6 anos de ausência de Tufi Rachid Amim, general de Juramidã

Tufi Rachid Amim (10.5.1952 – 03.5.2010) nasceu em Rio Branco, Acre.

Tufi Rachid Amim (10.5.1952 – 03.5.2010) nasceu em Rio Branco, Acre.

Às 3 da tarde do dia 3 de maio do ano da graça de 2010, Tufi Rachid Amim partiu para a vida espiritual. Foi para “junto de Mamãe”, atendendo o chamado do “Velho Juramidã”.

Tufi Rachid Amim (10.5.1952 – 03.5.2010) nasceu em Rio Branco-Acre, originário de família sírio-libanesa que migrou para o Norte do Brasil atraída pela pujança econômica da borracha amazônica. Quando criança estudou na Escola ‘O Cruzeiro’, fundada pelo Mestre Raimundo Irineu Serra, no Alto Santo, e teve como professora dona Percília Matos da Silva. Timidamente o menino Tufi observava o Padrinho Irineu nas visitas periódicas que este fazia a escola. Pequenino frente ao gigante negro de quase 2 metros de altura, lhe chamava a atenção o tamanho dos pés do Velho Mestre.

Ainda garoto, Tufi começou a trabalhar para ajudar a família. Foi baleiro, catraieiro, vaqueiro, “marreteiro” (compra e venda de gado), ajudante de caminhão, caminhoneiro, taxista, trabalhador rural e policial militar. Faleceu na condição funcional de sargento aposentado do Corpo de Bombeiros do Estado do Acre e pequeno proprietário rural.

O sargento Tufi é filho do comerciante Rachid Amim Abrahim. Da amizade do “turco” Rachid com o maranhense Irineu Serra surge o convite para que Benjamim Rachid Amim, filho do velho Abrahim e irmão de Tufi, fosse padrinho de casamento de Raimundo Irineu Serra com a dona Raimunda Feitosa, isso no já distante ano de 1937.

Tufi foi casado com a Sra. Herotildes Sales Amim, pai de cinco filhos – Rachid, Liliam, Leila, Suzy e Lizandra – avô do jovem Douglas e mais recentemente nasceu o segundo neto, o menino Zafir.

Tufi conheceu o Daime no ano de 1979, numa visita ao Centro Espírita “Casa de Jesus – Fonte de Luz”, a Barquinha, presidida pelo Velho Pastor Frei Manuel, na qual foi trabalhador em Obras de Caridade.

No ano de 1985 se filia a linha do Mestre Irineu, a Doutrina do Santo Daime, no Centro Livre presidido por Luiz Mendes do Nascimento, Centro ao qual pediu fardamento.

Nesta casa — então denominada CICLU, atual Centro Rainha da Floresta — Tufi exerceu as funções de subcomandante, comandante e gestor da Diretoria. Nesse período contribuiu decisivamente na organização da inesquecível comemoração do ‘Centenário do Mestre Irineu’ (1992) e os “causos” de tão memorável festa ainda estão vivos na lembrança dos participantes, como se tivesse ocorrido ontem…

Em 1994, junto ao padrinho Luiz Mendes, sr. Ladislau Nogueira, amigos e familiares, Tufi contribuiu decisivamente para a fundação do CICLURIS, também situado na Vila Irineu Serra, tendo o Ladi como Presidente, Tufi como Vice e Luiz Mendes como Conselheiro.

Em 1998 o CICLURIS é rebatizado de CICLUJUR – Centro de Iluminação Cristã Luz Universal Juramidã – com a mesma composição da diretoria: Ladislau Nogueira, presidente; Tufi Amim, Vice-Presidente, enquanto que o Mestre Conselheiro Luiz Mendes do Nascimento adentrava a floresta para firmar a sua Fortaleza.

Foi na condição de dirigente daimista que Tufi Amim participou, como representante (suplente), do Grupo Multidisciplinar de Trabalho do Conselho Nacional de Drogas (GMT do CONAD), instituído como resultado do Seminário sobre a Ayahuasca, organizado pelo Governo Federal em março de 2006, na cidade de Rio Branco-Acre, tendo o objetivo de criar normas e regulamentar o uso religioso da Ayahuasca.

Em 2008 Tufi assume com muito entusiasmo o desafio de fundar um novo centro, o CICLUMIDÃ, também na Vila Irineu Serra (Rio Branco-Acre).

