Exclusiva: presidente da Fundação João Mangabeira, José Renato Casagrande avalia conjuntura política nacional e comenta sobre posição do PSB nas eleições de 2016

Presidente da Fundação João Mangabeira (FJM), José Renato Casagrande e a senadora Lídice da Mata (PSB/BA). Entrevista abordou as opções políticas do PSB.

Presidente da Fundação João Mangabeira (FJM), José Renato Casagrande e a senadora Lídice da Mata (PSB/BA). Entrevista abordou as opções políticas do PSB.

Domigos Leonelli, presidente do Instituto Pensar; Angelo Almeida, pré-candidato a prefeito de Feira de Santana pelo PSB, e José Ranto Casagrande, presidente da Fundação João Mangabeira (FJM). Entrevista foi concedida em Feira de Santana, durante seminário ‘Feira Cidade Criativa’.

Domigos Leonelli, presidente do Instituto Pensar; Angelo Almeida, pré-candidato a prefeito de Feira de Santana pelo PSB, e José Ranto Casagrande, presidente da Fundação João Mangabeira (FJM). Entrevista foi concedida em Feira de Santana, durante seminário ‘Feira Cidade Criativa’.

O presidente da Fundação João Mangabeira (FJM), José Renato Casagrande, em entrevista exclusiva, concedida no sábado (16/04/2016) ao Jornal Grande Bahia, avalia a conjuntura política nacional, e comenta sobre a opção do Partido Socialista Brasileiro (PSB) em apoiar o relatório que recomendou o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Ele avalia, também, a participação do PSB nas eleições municipais de 2016, e faz um prognóstico da posição do partido na eleição para presidente da República, em 2018.

Formado em Engenharia Florestal, José Renato Casagrande, além de presidir a FJM – entidade ligada ao Partido Socialista Brasileiro – foi eleito pelo PSB do Espírito Santo, deputado estadual e federal, senador (2007-2010) e governador (2011-2015).

Confira a entrevista

Jornal Grande Bahia – Como avalia o cenário político atual?

José Renato Casagrande – Avalio com preocupação e tristeza, porque as saídas que estão oferecendo ao povo brasileiro não são boas. Se Dilma permanece, ela terá muita dificuldade de fazer a retomada do crescimento da economia brasileira, se sai Dilma e entra Michel Temer, será um presidente que, também, estava convivendo com a Dilma o tempo todo e teoricamente tem responsabilidade em tudo que está acontecendo no país, e circundado por lideranças que estão denunciadas na operação Lava Jato.

O Temer, na opinião brasileira, tem a vantagem por não ter exercido a posição de presidência no país, e há uma desesperança tão grande quanto a nação com relação ao governo da presidente Dilma que qualquer oferta hoje, vira uma opção melhor do que a gente está tendo. Mas, qualquer que seja a saída, não temos segurança de como ficará o Brasil após a decisão do Congresso Nacional.

JGB – O PSB esteve próximo do PT durante esse processo em que o PT ocupou a presidência do República, e nessa última eleição (2014) fez uma opção pela candidatura de Eduardo Campos (10/08/1965 – 13/08/2014). Como avalia a tomada de posição do PSB nesse cenário?

Renato Casagrande – O PSB saiu do governo em 2013. Nós entregamos os ministérios. Eduardo Campos tinha conversado com a presidente Dilma, com o ex-presidente Lula, tinha dito que o governo estava indo no caminho errado. O governo não prestou atenção, não levou em consideração. Conduzindo o PSB a entregar dois ministérios e seguir o próprio caminho.

Então, desde 2013, nós nos afastamos por não acreditar no projeto liderado pela presidente Dilma no nosso país. De lá para cá, então, o PSB teve a candidatura de Eduardo Campos para presidente. Com a morte dele, ocorreu o apoio à candidatura de Marina Silva (REDE).

No segundo turno das eleições de 2014, o PSB, como partido nacional, teve dissidência, como foi o caso da Bahia. Mas o PSB tomou uma posição de majoritariamente apoiar a candidatura de Aécio Neves (PSDB). Optando pelo enfrentamento da campanha, que é muito dura, e pela descrença com relação ao que está sendo representado na candidatura da presidente Dilma (PT) e Michel Temer (PSDB).

Então, de lá para cá, nós não tivemos uma reaproximação. Consideramos que tivemos um avanço no governo do presidente Lula, e Eduardo Campos reconhecia isso. Tivemos avanço no governo de Fernando Henrique Cardoso, e Eduardo reconhecia isso. Mas o PSB faz avaliação que nem o governo do PSDB nem os governos do PT tiveram a competência e o compromisso de fazer as grandes reformas estruturantes que esse Brasil precisa. Tanto é correta a afirmativa, que nesses 31 anos de redemocratização, de tempo em tempo, ocorre uma crise.

JGB – Como avalia a presença do PSDB e do PT na direção do país?

Renato Casagrande – Nós compreendemos que nem o PSDB que teve essa oportunidade com o presidente forte como foi Fernando Henrique Cardoso. Nem o PT, que teve oportunidade, quando teve Lula como presidente da República. Esses partidos e esses presidentes não lideraram as reformas profundas que nós precisávamos ter e precisamos ainda ter.

É só ver o que é que é o sistema político brasileiro é um mercantilismo. Virou de fato um ambiente totalmente desorganizado, com cada político querendo um partido para ele e isso não fortalece ideias, projetos, não identifica partido com a sociedade.

