Augusto entrevista o deputado José Cerqueira Neto (Zé Neto). "Vou fazer esse enfrentamento com meu partido. Fechamos com PCdoB. Estamos conversando com outros partidos, e vamos fazer uma disputa limpa, olho no olho. Sem nenhum medo de fazer desse momento, um momento que vai clarear a história de Feira de Santana.", afirma Zé Neto.

Carlos Augusto entrevista o deputado José Cerqueira Neto (Zé Neto). “Vou fazer esse enfrentamento com meu partido. Fechamos com PCdoB. Estamos conversando com outros partidos, e vamos fazer uma disputa limpa, olho no olho. Sem nenhum medo de fazer desse momento, um momento que vai clarear a história de Feira de Santana.”, afirma Zé Neto.

Carlos Augusto e José Cerqueira Neto (Zé Neto). "Eu não posso ficar de braços cruzados vendo minha cidade destruída como está, ruim para todo mundo, ruim para comerciante, ruim para camelô, ruim para quem chega de fora e quando esse deveria ser um grande atrativo.", afirma Zé Neto.

Carlos Augusto e José Cerqueira Neto (Zé Neto). “Eu não posso ficar de braços cruzados vendo minha cidade destruída como está, ruim para todo mundo, ruim para comerciante, ruim para camelô, ruim para quem chega de fora e quando esse deveria ser um grande atrativo.”, afirma Zé Neto.

José Cerqueira Neto (Zé Neto): "Claro que em um partido do tamanho do nosso, ter chegado no poder como chegamos, alguns erros foram acumulados. Mas, intimamente menores que os acertos. Erros que podem ser corrigidos. Nós temos que apender com nossa história, especialmente, no que tange as nossas alianças políticas e na forma que fazemos alianças. Porque talvez um dos erros maiores foi não ter insistido em fazer uma reforma política, no começo do governo Lula, quando ele tinha muita força.".

José Cerqueira Neto (Zé Neto): “Claro que em um partido do tamanho do nosso, ter chegado no poder como chegamos, alguns erros foram acumulados. Mas, intimamente menores que os acertos. Erros que podem ser corrigidos. Nós temos que apender com nossa história, especialmente, no que tange as nossas alianças políticas e na forma que fazemos alianças. Porque talvez um dos erros maiores foi não ter insistido em fazer uma reforma política, no começo do governo Lula, quando ele tinha muita força.”.

Deputado e líder do governo Rui Costa na Assembleia Legislativa da Bahia, José Cerqueira Neto, (Zé Neto, PT), concede entrevista ao jornalista e cientista social Carlos Augusto sobre o processo eleitoral de 2016, comenta sobre o protagonismo político nos investimentos federais e estaduais ocorridos em Feira de Santana, e avalia a gestão do prefeito José Ronaldo de Carvalho (DEM), afirmando que existe um esgotamento no modelo. A entrevista foi gravada na sede do Jornal Grande Bahia, na quinta-feira (12/05/2016).

Confia a entrevista

JGB – Eleições municipais 2016. Recentemente o Jornal Grande Bahia publicou sobre a aliança em Feira de Santana entre o PT e o PCdoB. O senhor se posiciona nesse processo eleitoral com pré-candidato a prefeito e se o faz, o que lhe motiva?

Zé Neto – Já fui indicado como pré-candidato pela executiva estadual do PT, com relação a executiva municipal, estamos encaminhando para oficialização de pré-candidatura. Ainda não toquei nesse assunto, estou tocando pela primeira vez com você, aqui. Mas eu tenho toda disposição para fazer o enfretamento. Até porque, nesse instante o que está posto é um desafio de um tamanho que não depende só da minha vontade.

Eu sou militante da cidade, do meu partido, sou militante da política no estado, sou líder de um governo, sou deputado de quatro mandatos, sou responsável por grandes intervenções na cidade. Digo, responsável porque fui eu que fez a indicação do Hospital Estadual da Criança. Dei a ideia, e depois fui em busca do recurso financeiro. Quando a obra terminou, quem mais comemorou comigo foi o secretário da Estadual da Fazenda, porque não aguentava mais, dia e noite, sendo cobrando a ele recursos para o nosso hospital.

Foi assim na Avenida Noide Cerqueira. Fomos nós que fizemos audiência públicas iniciais para discutir o traçado e a importância social da obra. Conseguimos recursos para fazer um projeto executivo junto ao Estado, fomos buscar dinheiro em Brasília e não conseguimos, esperamos emendas parlamentares e não chegaram. Por fim, junto ao governador Wagner, por indicação nossa, também foi construída a Avenida Noide Cerqueira.

O mesmo aconteceu em todo saneamento da cidade. Onde fizemos várias reuniões, várias audiências, vários enfoques em todos os aspectos para que a gente pudesse fazer com que, hoje, Feira de Santana saísse de 30 para 80% a cobertura de esgoto.

Tem sido assim na obra da Lagoa Grande. Fomo nós, também, que protagonizamos uma intervenção importante, com indicação e trabalhos para que os recursos cheguem. Tem sido assim no Aeroporto Regional de Feira de Santana, com as dificuldades que já foram enfrentadas. O aeroporto, hoje, está preparado para receber grandes voos. Falta, tão somente, uma homologação da Anac, de uma pista, e eu acredito que saia por esses dias.

