Embrapa e ABCZ firmam parceria na ExpoZebu Dinâmica 2016

Embrapa e ABCZ firmam parceria.

Embrapa e ABCZ firmam parceria.

A parceria entre a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) foi oficializada, na quarta-feira (4/5), na abertura da ExpoZebu Dinâmica 2016, que encerra, nesta sexta-feira (06/05/2016), em Uberaba (MG). O termo de cooperação técnica entre as instituições foi assinado pelo presidente da ABCZ Luiz Cláudio Paranhos e o chefe-geral da Embrapa Cerrados (Planaltina-DF) Cláudio Karia.

O presidente da ABCZ destacou a importância das pesquisas da Embrapa para apoiar os trabalhos de melhoramento genético desenvolvidos pela instituição. “Precisamos do manejo nutricional para construir a nossa genética. E, nada melhor, que a Embrapa para nos orientar sobre isso e sobre implantação de tecnologias. A vitrine de tecnologias dessa feira se tornará permanente, transformando-se em um espaço para demonstrações, dinâmicas e lançamentos da Embrapa”, afirmou.

A parceria com a iniciativa privada, de acordo com o chefe-geral da Embrapa Cerrados, é uma forma da empresa mostrar o que tem para oferecer à sociedade. “São duas instituições de muito respeito e estamos associando nossos nomes com expectativa de criar sinergia. A ABCZ há mais de oito décadas trabalha para melhorar a genética da raça zebuína. Agora a Embrapa entra para apresentar tecnologias de como produzir esses animais”, destacou Karia.

Para fortalecer a parceria entre as instituições, a ABCZ disponibilizou uma sala para a Embrapa em sua sede no Parque Fernando Costa, onde é realizada a 82 ExpoZebu, que encerra no sábado (7/5). A entrega das chaves da sala ocorreu, na terça-feira (3/5), com a presença do diretor da ABCZ Antônio de Salvo e dos superintendentes de marketing e informática, respectivamente, Juan Lebron e Eduardo Milani.

A sala na sede da ABCZ servirá de apoio para os pesquisadores da Embrapa desenvolverem seus trabalhos na região. De acordo com o chefe-geral da Embrapa Cerrado, a pesquisadora Giovana Maciel será a interlocutora entre as instituições. As questões demandadas pela ABCZ serão direcionadas pela pesquisadora às demais unidades da Embrapa competentes em solucioná-las.

Vitrine de tecnologias – em uma área de três mil metros quadrados, a Embrapa apresenta na ExpoZebu Dinâmica, na Estância Orestes Prata Tibery Júnior, variadas tecnologias. Ao seguir o “caminho da produção”, o visitante observa de um lado da vitrine as opções de forrageiras e do outro as culturas de grãos que podem ser usadas para silagem ou para o desenvolvimento do sistema Integração Lavoura-Pecuária (ILP) e Integração Lavoura- Pecuária- Floresta (ILPF). No lado da lavoura, estão em exposição culturas de trigo, soja, milho, sorgo e milheto.

“Aqui na vitrine, o produtor está tendo a oportunidade de observar o que está dando certo, como, por exemplo, as alternativas para recuperação de pasto degradado, além dos últimos lançamentos”, afirmou a pesquisadora Giovana Maciel, coordenadora da feira pela Embrapa.

Entre as recentes cultivares de forrageiras desenvolvidas pela Embrapa, em parceria com a Associação para o Fomento à Pesquisa de Melhoramento de Forrageiras (Unipasto), para melhorar a eficiência dos sistemas de produção da pecuária de corte e de leite estão em exposição os capins Panicum maximum (cultivares BRS Zuri e BRS Tamani) e Brachiaria brizantha (cultivares BRS Piatã e BRS Paiaguás).

A BRS Tamani é uma opção para solos bem drenados e para diversificação de pastagens no bioma Cerrado. A BRS Zuri apresenta tolerância moderada ao encharcamento do solo e se destaca pela resistência às cigarrinha-das-pastagens e à mancha das folhas. No próximo ano serão lançados dois materiais que estão sendo apresentados na vitrine da Embrapa. Uma cultivar de Panicum maximum, a BRS Quênia, e a braquiária híbrida BRS Ipyporã.

