Leonardo Meirelles diz que Alberto Youssef informou que propina tinha como destino deputado Eduardo Cunha

Conselho de Ética ouviu o empresário Leonardo Meirelles, que já teve o termo de delação premiada firmado com a Procuradoria Geral da República (PGR) homologado no âmbito da Operação Lava Jato.

Conselho de Ética ouviu o empresário Leonardo Meirelles, que já teve o termo de delação premiada firmado com a Procuradoria Geral da República (PGR) homologado no âmbito da Operação Lava Jato.

Em resposta ao deputado Marcos Rogério (DEM-RO), relator do processo contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, no Conselho de Ética, o empresário Leonardo Meirelles disse, nesta quinta-feira (07/04/2016), em depoimento, que não tem conhecimento de transferências feitas de suas empresas diretamente para contas de Cunha no exterior.

“Que eu tenha conhecimento, não. São mais de 400 pagamentos de minhas empresas para terceiros no exterior. Eu não conseguiria identificar quem é. Geralmente são empresas offshore que, por terem nomes fictícios, não mostram o nome da pessoa física.”, disse.

Meirelles afirmou, entretanto, que ouviu em um almoço informal com o doleiro Alberto Youssef – preso pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal – que o destinatário final de uma transferência de 5 milhões de dólares em propina seria o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

“Uma semana após [a transferência], almoçando com o Alberto [Youssef] ele comentou informalmente: ‘você nem sabe a pressão que eu estava sofrendo, graças a Deus eu consegui concretizar aquela transferência grande'”, disse Meirelles, acrescentado que, nessa oportunidade, ouviu do doleiro que a transferência seria para o Rio de Janeiro e teria como destinatário Eduardo Cunha.

O empresário revelou ao colegiado que suas empresas eram usadas por Youssef para simular contratos de importação e exportação fictícios, com posterior pagamento de propina a inúmeros clientes e fornecedores do doleiro.

“Inclusive, sobre o assunto que estamos tratando aqui hoje, Alberto Youssef me chamou no escritório dele, informando que teria uma remessa maior, cerca 5 milhões de dólares, e haveria a necessidade de fazer um contrato de uma empresa no exterior com a minha, a RFY ”, disse ele, em referência a suposta transferência de recursos ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.

O empresário, que atuava direta e indiretamente na gestão das empresas Labogen, Piroquímica, RMV, HMAR e RFY praticando crimes de evasão de divisas ordenados por Youssef, disse ainda que por meio do contrato entre a Vigela Associated -de Júlio Camargo – e a RFY foram feitas duas remessas de 2,3 milhões de dólares, em julho e em outubro de 2012, e outra de 400 mil dólares, em novembro de 2012, ao exterior. Segundo ele, os valores foram repassados, posteriormente, já em reais, para Youssef.

Também em resposta ao relator, Meireles disse que o dinheiro destinado pela Vigela Associated a suas empresas era de origem ilícita. “O contrato firmado entre minha empresa e a Vigela era fictício. O dinheiro, portanto, é ilícito”, afirmou.

Por sua vez, o deputado Júlio Delgado (PSB-MG) perguntou se poderia dizer que todo o dinheiro movimentado pelas empresas dele não foi declarado. “Não, até porque eu fui responsabilizado por isso”, respondeu Meirelles.

Destino do dinheiro

O deputado Sandro Alex (PSD-PR) questionou o depoente se Alberto Youssef chegou a comentar se os 5 milhões de dólares, supostamente repassados a Eduardo Cunha, tinham como objetivo quitar dívidas envolvendo contratos da Petrobras.

“Sim, porque, no principio das operações, as empresas de fachada usadas pelo Youssef eram prestadoras de serviço das empreiteiras e, por conta disso, a origem dos recursos foi a emissão de nota fiscal em contratos fictícios”, declarou. “Aí no Coaf [Conselho de Controle de Atividades Financeiras] e no Banco Central, as informações vão sendo cruzadas e haverá mais informações ao longo do tempo”, completou.

Leonardo Meirelles, que já teve o termo de delação premiada firmado com a Procuradoria Geral da República (PGR) homologado, está em liberdade desde 11 abril de 2014.

Pirotecnia

O deputado Carlos Marun (PMDB-MS) disse que a vinda de Meirelles ao Conselho é um “ato de pirotecnia” para servir à disputa política que envolve deputados pró e contra o impeachment da presidente da República, Dilma Rousseff. “Nós não podemos permitir que o conselho se sirva a isso. Aqui nós temos que nos ater às provas. Deveríamos ter antes consultado se o depoente tinha alguma prova robusta”, disse Marun.

O presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados, deputado José Carlos Araújo (PR-BA), destacou que Leonardo Meirelles veio ao conselho depor como testemunha por conta própria. Segundo Araújo, a direção da Câmara não se manifestou a tempo sobre o pedido de custeio da vinda do depoente para prestar esclarecimentos ao colegiado.

Acusação

Cunha responde à representação do Psol e da Rede na qual os partidos sustentam que o presidente da Câmara mentiu em depoimento espontâneo à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras quando afirmou que não tem contas no exterior.

O presidente da Câmara sustenta que era beneficiário de um truste — o que, pela legislação em vigor, não precisava ser declarado à Receita Federal —, e não proprietário de contas.

Cunha afirma ser inocente e ressalta não ter cometido nenhuma irregularidade. Ele diz que foi escolhido para ser investigado como parte de uma tentativa do governo de calar e retaliar a sua atuação política.

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