Peço licença para compartilhar o meu texto sobre o voto do deputado Jair Bolsonaro

Deputado Jair Messias Bolsonaro (PP/RJ), exemplo de político conservador/reacionário e homofóbico.

Deputado Jair Messias Bolsonaro (PP/RJ), exemplo de político conservador/reacionário e homofóbico.

Do que é capaz um parlamentar que homenageia um torturador? Ainda mais homenageia o torturador da presidente em sua fala no Congresso Nacional, ao votar a favor da admissibilidade de seu processo de impeachment? Transcrevo sua fala: “Pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Roussef” (Jair Bolsonaro).

 A que grau de crueldade este sujeito é capaz de chegar? Enaltecimento da tortura? Massacre psicológico a alguém Q foi torturado? Requinte de crueldade? Em muito esse ato ultrapassou uma avaliação de crime de responsabilidade ou uma desavença política… Ele foi perverso. Aqui se explicitou a crueldade humana, o MAL, como diria Hanna Arendt. Perante todo o Brasil e brasileiros, num momento de audiência geral da nação, ele trouxe de volta um dos capítulos mais macabros da nossa história – a tortura- e trazendo para um lugar de homenageado, um torturador.

Não estou aqui defendendo Dilma enquanto presidente, e nem entrando no mérito do impeachment Estou aqui externalizando o enaltecimento, por um parlamentar, do pior dos atos de violação de Direitos Humanos que pode haver: o ato de tortura. E ainda mais! Bolsonaro, num requinte de crueldade, personifica o ato, trazendo o fato de a presidente ter sido torturada, e sendo à memória do seu carrasco que, em rede nacional, dedica seu voto.

Como pessoa me senti violada. Como cidadã, me senti aviltada. Ao mesmo tempo, porém, Bolsonaro traz a “defesa das crianças” nas escolas… Parabeniza Cunha por sua condução do processo… Se colocando como um homem que defende a família de modo enfático. Mas qual exemplo mesmo traz aqui? Cunha, réu em processos, com provas abundantes de corrupção. Mas não dizia Bolsonaro que bandido bom é bandido morto? “Cuidado” com as criancinhas. Será mesmo que a homenagem a um torturador é um bom exemplo para a formação das crianças? Não será esse exemplo o mais danoso de todos, para a formação moral de jovens cidadãos? Aprender que a tortura é um ato valoroso, digno de homenagem?

Isso não pode passar. Sua fala não foi nem um pouco ingênua. Fala pensada, Contraditória, Cruel, Emocional e Perversa. Homenagem à tortura, prática esta proibida pela Constituição Federal, que adotou como princípio fundamental a dignidade da “pessoa humana”, sendo um direito fundamental não ser submetido à tortura. Além disso, considera a prática da tortura é crime inafiançável, insuscetível de graça ou anistia: Constituição Federal 1988 Art. 5º III – ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante; XLIII – a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura , o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem; Sei que deputados federais têm imunidades, prerrogativas de função, mas neste caso, não seria esta homenagem um crime de decoro parlamentar ao homenagear, em rede nacional, um torturador? Não seria isto um estímulo ao crime da prática de tortura, ofendendo assim a Constituição em rede nacional?

Pois bem. Aos meus humildes olhos, esta fala do Bolsonaro tem uma mensagem nefasta para a nação e precisa ser devidamente cuidada. Aos que tem alguma simpatia por Bolsonaro, peço que reflitam sobre este exemplo de hoje. Será que é isso que queremos para nossas crianças? que possam ser torturadas um dia? Ou serem torturadoras? Será que queremos que esse exemplo prevaleça? Isso não se confunde em valorizar ou não as forças armadas, que fique claro! As forças armadas têm sua função e relevância. Isto tem a ver com o enaltecimento da prática de tortura, que hoje é expressamente coibida pela Constituição. Sinceramente. Sei que o momento do país está difícil. Mas jamais esperei ver uma demonstração de total perda do valor do ser humano como esta de hoje. Espero que sejam tomadas as providências cabíveis diante deste abuso explícito deste parlamentar. Não dá mais para fazer de conta que não vimos.

Autor desconhecido

Sobre o autor

Alberto Peixoto
Antonio Alberto de Oliveira Peixoto, nasceu em Feira de Santana, em 3 de setembro de 1950, é Bacharel em Administração de Empresas pela UNIFACS, e funcionário público lotado na Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, atua como articulista do Jornal Grande Bahia, escrevendo semanalmente, é escritor e tem entre as obras publicadas os livros de contos: 'Estórias que Deus Duvida', 'O Enterro da Sogra, 'Único Espermatozoide', 'Dasdores a Difícil Vida Fácil', participou da coletânea 'Bahia de Todos em Contos', Vol. III, através da editora Òmnira. Também atua incentivador da cultura nordestina, sendo conselheiro da Fundação Òmnira de Assistência Cultural e Comunitária, realizando atividades em favor de comunidades carentes de Salvador, Feira de Santana e Santo Antonio de Jesus. É Membro da Academia de Letras do Recôncavo (ALER), ocupando a cadeira de número 26. Saiba mais visitando: http://www.albertopeixoto.com.br