Projeto Feira Mimus apresenta espetáculo ‘Alegria de viver’

Cena do espetáculo 'Alegriade Viver'.

Cena do espetáculo ‘Alegriade Viver’.

Mimus Companhia de Teatro movimenta a formação de artistas em Feira de Santana e atrai o público para seus espetáculos por meio de diferentes expressões culturais. A temporada do projeto Feira Mimus acontece no Centro de Cultura Amélio Amorim com espetáculos a preços populares e oficinas e palestras gratuitas, com a participação dos atores baianos Deborah Moreira e George Mascarenhas. O projeto tem apoio financeiro do Governo do Estado, através do Fundo de Cultura, Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura da Bahia.

A prática artística da Mimus Companhia de Teatro, baseada na técnica de Mímica Corporal Dramática (MCD) de Etienne Decroux, ator mímico francês, tem feito sucesso em Feira de Santana com o projeto Feira Mimus, que estreou neste mês março e tem ainda duas novas temporadas em abril e maio de 2016, com uma série de eventos: espetáculos, oficinas e palestras, conduzidas pelos atores e diretores baianos Deborah Moreira e George Mascarenhas, que fazem circular o repertório cênico da Companhia pelo interior da Bahia com o intuito de formar e atualizar artistas locais.

Todas as ações acontecem no Centro de Cultura Amélio Amorim – Av. Presidente Dutra, 222, Capuchinhos, 343 lugares (75) 3612-4516. Depois da apresentação inédita do espetáculo “O Tigre”, em marco, a próxima encenação será “Alegria de Viver”, de 15 a 17/04 (sexta a domingo), sempre às 19h. O texto da peça remete ao valor e ao papel transformador da arte para a cultura, o pensamento e a visão do mundo contemporâneo. O tema será ampliado e discutido na oficina “Mímica Corporal e Criação Cênica”, dias 15 e 16/04 (sexta e sábado), das 9h às 12h, e na palestra “Mímica Corporal Dramática – Princípios Poéticos”, dia 16/04 (sábado), às16h. O espetáculo tem preço popular (R$ 10,00 inteira e R$ 5,00 meia entrada), as oficinas e palestras têm certificação e as inscrições, gratuitas, podem ser feitas on line pelo www.mimus.com.br.

“Tentamos articular os temas das oficinas e das palestras com os processos artísticos que utilizamos na criação dos nossos espetáculos e em nossa prática artística”, revela George Mascarenhas. Segundo ele, os temas têm relação com o estudo da mímica corporal dramática com a utilização de metodologias para a construção de partituras de movimento e a criação dramatúrgica.O objetivo da Mimus Companhia de Teatro é permitir o contato inicial com uma noção geral das técnicas apresentadas, princípios artísticos e procedimentos de criação, de modo que o participante tenha um pequeno instrumental com o qual possa, posteriormente, desenvolver seu próprio trabalho. “Pretendemos que as pessoas possam ter seu interesse ainda mais despertado pelo estudo do teatro a partir do trabalho da mímica corporal do ator, que é a técnica de base com a qual dialogamos em nossa prática artística”, completa Deborah Moreira.

Com relação às palestras, que se configuram mais propriamente como um bate-papo, são provocadas discussões para demonstrar e exemplificar o que acontece no próprio espetáculo em cartaz a cada temporada. “Assim, neste próximo mês de abril, abordaremos o processo criativo utilizado na elaboração do espetáculo, a partir da mímica corporal, articulando o tema à oficina do mês, na qual facilitaremos a construção de uma partitura corporal”, explica Mascarenhas. Para ele, a formação de um artista depende sempre da diversidade e da qualidade das informações com as quais ele tem contato e essas oficinas e bate-papos têm um caráter de troca de vivências, experiências e informações disponíveis para sua livre utilização em um processo criativo. Assim, o projeto Feira Mimus pretende ampliar as possibilidades de acesso e difusão dos princípios básicos, de modo que os participantes possam seguir com os estudos, ampliar ou aprofundar seus conhecimentos. “Como nossa formação técnica é aplicada na cena que construímos, acreditamos que assistir aos espetáculos, participar das oficinas e ter um bate-papo com a equipe permite criar um panorama mais completo do modo como trabalhamos, das metodologias que utilizamos, das adesões poéticas de nosso fazer artístico e tudo isso pode ser comparado com o modo próprio de criação de outros artistas, permitindo que escolhas já feitas sejam sustentadas, discutidas ou mesmo renovadas. O principal desejo é o encontro próximo com as pessoas através do fazer artístico e de uma troca de saberes”, comenta George Mascarenhas.

“Alegria de Viver”

Desde sua primeira apresentação, a peça Alegria de Viver conquistou público e crítica, sendo indicada ao Prêmio Braskem 2010 nas categorias Melhor Texto e Melhor Ator. O espetáculo parte de referências do quadro homônimo que o artista francês Henri Matisse pintou em 1905 para falar sobre histórias pessoais, o valor da criação em todas as dimensões e temas da atualidade. Agora, “Alegria de Viver” tem apresentação inédita em Feira de Santana e traz ao palco os atores George Mascarenhas e Deborah Moreira, que brincam com as diversas possibilidades trazidas pelo texto, com instigantes reviravoltas em cada cena, à procura de um novo estilo de criação.