Protagonizamos, entre tantas outras intervenções, a exemplo como ‘Minha Casa, Minha Vida’. Onde tivemos o papel de protagonizar muito esse processo de diálogo com o setor produtivo, Caixa Econômica, e o Município de Feira de Santana. Que, nesse sentido, pouco esforço fez para que os projetos acontecessem. Hoje Feira de Santana é o município mais contemplado do Brasil com o programa, foram construídas cerca de 45 mil unidades nas três fases do ‘Minha Casa, Minha Vida’.

Então, outras tantas realizações tem sido objeto de construção. Elas passam, também, pelo nosso crivo de luta. Para mim, está na hora de fazer esse enfrentamento com o tamanho que nós fomos adquirindo nesse processo político de vida, de amadurecimento e de envolvimento com a cidade.

Portanto, vou fazer esse enfrentamento com meu partido. Fechamos com PCdoB. Estamos conversando com outros partidos, e vamos fazer uma disputa limpa, olho no olho. Sem nenhum medo de fazer desse momento, um momento que vai clarear a história de Feira de Santana. Podendo dar a essa cidade uma administração que terá muito mais ouvidos para quem produz, para quem constrói, desde a cultura até o setor produtivo, seja ele industrial, informal, seja ele de serviço de comércio. Como também teremos uma capacidade de perceber as questões sociais da cidade que tem sido inclusive a marca da nossa vida pública.

JGB – Observando o nível de desgaste que existe na imagem dos políticos. Poderia fazer uma síntese de três motivos, três razões que lhe motivam a participar do processo eleitoral de 2016?

Zé Neto – Primeiro, ser feirense tem vido essa cidade e ter sonhado com essa cidade, e continuar sonhando com essa cidade e acreditando no sonho de ver uma cidade cada dia melhor, cada dia mais humanizada e com mais perspectiva para nossa gente. Isso é da minha história de vida, da história do menino de Marajó, da história de quem compreende o curso da política em toda essa minha vivência na cidade. Comecei como vereador, já estou no meu quarto mandato de deputado estadual e me sinto mais preparado para esse desafio.

Outra razão, é que eu faço parte de um partido, que é responsável pelas maiores transformações da história política e social desse país. Claro que em um partido do tamanho do nosso, ter chegado no poder como chegamos, alguns erros foram acumulados. Mas, intimamente menores que os acertos. Erros que podem ser corrigidos. Nós temos que apender com nossa história, especialmente, no que tange as nossas alianças políticas e na forma que fazemos alianças. Porque talvez um dos erros maiores foi não ter insistido em fazer uma reforma política, no começo do governo Lula, quando ele tinha muita força.

São avaliações que se tornam aprendizado, agora nesse momento de crise, retoma essa agenda retomada, e com vigor das duas que antes não tinha – Reforma política e econômica – então, o meu compromisso com a construção do meu partido, é a construção de um projeto do povo brasileiro, para o povo baiano para o povo feirense, onde as pessoas são vistas com muito mais humanidade, com muito mais justiça. Com um olhar que possa garantir às pessoas mais felicidade.

O terceiro aspecto é que já deu. Eu não posso ficar de braços cruzados vendo minha cidade destruída como está, ruim para todo mundo, ruim para comerciante, ruim para camelô, ruim para quem chega de fora e quando esse deveria ser um grande atrativo.

Observe Feiraguay, que, inclusive, foi um dos espaços que incentivei para ocorra o ordenamento e, hoje, inclusive, tenho trabalhado lá, para que o Sebrae possa entrar e melhorar ainda mais a condição e a capacitação desses comerciantes. Inclusive, tenho conversado para ver se consigo participar dessa interlocução. Porque, acredito naquele Feiraguay, acredito no comércio da cidade, nos serviços que são prestados na cidade de Feira de
Santana. Que, também, não tem nenhuma política pública de serviço, como, também, não tem nenhuma política industrial, essa ficou só para o governo do estado. Foi o estado que faz a política industrial em Feira de Santana.

A política industrial protagonizada pela gestão municipal de Feira de Santana é ter IPTU alto, o ISS elevado, e de não ter nenhuma capacidade de atrativo, que não seja buscar junto ao Centro industrial do Subaé (CIS) espaços.

No mais, é basta observa a falta de diálogo com a cultura, é ver a falta de diálogo com os setores organizados na cidade, com as associações, com sindicatos especialmente aqueles dos serviços públicos. É você ver um trânsito desmontado na cidade. É observar os agentes comunitários de endemias da nossa cidade ter os piores salários da Bahia e uma atenção básica absolutamente ruim. É observar Feira de Santana sem nenhum hospital geral municipal, que possa colaborar com o Cleriston Andrade e com a rede de saúde, que está toda carcomida. A rede de saúde municipal de Feira de Santana destina mais de 70% do recurso para alta hospitalar e não tem um hospital, e tudo isso vai para exames especializados.

