Ex-secretário-geral do PT diz que não recebeu “cala boca” pelo mensalão

O ex-secretário-geral do PT, Silvio Pereira, disse na segunda-feira (04/04/2016), em depoimento à Polícia Federal, que os valores recebidos das empreiteiras OAS, UTC e Tomé Engenharia não foram uma “forma de cala boca pelo caso do mensalão”, mas sim pagamento por serviços prestados para as empreiteiras, como fornecimento de cestas de Natal, por meio de sua empresa de eventos.

Silvinho, como é conhecido pelos petistas, foi preso na semana passada, na 27ª fase da Operação Lava Jato, chamada de Operação Carbono 14 pelo Ministério Público e a polícia. Pereira foi investigado pela Polícia Federal no caso do mensalão, mas fechou transação penal com a Procuradoria-geral da República (PGR) e não foi denunciado ao Supremo Tribunal Federal (STF).

No depoimento, o ex-secretário petista declarou que entregou à OAS, por meio da DNP Eventos, um pacote promocional de cestas para os funcionários da empresa no valor de R$ 80 mil. No caso da UTC, o serviço de cestas foi de R$ 35,7 mil, em 2011. Questionado sobre outros pagamentos citados nas investigações, o ex-secretário não soube responder. “Não sabe dos serviços para a construtora OAS nos anos de 2009 a 2011, os quais atingiram o montante de R$ 486,1 mil.”, diz o depoimento. A força-tarefa da Lava Jato investiga cerca de R$ 1,1 milhão recebidos pelas empresas do ex-secretário.

Sobre sua relação com o executivo da OAS Léo Pinheiro, investigado na Lava Jato, Silvio Pereira disse que o conhece desde “governo da prefeita Erundina”. Acrescentou  que voltou a ter contato com o executivo “na eleição de Lula”, porque tinha um “cadastro de indicações do governo”. Segundo ele, os empresários o procuravam porque achavam que ele nomeava as pessoas indicadas, sendo que, na verdade, a tarefa era da Casa Civil.

Silvio Pereira também declarou que não tem conhecimento sobre os “fatos vinculados” à morte do ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel, assinado em 2002. “Não sabe de algo que envolve Lula. José Dirceu e Gilberto Carvalho na morte de Celso Daniel”, diz trecho do depoimento.

No depoimento, Silvio Pereira também foi questionado sobre o recebimento de um jipe Land Rover, da empreiteira GDK, em 2004. Na época, o caso foi investigado no processo do mensalão. Segundo ele, em um encontro com uma pessoa chamada Cesar, então presidente da empresa, comentou que “o poder era efêmero e que o importante era realizar os sonhos” e ainda disse ‘era um sonho ter um jipe de guerra”.

De acordo com os investigadores da Lava Jato, o empresário Ronan Maria Pinto, dono de empresas de transporte público em Santo André (SP) e do jornal O Diário do Grande ABC, recebeu R$ 6 milhões, metade de um empréstimo entre o Banco Schain e o pecuarista José Carlos Bumlai, firmado em 2004. A legalidade do empréstimo é investigada na Lava Jato, na ação penal em que Bumlai é réu.

De acordo com a acusação do MPF, Bumlai usou contratos firmados com a Petrobras para quitar o empréstimo com o Banco Schahin. Segundo os procuradores, depoimentos de investigados que assinaram acordos de delação premiada revelam que o empréstimo de R$ 12 milhões se destinava ao PT e foi pago mediante a contratação da Construtora Schahin como operadora do navio-sonda Vitória 10.000, da Petrobras, em 2009.

Por causa das investigações da 27ª fase, o juiz federal Sérgio Moro suspeita que R$ 6 milhões, metade do empréstimo, foram repassados a Ronan Maria Pinto pelo PT, mediante extorsão do partido por parte do empresário, que teria ameaçado denunciar o esquema de corrupção da prefeitura de Santo André (SP), então comandada por Celso Daniel, assinado em 2002.

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