Exclusiva: deputado Carlos Geilson avalia processo de impeachment de Rousseff, infere que PSDB deve participar do governo Temer e analisa cenário político da Bahia

Carlos Geilson dos Santos Silva é entrevistado por Carlos Augusto. Carlos Geilson: "O que pesa contra ela é a má gestão e a incompetência administrativa aliada a um erro contábil, isso pesou na hora do impeachment. Além da dificuldade que ela tem de se relacionar com o congresso, isso é um fato. Ela se relaciona muito mal com a classe política".

Carlos Geilson dos Santos Silva é entrevistado por Carlos Augusto. Carlos Geilson: “O que pesa contra ela é a má gestão e a incompetência administrativa aliada a um erro contábil, isso pesou na hora do impeachment. Além da dificuldade que ela tem de se relacionar com o congresso, isso é um fato. Ela se relaciona muito mal com a classe política”.

O deputado estadual Carlos Geilson dos Santos Silva (PSDB/BA), em entrevista concedida na segunda-feira (10/05/2016) ao jornalista e cientista social Carlos Augusto, aborda o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff e a participação do PSDB no possível governo Michel Temer. Na sequência, analisa as gestões de Marcelo Nilo, presidente da Assembleia Legislativa da Bahia; de Rui Costa, governador da Bahia; Antônio Carlos Magalhães Neto (ACM Neto), prefeito de Salvador; e José Ronaldo de Carvalho, prefeito de Feira de Santana.

Carlos Geilson conclui a entrevista informando sobre a participação do PSDB nas eleições municipais de 2016 em Feira de Santana, e em outras cidades da Bahia. Além de apresentar uma autoanálise do segundo mandato parlamentar.

Confira o teor da entrevista

Jornal Grande Bahia – Como analisa o processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff?

Carlos Geilson – Eu acho que a Dilma Rousseff vai cair, não porque ela cometeu algum fato grave. O erro foi cometido e a ilicitude está comprovada. Mas, outros cometeram a mesma licitude e não foram defenestrados do poder. O que pesa contra ela é a má gestão e a incompetência administrativa aliada a um erro contábil, isso pesou na hora do impeachment. Além da dificuldade que ela tem de se relacionar com o congresso, isso é um fato. Ela se relaciona muito mal com a classe política, e somado tudo isso, levou ao processo do impeachment.

JGB – O PSDB trava debate interno sobre a participação ou não de um possível governo de Michel Temer. Como avalia isso?

Carlos Geilson –Eu acho que se o PSDB pode contribuir com o governo e não contribui da demonstração de aproveitamento. Quer que esse governo se quebre e venha em 2018 como salvador da pátria. Eu acho que a situação é delicada e ninguém pode se furtar (duvida) esse momento a colaborar, a doar parcela de contribuição para o erguimento do país, que atravessa uma grave crise financeira.

O PSDB é um partido que é protagonista na cena da política nacional e eu acho que não poderia ficar fora de uma administração. Embora ele não seja o cabeça de pule [do comando da República], não é gestor principal, mas passa a ser um colaborador nesse momento delicado da vida nacional.

JGB — No plano estadual, como analisa a presidência do deputado Marcelo Nilo à frente da Assembleia Legislativa da Bahia?

Carlos Geilson — Eu acho que Marcelo Nilo faz um bom trabalho. Está há muito tempo nesse cargo e é necessário que façamos uma avaliação e que venhamos a estimular que surja outros nomes para que haja uma alternativa de poder, e essa alternativa sempre é uma forma positiva para o processo democrático. Agora, se não aparecer nenhum nome suficiente para derrota-lo, vamos ter então que caminhar com ele. Mas, é necessário que a gente também estimule que a casa tenha outros nomes e acho interessante a alternativa de poder.

JGB — Com relação ao governo do estado, como analisa a administração do governador Rui Costa?