Porque, quando chega no dia 15 do mês, o cidadão não encontra condição nenhuma de garantir coisas elementares e exames elementares. Porque isso não rende, não dá dinheiro e, no fim, fica o recurso voltado para o setor empresarial da saúde, que não tem responsabilidade com o município e que só quer pegar o filé.

Eu avalio essas questões enxergando a cidade nos campos da habitação, transporte coletivo, e na humanização.  Na minha percepção de desenvolvimento da cidade, como fizemos agora que batalhamos tanto para que chegasse a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) que, inclusive, em alguma dessas visitas eu fiz com o deputado federal Fernando Torres para encontrarmos uma saída para a construção do campus em Feira de Santana. Conseguimos a área, o empresário doou a área, houve uma disputa limpa e essa área, que fica no Sul da cidade agora vai sediar o campus da UFRB.

Então, essa é minha visão de cidadão feirense, que cria a filhas e mantém a família aqui. Essa é, também, uma sina amorosa minha, com minha cidade, e eu haverei de lutar para que cada dia veja mais e mais realizações nessa terra em que eu nasci, que me criei, e nessa terra que penso em algum dia governar.

JGB – Alguns projetos, a exemplo o da Lagoa Grande, do Centro de Convenções e do entroncamento da Avenida Noide Cerqueira com a BR 324 está em um ritmo pouco lento. Poderia explicar o que ocorre?

Zé Neto – A obra da BR 324 está dentro do cronograma, o viaduto teve um problema na estrutura do solo e está sendo refeito estudo. Mas está se resolvendo e está dentro cronograma, os recursos estão vindo do BNDES. A expectativa é que se conclua até o fim de 2016. Esse atraso não foi gerado por falta de dinheiro, foi gerado através de um problema que não chegou a parar a obra, apenas desacelerou essa parte da estrutura.

Por outro lado, nós temos a Lagoa Grande. Eu tenho ido a Brasília todo mês atrás de recursos e não tem sido fácil. Agora, talvez, fique um pouco mais complicado, mas vamos continuar indo a Brasília seja qual for a situação que esteja lá, porque dos R$ 72 milhões, só falta receber uns R$ 18 milhões para serem medidos e encerrar essa importante intervenção que é uma intervenção longa, pois tiramos de lá 700 famílias, construímos um conjunto para essas famílias.

Não é fácil tirar gente de um lugar para o outro, foram quase 3 anos nessa pegada. Começamos em 2009, fizemos intervenção importante e estamos avançando, com saneamento sendo implantado para atender sete mil famílias ao redor da Lagoa Grande. Pegamos as partes molhadas da Lagoa Grande e fizemos a dragagem para que a lagoa ficasse maior e não inundasse nos períodos de chuva

Não tenho dúvidas que a Lagoa Grande vai ser um dos mais importantes empreendimentos urbanos da história de Feira de Santana e vai humanizar a cidade com um espaço que, inclusive, vai ser um objeto de audiência pública. Porque queremos construir uma estrutura para Polícia Militar. Vamos discutir com a comunidade a construção de espaços esportivos. Queremos fazer o que fizemos na Avenida Noide Cerqueira, transformando a lagoa em vetor desenvolvimento, de humanização. Um local que será um ponto de encontro. Nós, inclusive, queremos que nos domingos, fique quase que estabelecido que será ali um espaço fechado para utilização da comunidade.

Com relação ao Centro de Convenções de Feria de Santana, o governo do estado tem nove meses esperando receber da prefeitura a documentação. Estamos esperando há nove meses a documentação da prefeitura, para que o governo do Estado fazer um empréstimo porque não temos dinheiro agora. O governador afirmou que recebendo a documentação do terreno dará seguimento ao projeto. Eu vou trabalhar para ter um empréstimo e aplicar esse empréstimo no Centro de Convenções.

O prefeito tem nove meses querendo que o governo dê três áreas a ele para ele entregar a propriedade do terreno que aliás foi doado no passado a Paulo Souto. O prefeito voltou atrás e disse que só vai dar o terreno se o governo der três áreas em troca. Aquela área imensa que nós temos Rua Senador Quintino (antiga usina de algodão), onde funciona vários órgãos do governo, a CAD, a ADAB, o Consorcio, tudo funciona ali. Eles querem a área, que é para o governo receber o Centro de Convenções. Além dessa área, eles reivindicam um terreno que é extremamente valioso na Avenida Sampaio, e ainda dê uma escola desativa que fica na Barão do Rio Branco, que é da propriedade do estado. Eles requisitam esses imóveis, se não, não vão dar a propriedade.

O que eu ouvi através da imprensa, foi o secretário de Planejamento Carlos Brito informar que foi que Paulo Souto que tinha doado para o município, e o que estado não ia doar para o município. Nós avisamos a ele que se o município quiser cuidar do Centro de Convenções, não tem problema, a gente pode trabalhar para isso, não precisa nenhuma picuinha nessa conversa, e ainda assim, até agora, não resolvemos a situação.

Sobre o autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto Oliveira da Silva (Carlos Augusto) é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF). Atua como jornalista e cientista social. Telefone: (75)98242-8000 | E-mail: diretor@jornalgrandebahia.com.br.