O seu hinário “Eu sou feliz” começou a ser recebido do Astral Superior por Tufi Amim no ano de 1987.

Tufi era um ser curador. Ele foi médium passista do Centro Espírita “Casa de Jesus – Fonte de Luz”, presidida pelo Velho Pastor Frei Manuel. Mesmo com a saúde combalida nos últimos nove anos de vida aqui em matéria, de seu corpo emanava uma energia curadora da qual todos nós nos beneficiávamos. Seu hinário tem diversos hinos de cura, entre os quais destaca-se “O Doutor”.

Eu sou, eu sou, eu sou o seu doutor,

Trazendo o remédio pra curar a tua dor.

A tua dor foi você quem criou,

Eu trago o remédio pra curar a tua dor.

Eu venho de branco, trazendo o amor,

Te entrego o remédio e levo a tua dor.

Eu venho, eu venho, eu venho de verdão,

Trazendo a alegria e deixando em tuas mãos.

Nesta doutrina você vai encontrar:

Paz, amor e alegria,

E tudo que te faltar.

Estando nesta linha nada vai te atrapalhar.

No seu hinário é cantada a “linha de Arroxim”, já nos apresentada pelo irmão Raimundo Gomes (Hinário O Ramalho). Tufi conclama os caboclos e os caboclinhos para louvar o Padrinho Irineu e a Senhora Rainha a Floresta.

A Rainha da Floresta,

Foi Ela quem ordenou.

Eu falar com o caboclinho,

Pra mostrar o meu amor.

O meu amor eu vi,

Lá no meio da floresta.

Fiquei muito satisfeito,

Quando vi o meu amor.

Completado o meu prazer,

Dei o meu agradecer.

Saí pela porta aberta,

Que minha Mãe reservou.

No hino de número 36 (Lembrança do Centenário), o Eu Superior que habita o homem simples do povo, Tufi Rachid Amim, se apresenta, afirmando fazer parte de uma família espiritual, a nobre família do Chefe Império Rei Juramidã – família da qual Raimundo Irineu Serra Juramidã é o digníssimo patriarca.

Jura é Papai,

Midã são seus herdeiros.

Eu sou Adão Midã,

Eu também sou herdeiro.

Na espaçosa varanda da sua casa, saboreando delicioso suco de cupuaçu, Tufi nos contou a história do recebimento do seu último hino.

O hino 40 – Caminho de Amor, foi recebido por Tufi no dia 27 de outubro de 2004, e é um hino de despedida:

Tufi Amim, sofrendo de doença renal crônica, passava pelo período mais crítico da sua vida, com a saúde abalada e quase que “desenganado” pelos médicos. É transferido as pressas para hospital em São Paulo a espera de transplante de rim.

Ao receber este hino, o velho sargento do Exército de Juramidã imaginou que sua hora de deixar o mundo Terra tinha chegado, e ainda teve forças de instruir a sua esposa Herotildes a apresentar esta singela canção durante o seu velório.

O que Tufi não sabia é que o chamamento a se apresentar no mundo espiritual, naquele exato momento, não era para si… o chamado a viajar “pra junto de Mamãe” foi para a sua antiga professora e amiga: dona Percília Matos da Silva, a Percilinha, Percília de Pedro.

Percília Taiô Ciris Midam Matos da Silva foi chamada pelo Velho Juramidã a viver no meio das flores, junto a Virgem Maria, Nossa Senhora da Glória, neste exato dia: 27 de outubro de 2004. E para a felicidade de seus familiares e amigos, Tufi Adão Midã Rachid Amim aqui continuou entre nós.

O amor incondicional da sua generosa esposa, a madrinha Heró, foi fundamental para a recuperação de seu querido cônjuge, pois foi ela a doadora do providencial rim que restituiu a vida e saúde a seu amado marido.

Até que às 3 da tarde do dia 3 de maio do ano da graça de 2010, Tufi Rachid Amim partiu para a vida espiritual. Foi para “junto de Mamãe”, atendendo o chamado do “Velho Juramidã”.