Então perdemos, nesses 31 anos de redemocratização. Nós perdemos em algumas coisas, avançamos na democracia, em programas sociais, avançamos na estabilização econômica, mas perdemos a oportunidade de fazer reforma política, reforma tributária, a reforma federativa de poder se dar aos municípios o poder de autonomia e não ficar dependente do apoio de um estado do governo federal, perdemos essa oportunidade e essa inação com relação aos projetos estruturantes, é que leva o país a ter que conviver com crises permanentes, ou crise de tempo em tempo, e isso não gera esperança a população brasileira.

JGB – O senhor acredita que com o Congresso Nacional reacionário, de maioria conservadora, é possível fazer reformas profundas?

Renato Casagrande – É possível, quando um projeto forte atua. Se depender do Congresso Nacional, com essa pulverização de partido, com essa posição política, o Congresso se anula e não consegue votar em nada de importante, a não ser quando é uma medida muito conservadora, que aí as forças majoritárias se movimentam.

Então, o Congresso Nacional precisa sempre de uma ação externa para ajudar a organiza-lo e essa ação externa é o presidente da República ou a presidenta da República, que tem que liderar votações importantes.

JGB – Lhe causa constrangimento ter um processo de impeachment liderado por Eduardo Cunha?

Renato Casagrande – Causa constrangimento, e a liderança de Eduardo Cunha (PMDB/RJ) é o sintoma e o retrato do que é o Congresso brasileiro, hoje. Um presidente que é réu e que tem diversas denúncias. A depender do Congresso, ele tem muita chance de escapar e até permanecer como presidente da casa até o fim do mandato.

Então, cria constrangimento não só para este processo, porque o processo tem que ser conduzido por quem é presidente. Mas cria constrangimento como brasileiro e como cidadão que no dia-a-dia observa o uso da estrutura da máquina congressual para atender e atingir interesses pessoais.

JGB – Estamos em um ano eleitoral, 2016. Como analisa a posição do partido no contexto nacional? Poderíamos nos dar um prognostico de quantas candidaturas em cidades de grande e médio porte o PSB acredita que pode participar na disputa majoritária?

Renato Casagrande – O partido terá em torno de 13 a 15 candidaturas nas capitais. Candidaturas com potenciais de eleição. Aqui, na Bahia, nós não teremos candidatura em Salvador, a princípio. A não ser que a Lídice da Mata se transforme na candidata apoiada pelo grupo do governador Rui Costa. Mas, teremos um bom número de candidatos a vereador.

Dificilmente um partido terá esse grande número de candidatura, que o PSB, na disputa pela prefeitura das capitais. Também teremos em diversos locais candidaturas importantes. Teremos, candidatura aqui em Feira de Santana com Ângelo Almeida; em Ilhéus, com Bebeto e em outras cidades importantes da Bahia, nós teremos candidatura do PSB, a exemplo de Irecê, com Elmo Vaz.

Nós teremos, também, candidaturas em cidades como Campinas, em São Paulo, teremos candidatura em cidades importantes de todos os estados do Brasil. Vamos ter, com certeza, aproximadamente 1.300 a 1.500 candidatos à prefeitos em todo o país. Elegemos nas eleições de 2012 poucos mais de 400 prefeitos e, esperamos e temos a expectativa de passarmos esse número na eleição de 2016.

JGB – Com a morte de Eduardo Campos (2014), principal liderança do PSB, o partido parece ter perdido um pouco a capacidade de projetar uma candidatura à presidente da República com capacidade competitiva. Existe algum nome sendo trabalhado nesse cenário?

Renato Casagrande – O PSB de fato perdeu o Eduardo Campos, que foi uma liderança que pela competência que projetou e pela união do partido, nós ajudamos a projetar. Então, o projeto nosso era eleger Eduardo em 2014 e se não desse, eleger em 2018. Ter perdido Eduardo foi para o Brasil um grande prejuízo. É só ver aí que as lideranças colocadas não têm nenhuma novidade naquilo se apresenta para o eleitorado brasileiro. Então, hoje, nós não temos uma liderança nacional consolidada.

O partido vai ter que escolher dois caminhos, ou o projeta liderança como a minha e a da senadora Lídice da Mata, ou de outros senadores, projetando uma liderança regional para tentar transformá-lo em uma liderança nacional; ou nós vamos ter que fazer uma aliança do que é fundamental que a gente conceba enquanto projeto de nação e tome de decisão, nessa hora, que a gente mantenha o espírito de ofertar á população brasileira o direito de escolha. Não só de ter uma opção, de um e outro nome para presidente da República, mas ter o direito de escolha de um projeto político alternativo.

JGB – Poderia ocorrer uma aliança com Marina Silva?

Renato Casagrande – Marina Silva é aliada nossa e é uma figura que se posiciona bem nesse contexto. Na minha avaliação, ela, como liderança nacional, foi a que melhor se posicionou em todo esse processo que está em nosso campo de discussão, e nós não descartamos a possibilidade de uma candidatura nossa de puro sangue (apenas com membros do mesmo partido). Mas, também, não descartamos uma aliança com a Rede, com PDT, com PPS e com partidos que estão debatendo conosco este momento de gravidade da política brasileira.

JGB – Teorias da conspiração. Muitas teorias surgiram para explicar o acidente que levou a morte de Eduardo Campos, o que o senhor pensa sobre isso?

Renato Casagrande – Nenhuma conspiração. Infelizmente foi uma sequência de erros que levou a essa fatalidade, não tem nada além disso. Os estudos e investigações feitas por nós e pelas autoridades tem apontado nessa direção.

Sobre o autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto Oliveira da Silva (Carlos Augusto) é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF). Atua como jornalista e cientista social. Telefone: (75)98242-8000 | E-mail: diretor@jornalgrandebahia.com.br.