Ações de prevenção ao Aedes Aegypti devem ser mantidas mesmo com a chegada do inverno

Dados de norte a sul do Brasil demonstram que, mesmo nas estações mais frias, é preciso continuar com o combate ao Aedes Aegypti.

Dados de norte a sul do Brasil demonstram que, mesmo nas estações mais frias, é preciso continuar com o combate ao Aedes Aegypti.

A infestação tem crescido de forma alarmante no país. Em Pernambuco, já bateu recorde com 45% das 184 cidades apresentando número de insetos acima do tolerável pelos organismos internacionais. O Rio Grande do Sul passou de 11 notificações de dengue em 2009 para 1493 em 2016.

A chegada do inverno e, consequentemente do frio, não é motivo para a população relaxar com a proliferação do Aedes Aegypti. Isso porque os ovos do mosquito podem resistir a longos períodos de seca – até 450 dias, segundo estudos. Esta resistência é uma grande vantagem para o mosquito, pois permite que os ovos sobrevivam por muitos meses em ambientes secos, até que o próximo período chuvoso e quente propicie a eclosão.

“É importante esse alerta, pois estamos em guerra contra uma epidemia muito séria. As pessoas devem continuar ao longo de todo o ano com as medidas de prevenção”, alerta o médico, professor da PUCRS e doutor em Biotecnologia, Fernando Kreutz. O pesquisador lembra ainda que em muitas cidades, o inverno não é tão rigoroso, mantendo as temperaturas amenas ao longo dos meses da estação.

Dados de norte a sul do Brasil demonstram que, mesmo nas estações mais frias, é preciso continuar com o combate ao mosquito. A infestação tem crescido de forma alarmante no país. Em Pernambuco, já bateu recorde com 45% das 184 cidades apresentando número de insetos acima do tolerável pelos organismos internacionais. O Rio Grande do Sul passou de 11 notificações de dengue, em 2009, para 1493 em 2016. A zika partiu do zero para 97 casos neste ano, e a Chikungunya já alcança 37 ocorrências.

De fevereiro deste ano até o dia 2 de abril foram notificados 91,3 mil casos prováveis de zika no país. O Brasil passa por uma epidemia tríplice de doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, já são 802 mil casos de dengue registrados em 2016 e 39 mil de chikungunya.

 “Com toda a certeza, o maior impacto e mais perverso são os casos de microcefalia que acometem milhares de famílias. Estas alterações são ainda a ponta de um iceberg, por isso há grande preocupação que outras alterações, ainda não são perceptíveis, possam impactar toda uma geração de brasileiros”, alerta Kreutz.

Um dos locais que merecem atenção especial são as piscinas, que podem se tornar abrigos para as larvas do Aedes. “Com a chegada das estações mais frias do ano, é comum que as piscinas, uma das principais atrações do verão, acabem ficando de lado. Mas esse esquecimento pode se transformar em um grande problema”.

 Por ser um mosquito com hábitos domésticos – cerca de 80% está nas residências – sua presença é mais comum em áreas urbanas. Sua infestação é mais intensa no verão, em função da elevação da temperatura e da intensificação de chuvas – fatores que propiciam a eclosão de ovos do mosquito. Para evitar esta situação, é preciso adotar medidas permanentes para o controle do vetor, durante todo o ano, a partir de ações preventivas de eliminação de focos.

Fernando Kreutz aconselha que as mesmas ações de prevenção, como eliminar os focos de água parada, usar repelente, tela, roupas compridas, e, agora a aplicação do larvicida biológico para uso doméstico, devem continuar fazendo parte da rotina das famílias.

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