Tufi teve um velório muito concorrido, demonstração de prestígio social do finado. Centenas de amigos foram prestar a ultima homenagem na Sede do CICLU – Alto Santo, onde o corpo foi velado. Após 24 horas de cantoria, antes do enterramento foi cantado o seu Hinário — magnânima excepcionalidade concedida pela Dignatária, Madrinha Peregrina Gomes Serra — e pela primeira vez na história deste quase centenário Centro foi autorizado e permitido se cantar um Hinário que não era da Casa.

Após a sua passagem para o Império Juramidã, o sargento Tufi recebeu a graduação de general nos exércitos da Rainha da Floresta. Apareceu para alguns irmãos e amigos com os mesmos traços de personalidade que cultivava aqui no mundo Terra: de militar disciplinador.

A este que vos escreve o Amigo Tufi se manifestou num sonho — comunicação espírita — na condição de motorista de caminhão (profissão que exerceu em vida). Estava acompanhado de um ajudante, o qual não consegui identificar, e conversamos animadamente por toda aquela madrugada.

Antes da despedida e Tufi subir ao seu caminhão para viajar, ele me recomendou uma coisa, com as seguintes palavras, na sua voz grave:

– Seu Juarez, quando o senhor falar em público sobre a minha pessoa, por favor enumere três virtudes que porventura eu as tenha tido.

Amigo Tufi, farei isto nesta oportunidade.

Uma primeira virtude a destacar de Tufi Rachid Amim é a sua generosidade. Sempre generoso e solicito com amigos e desconhecidos, pronto e disposto a ajudar a todos que o procuravam, como também ajudar a necessitados anônimos que ele visitava e auxiliava, exercendo o sagrado ofício da caridade e do amor ao próximo.

Não enumerarei aqui quem e quantos Tufi generosamente ajudou, que foram muitos. Apenas registro a minha enorme gratidão, de minha esposa Cecília e da filha Barbara a este amigo e sua adorável família — nossa querida família acreana.

Uma segunda virtude de Tufi aqui neste plano físico foi o de saber ser um bom amigo e bom irmão. Cultivando as qualidades de lealdade e fidelidade.

Disse o Nosso Senhor Jesus Cristo a seus amigos:

— Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como Eu vos amei; que dessa mesma maneira tenhais amor uns para com os outros.

Uma terceira virtude do Amigo Tufi nesta passagem pela crosta terrestre foi a honestidade, aqui compreendida como senso de justiça. Patriarca de uma numerosa família, Tufi nos lembra do santo maior da cristandade, nosso Patriarca e símbolo, o Senhor São José, que teve como principal qualidade ser um homem justo.

Ah… os adjetivos seriam poucos e os bytes do computador insuficientes para continuar a descrever as virtudes e qualidades deste general de Juramidã: Tufi Rachid Amim.

Eu sou feliz eu sou feliz eu sou feliz

Eu sou feliz porque estou no meu país.

(Hino 01 do seu Hinário)

Tufi está feliz, pois voltou à sua pátria espiritual, retornou ao seu país, como afirma no seu primeiro hino.

Cumpriu a sua missão aqui na Terra de bom pai, bom marido, bom amigo e bom irmão.

Amigo Tufi, hoje, 3 de maio de 2016, na Santa Missa anual em benefício de vossa alma, rezamos e rogamos por ti. Rezai e rogai por nós também.

Vou-me embora vou-me embora

Vou pra junto de Mamãe

Vou atender o chamado

Do Velho Juramidã.

Meu Velho Juramidã

Me ensina com amor

Eu agradeço a meu Mestre

Pelo Vosso santo amor.

A Rainha da Floresta

Ao Nosso Mestre ordenou

Para ele nos ensinar

O caminho do amor.

Jesus Cristo Redentor

Pelo Vosso santo amor

Eu entrego o meu espírito

Com carinho e com amor.

Minha Mãe, minha Rainha

Criadora e protetora

Guardai minha matéria

Nesta grandiosa Terra.

(Hino 40, Hinário de Tufi Rachid Amim)

Louvado seja o Nosso Senhor Jesus Cristo!

Sobre o autor

Juarez Duarte Bomfim
Baiano de Salvador, Juarez Duarte Bomfim é sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Tem trabalhos publicados no campo da Sociologia, Ciência Política, Teoria das Organizações e Geografia Humana. Diversas outras publicações também sobre religiosidade e espiritualidade. Suas aventuras poético-literárias são divulgadas no Blog abrigado no Jornal Grande Bahia. com.br.