A política brasileira e o desfile das escolas de samba

Integrantes do Movimento dos Trabalhadores protestam contra o governo Michel Temer.

Integrantes do Movimento dos Trabalhadores protestam contra o governo Michel Temer.

“Nenhum país pode desenvolver-se em paz e não respeitar a Constituição” (J.K.).

O brasileiro, em grande parte analfabeto funcional ou iletrado, encara a política – um segmento que rege suas vidas e tudo que existe em um país – como se fosse um desfile de escola de samba ou um jogo de futebol. Por estes motivos a frase de J.K. – Juscelino Kubitschek – encontrada no livro de Paulo Henrique Amorim (O 4º Poder), nunca será levada a sério.

É claro que existem exceções, mas o brasileiro em regra geral, prefere discutir política e futebol nas conversas de mesa de bar nos finais de semana e fazer troças das mazelas do dia a dia. A responsabilidade dele em relação a quem elegeu em um pleito, são as mínimas; tem muitos direitos, mas deveres quase nenhum.

Pode-se comparar esta situação com o desfile das escolas de samba ou até mesmo com uma partida de futebol. Em ambos o torcedor (eleitor) torce por uma facção e esta tem que vencer nem que seja de forma ilícita. Não é levado em consideração, no caso das eleições, os prós e os contras.

Por outro lado, o brasileiro até tem motivos para agir desta forma. É normal ouvir nos comentários dos diversos veículos de comunicação, as notícias sobre a corrupção que assola o Brasil, mas isso não dá o direito a ninguém de desistir do país. Este é o momento de se fazer algo para mudar esta situação.

A Constituição é rasgada a todo o momento conforme a necessidade do crápula interessado e com conivência do STF que a tudo assiste e nada faz. As mobilizações que desestabilizaram o governo Dilma Rousseff em nome da caça aos corruptos não existem mais. Entra uma quadrilha no Planalto e não se ouve mais panelaço, nem movimentos nos finais de semana.

Não importa. A escola de samba escolhida está ganhando e o resto não vem ao caso. São coisas de pouca relevância.

Infelizmente diante de tantos percalços pode-se concluir que a corrupção está no DNA do brasileiro. Este tipo de situação é confirmada, principalmente, quando observamos que grande parte do Congresso Nacional, dos Ministros e seus assessores, dos Secretários de Estado e do mundo político com poucas exceções, estão sempre envolvidos em escândalos, o que já se tornou rotina.

Não podemos achar isso normal. Fiquemos atentos.

Sobre o autor

Alberto Peixoto
Antonio Alberto de Oliveira Peixoto, nasceu em Feira de Santana, em 3 de setembro de 1950, é Bacharel em Administração de Empresas pela UNIFACS, e funcionário público lotado na Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, atua como articulista do Jornal Grande Bahia, escrevendo semanalmente, é escritor e tem entre as obras publicadas os livros de contos: 'Estórias que Deus Duvida', 'O Enterro da Sogra, 'Único Espermatozoide', 'Dasdores a Difícil Vida Fácil', participou da coletânea 'Bahia de Todos em Contos', Vol. III, através da editora Òmnira. Também atua incentivador da cultura nordestina, sendo conselheiro da Fundação Òmnira de Assistência Cultural e Comunitária, realizando atividades em favor de comunidades carentes de Salvador, Feira de Santana e Santo Antonio de Jesus. É Membro da Academia de Letras do Recôncavo (ALER), ocupando a cadeira de número 26. Saiba mais visitando: http://www.albertopeixoto.com.br