Revoltada com a atitude do seu criador, uma Escultura ganha vida para reivindicar seu lugar. Daí tem início o jogo que lida com o enigma da criação: quem é o artista e quem é a obra de arte? Como em um caleidoscópio, personagens revezam-se nas diferentes faces de cada um. Os diálogos são alinhavados por projeções em vídeo, criadas pelo jovem cineasta Dedeco Macedo, a partir das pinturas de Matisse e Zuarte Jr,  da música de Luciano Salvador Bahia e Erik Satie e iluminação de Luciano Reis. O resultado é um espetáculo leve, pleno de beleza, poesia, reviravoltas e humor. O espetáculo foi escrito por Deborah Moreira, dramaturga, também atriz, que protagoniza a ação ao lado de George Mascarenhas, diretor da montagem, que utiliza todos os elementos cênicos a serviço da expressividade corporal que serve para provocar as memórias e pensamentos sobre os nossos próprios rastros.

“De algum modo, a ambientação, figurinos, iluminação, música e projeções têm, cada um, um papel importante na criação deste ambiente, na visualidade e como elementos sensoriais do espetáculo. Mas a peça está centrada nos atores e são eles que precisam, no diálogo com o entorno e com o público, gerar as questões, provocações e emoções que desejamos”, elucida o diretor, com o desejo de que todos possam se divertir e aprender com o espetáculo.

Os espetáculos da Companhia propõem experimentar os princípios técnicos e artísticos da MCD, associados a perspectivas e poéticas de teatralidades contemporâneas. A articulação entre a corporeidade dilatada, a construção cênica e uma dramaturgia textual original e autônoma tem sido a tônica do trabalho de Deborah Moreira e George Mascarenhas. Os atores escolheram Feira de Santana para sediar o novo trabalho da dupla no interior da Bahia, para onde sempre levam suas histórias e questionamentos, em função da própria efervescência cultural da cidade.

“Resolvemos revisitar obras de arte que nos tocavam e nos deparamos com o quadro do pintor francês Henri Matisse, intitulado ‘Alegria de Viver’, uma obra prima do modernismo histórico do início do século XX. Ao mesmo tempo, estávamos lendo a peça de Rousseau, de 1762, intitulada Pigmaleão, baseada no mito grego de um escultor que construiu uma escultura de mulher, Galatéa, tão absolutamente perfeita que se apaixonou por ela. Por misericórdia, a deusa Afrodite transforma a escultura de pedra em uma mulher e os dois seguem apaixonados pela vida. Na peça de Rousseau, ao criar vida, a escultura passeia pelo ateliê e curiosamente não se reconhece mais como pedra. Em Alegria de Viver, brincamos com o avesso de Pigmaleão. O artista não só não está apaixonado por sua obra, como está absolutamente desencantado e resolve quebrar e vender tudo, para buscar uma nova forma de criar. Então, sua escultura ‘clássica’ ganha vida para reivindicar o seu lugar… e em algum ponto do caminho, encontram-se com a obra de Matisse. Muitas inspirações e caminhos cruzados”, reflete George Mascarenhas.

Deborah Moreira completa e diz que muitas vezes, como artistas, eles entram em choque com o mundo, com as próprias criações e também com as criações de outros artistas. ”Queríamos falar disso: do papel do artista, do valor da arte no mundo contemporâneo (com tantos apelos de diferentes ordens), com essa pergunta que paira sobre o que é e quando existe arte. Estamos interessados em falar de coisas que atinjam o coração das pessoas. Então, embora o enredo de Alegria de Viver envolva a relação de um artista com a sua criação, queremos mesmo é falar dos rastros que cada um de nós deixa no mundo. Provocamos essa reflexão, da memória, dos rastros, a partir da imagem de Matisse, de Pigmaleão, da imagem corporal dos atores, dos objetos e das projeções audiovisuais”.

Para isso, os atores utilizam elementos cênicos facilmente identificáveis. Figurinos e objetos remetem a esses personagens (Escultor e Escultura), em um espaço aberto que vai sendo definido à medida em que a cena avança, com uma ambientação inspirada em desenhos da Bauhaus (a escola de arte de vanguarda alemã do início do século) e objetos que brincam com as noções de clássico e contemporâneo, para provocar a discussão temática. A música brinca com trechos do também modernista Erik Satie, com intervenções feitas por Luciano Salvador Bahia e a cena se completa no diálogo com as projeções criadas por Dedeco Macedo e na iluminação de Luciano Reis e Elinho Rosa. Em cena, o movimento corporal dos atores dá vida a um texto que aborda temas sérios, poéticos, mas com muito humor e com essa característica de exploração dramatúrgica do trabalho de Deborah Moreira, que é a fragmentação, a superposição de elementos e o jogo com diferentes estilos e poéticas.

Agenda

“Alegria de Viver”, de 15 a 17/04

Quando: Sexta a domingo, sempre às 19h

Feira de Santana: Sala principal do Centro de Cultura Amélio Amorim – Av. Presidente Dutra, 222, Capuchinhos, 343 lugares. | Feira de Santana

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