Manifestantes contra o impeachment voltam a acampar no centro do Recife

Uma das tendas é das mulheres, que temem perder direitos se houver impeachment.

Uma das tendas é das mulheres, que temem perder direitos se houver impeachment.

Representantes de movimentos sociais e estudantis, partidos políticos, centrais sindicais contrários ao impeachment da presidenta Dilma Rousseff (PT) voltaram a ocupar, nesta segunda-feira (25/04/2016), a Praça do Derby, na zona central do Recife. O novo acampamento, que desta vez ficará no local por tempo indeterminado, começou a ser montado nesta tarde.

O acampamento é liderado pela Frente Brasil Popular, um movimento que reúne dezenas de organizações sociais e partidos. O grupo é o mesmo que ocupou a praça nos dias anteriores à votação do processo de impeachment na Câmara dos Deputados. Desta vez, os manifestantes prometem ficar em vigília permanente e fazer do espaço público um centro de mobilizações e atos contra o afastamento de Dilma.

Eles protestam também contra o projeto nacional apresentado no fim do ano passado pelo PMDB, Ponte pra o Futuro, que deve ser usado como base se o vice-presidente Michel Temer vier a ocupar a Presidência da República, caso Dilma seja afastada.

“Está sendo feito um ataque aos direitos trabalhistas com a ponte para o futuro do Temer. Ele já disse que vai elevar a idade mínima da aposentadoria, vai reduzir salários e fazer privatizações, é isso que está proposto”, afirma o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) em Pernambuco, Carlos Veras. Para Veras, a greve também pode ser usada como instrumento de pressão para barrar o impeachment. Ele não entrou, porém, em detalhes sobre uma possível agenda de paralisações.

O movimento sindical está representado no grupo que ocupa da Praça do Derby, onde foram montados comitês da área de saúde, das mulheres, do campo e da juventude. Cada um ocupa uma tenda, onde são realizadas discussões de direitos e políticas públicas.

“Nossa prioridade absoluta é a defesa da democracia, o respeito ao voto popular. O que está posto nesse processo de impeachment é um golpe, porque não tem base legal para existir. Mas, sem a democracia, não temos direitos, então aproveitamos a oportunidade para discutir avanços e ameaças a direitos conquistados ou por conquistar”, diz Verônica Ferreira, militante do Fórum de Mulheres de Pernambuco.

Na tenda da saúde, já houve uma discussão sobre o impacto das epidemias de zika, chikungunya e dengue nos direitos das mulheres. “[Essas doenças] comprometem a renda, porque a mulher não consegue trabalhar e fica sobrecarregada, pois ela, geralmente, é a responsável pelos cuidados com o restante da família”, destaca Verônica.

Os acampados na praça programaram atividades para todos os dias da semana, que vai culminar com uma manifestação realizada no dia 1º de maio, Dia do Trabalhador. Os movimentos favoráveis ao impeachment ainda não fecharam agenda, mas avaliam a realização de um ato no mesmo dia. No último sábado (23) o movimento Vem pra Rua instalou placas na areia da Praia de Boa Viagem, no Recife, com os rostos de senadores indecisos e contrários ao afastamento de Dima Rousseff, em um ato que ficou conhecido como “enterro da vergonha”.

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