Carlos Geilson — Eu acho que o Rui Costa faz uma administração razoável através dessas dificuldades. Ele tem sido, ao mesmo tempo, um gestor de muita habilidade para conseguir pagar a folha de pagamento de servidores, e observe que em muitos estados não estão conseguindo efetuar o pagamento. O governador realiza, ao mesmo tempo, algumas ações pontuais, como essa em Feira de Santana. Eu acho que nesse quesito o governador vai passando no momento de crise, faz o governo razoável e eu acho que só de fazer um governo razoável, já está melhor do que muitas ou mais experiências que estão no segundo mandato, que não estão nem conseguindo pagar a folha de pagamento.

JGB — Com relação a administração do prefeito ACM Neto, em Salvador, como analisa?

Carlos Geilson — ACM Neto deu uma repaginada em Salvador, transformou, resgatou a autoestima do povo soteropolitano e hoje é um dos melhores prefeitos do Brasil. Pelo quadro que encontrou e pela transformação que realiza hoje em Salvador, é um gestor comprovado e a gente espera que ele leve essa experiência de administrador da capital para o governo do Estado.

JGB — Com relação a administração do prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo de Carvalho (DEM), como analisa?

Carlos Geilson José Ronaldo, apesar de muito tempo no governo, vem de um mandato completo com reeleição, elegeu, findou o mandato de prefeito e voltou novamente. José Ronaldo ainda é o melhor administrador, de todos que estão aí postulando o cargo de prefeito. Tem experiência, é um gestor e congrega em torno de si um grupo forte. Eu acho que a eleição majoritária é de quem sabe congregar, e ele tem feito isso muito bem. Observe que o opositor não tem a mesma habilidade. Enquanto José Ronaldo junta, o seu opositor [em referência ao deputado José Cerqueria Neto – Ze Neto, PT], afasta. Eu acho que congregar é fundamental no processo de eleição majoritária.

JGB — Como o PSDB pretende se posicionar de que forma nas eleições municipais de Feira de Santana?

Carlos Geilson Aonde tiver um candidato mais forte do que um postulando do PSDB, o PSDB apoia, e vice-versa. Hoje, em Feira de Santana, José Ronaldo é o postulante mais forte, embora ainda não tenha declarado é candidato à reeleição, mas tudo leva a crer que isso vai acontecer. Então, se isso acontecer, o PSDB vai se unir com o DEM em Feira de Santana.

JGB — E qual a perspectiva de candidatura para vereador, em Feira de Santana?

Carlos Geilson — Nós temos vários companheiros agrupados em diversas siglas. O PSDB sai com três candidatos, Welligton Andrade, Eremita Mota Araújo e José Carneiro. Nós apoiamos candidatos do PPL, PPS, PTC, PSDC, e no Solidariedade e enfim, vamos também com outros companheiros tentar a eleição dos amigos, dos correligionários. Agora é uma eleição difícil, a eleição proporcional para a Câmara Municipal de Feira de Santana, um verdadeiro funil. Vamos torcer que os nossos candidatos tenham habilidade para que eles possam transitar muito bem e vencer esse funil.

JGB — Com relação ao plano estadual, o PSDB pretende lançar candidatura majoritária em quantos municípios?

Carlos Geilson — Eu não posso te afirmar em quantos municípios teremos candidato. Mas, aonde tiver candidato do PSDB com densidade eleitoral superior ao DEM, ou até mesmo do PMDB, vamos lançar candidato sim.

Quinta-feira estive em Itabuna onde o PMDB é protagonista com a candidatura de Augusto Castro. Em outros municípios onde o PSDB for mais forte vamos com candidato próprio. Onde a gente reconhecer que o nosso candidato tem uma densidade eleitoral menor, vamos apoiar o candidato que for do nosso arco de confiança.

 JGB — Um auto avaliação do segundo mandato do deputado Carlos Geilson?

Carlos Geilson — Eu acho que estou mais experiente, mais traquejado, tenho viajado muito e descentralizado o mandato, não destinado ações políticas apenas para Feira de Santana. Eu acho que o resultado a gente vai ver em 2018. A nossa perspectiva é que vamos ter uma consolidação desse trabalho não só em Feira de Santana, como, também ,por onde a gente tem andado.

Sobre o autor

Redação
O Jornal Grande Bahia é um portal de notícias com sede em Feira de Santana. Para enviar informações, fazer denúncias ou comunicar erros do jornal mantenha contato através do e-mail: editor@jornalgrandebahia.com.br