A orientação da pesquisadora Giovana Maciel é de que o produtor não tenha apenas um tipo de forrageira em sua propriedade. “O solo tem manchas, por exemplo, uma parte mais seca e outra mais úmida. O produtor deve ter diversidade no pasto, um capim adequado para cada tipo de solo. Assim estará otimizando o potencial do capim e, consequentemente, terá maior produção do animal, seja de leite ou corte”, explicou.

A escolha da forrageira é uma das principais dúvidas dos visitantes da ExpoZebu Dinâmica. O pecuarista João Salmito Filho é do Ceará e participa de todas as edições da feira em busca de novos conhecimentos. “A especificidade da minha região não permite aproveitar todas as experiências que conhecemos aqui. Mas aprendemos bastante e tiramos dúvidas”, disse ao questionar sobre a espécie que poderia substituir o andropogon. Para alimentar seu gado leiteiro, Salmito faz consórcio com palma forrageira e andropogon.

O solo da propriedade de José dos Santos, no norte de Minas Gerais, é de baixa fertilidade. Em função dessa dificuldade, Santos está em busca de forrageiras que sejam resistentes à seca e menos exigente em fertilidade do solo. Uma das alternativas para o produtor, de acordo com pesquisadores da Embrapa, é a utilização de cultivares mais rústicas, como, por exemplo, BRS Massai.

A Embrapa também mantém na ExpoZebu Dinâmica uma área de demonstração de ILPF, com as seguintes espécies florestais: mogno, acácia, teca, nim e eucalipto. O local chamou atenção dos estudantes da Escola Técnica São Simão, na região de Ribeirão Preto (SP). “Aprender sobre ILPF e ver isso aqui já valeu a pena as cinco horas de viagem”, comentou o estudante Matheus Diogo.

No estande da Embrapa, pesquisadores e técnicos da Embrapa Cerrados (Planaltina, DF), Embrapa Gado de Corte (Campo Grande, MS), Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas, MG), Embrapa Pecuária Sudeste (São Carlos, SP), Embrapa Semiárido (Petrolina, PE), Embrapa Trigo (Passo Fundo, RS) e Embrapa Produtos e Mercado (Brasília, DF)  prestam esclarecimentos ao público.

Palestras – durante a ExpoZebu  Dinâmica, pesquisadores da Embrapa ministraram palestras. A primeira palestra, na quarta-feira (4/5) foi sobre “Sistema Boi Safrinha de Integração Lavoura-Pecuária (ILP). O  pesquisador da Embrapa Cerrados Lourival Vilela explicou como o “boi safrinha” é uma substituição ao “boi safona”. Com o boi safrinha também se resolve o problema de disponibilidade de forragem na época seca. Vilela também citou a experiência do Sistema São Francisco, de sobressemeadura de Panicum maximum de porte alto em soja. Atualmente 26 fazendas em várias regiões estão trabalhando neste sistema de produção. “Se o pecuarista quiser recuperar pasto tem que trabalhar com grãos”, enfatizou.

As outras palestras foram sobre fatores de produção de milho para produção de silagem de qualidade, pelo pesquisador Dimas Cardoso, e sobre a marca-conceito Certificação Carne Carbono Neutro. Esta última palestra foi ministrada pelo pesquisador Roberto Giolo, da Embrapa Gado de Corte.

Na quinta-feira (5/5), os palestrantes foram os pesquisadores Ademir Zimmer e Fabiana Vila Alves, ambos da Embrapa Gado de Corte. A primeira palestra foi sobre “Sistema São Mateus de ILP” e a segundapalestra sobre “Bem estar e conforto térmico animal em sistemas ILPF”.

Nesta sexta-feira (6/5), o pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste André Luiz Novo fala sobre “Produção Intensiva de Leite a Pasto” e apresentará o Programa Balde Cheio.  O pesquisador João Kluthcouski, da Embrapa Cerrados, ministra palestra de encerramento sobre “Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF): intensificação sustentável do uso do solo”.

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