Eleições 2016 – Feira de Santana: ex-prefeito José Raimundo Azevedo diz que pré-candidatura é opção ao continuísmo e que gestões passadas o credenciam ao pleito

Pré-candidato a prefeito de Feira de Santana, José Raimundo Pereira de Azevedo critica gestão municipal e diz que falta diálogo com a comunidade.

Pré-candidato a prefeito de Feira de Santana, José Raimundo Pereira de Azevedo critica gestão municipal e diz que falta diálogo com a comunidade.

José Raimundo Pereira de Azevedo diz que falta oposição ao governo municipal.

José Raimundo Pereira de Azevedo diz que falta oposição ao governo municipal.

O ex-prefeito de Feira de Santana José Raimundo Pereira de Azevedo retornou à cena política ao ingressar no Partido Democrático Trabalhista (PDT). O partido estava sendo controlado, em Feira de Santana, por José Francisco (Zé Chico), aliado do prefeito José Ronaldo (DEM). Com o ingresso no PDT, especulações sobre uma possível pré-candidatura de José Raimundo foram levantadas na imprensa. O Jornal Grande Bahia entrevista o ex-prefeito sobre a iniciativa e como ele analisa o cenário político municipal.

Confira a entrevista

Jornal Grande Bahia – No meio político comenta-se que o senhor ingressou no PDT, formou uma nova executiva. O que é que existe de concreto nisto?

José Raimundo Pereira de Azevedo – É verdade. Eu até tenho dito que não me interessaria mais em ser candidato a cargo eletivo, mas um grupo de amigos, de pessoas que me acompanham, veem ponderando insistentemente para que a gente possa ter uma opção, mais uma opção para disputar a Prefeitura de Feira de Santana. Resolvi ingressar do PDT e assumimos a comissão provisória do partido em Feira.

Lançamos a nossa pré-candidatura a prefeito com o objetivo de que, primeiro, as pessoas tenham uma opção contra o governo autoritário, contra um governo que não ouve a população, que não ouve os reclames da comunidade e contra a corrupção de um modo geral. Então, colocamos nosso nome para que o povo tenha essa oportunidade para escolher.

JGB – Que grupo político, em âmbito estadual, lhe fez o convite para ingressas no PDT?

José Raimundo Azevedo – Nós estamos no PDT a convite do presidente do partido (Deputado Félix Júnior) e de outros amigos, mas não temos um grupo político.

Eu tenho colocado sempre de que a eleição deste ano é uma eleição diferenciada. Primeiro, porque não haverá doações para campanha de empresas, nem de grupo econômico, o que para mim é bom, porque eu nunca tive em época alguma esse tipo de apoio. Essa será uma eleição que todo mundo começa do zero. Só pode receber doação de pessoas físicas. Segundo motivo, porque eu acho também que grupo não está resolvendo mais nada em política, e infelizmente, nem os partidos. Porque hoje o povo escolhe a pessoa, o eleitor escolhe a pessoa, o que é até ruim para o sistema democrático. O bom é que a pessoa pudesse escolher partido. Mas, hoje, dificilmente existe partido, no sentido expresso da palavra. O povo tem votado em pessoas e não em grupo e em partidos.

Acredito que nós realizamos boas gestões em Feira de Santana. Desde o primeiro governo, quando eu fui prefeito por oito meses, e tenho os recortes jornais da época dizendo que fiz milagre. Porque resolvemos o problema financeiro da prefeitura e realizamos grandes obras, naquela época, e posteriormente em 1994, 1995 e 1996.

Nesse período, de 1994 a 1996, tivemos uma dificuldade financeira muito grande. Só para você ter uma base, os três anos de governo arrecadou um mês e meio do que se arrecada na atual administração. Então, imagine, em três anos tivemos orçamento equivalente a um mês e meio da atual administração.

Não existia SUS, não existia FUNDEB, o governo federal só mandava recurso quando a gente era do mesmo lado. Tinha interferência muito na época de Antônio Carlos Magalhães, que não deixava vir recursos para Feira de Santana. Não é como hoje, que o prefeito pode ser de qualquer partido e os recursos são automáticos, na educação o FUNDEB, e na saúde o SUS.

Então nós governamos Feira de Santana com toda essa dificuldade, inclusive no hospital da mulher, como repito sem o Sus, porque não existia o SUS e na educação quando pagamos um dos melhores salários do país também sem o Fundeb, foi muito difícil governar uma cidade com poucos recursos.

JGB – O senhor indica claramente que tem uma visão crítica ao governo que aí está. Como analisa o governo municipal, nos diferentes campos, saúde, educação, infraestrutura e na questão de fiscalização do uso e ocupação do solo?

José Raimundo Azevedo – O governo municipal atual precisa ouvir mais as entidades da sociedade organizada. Eu fiz muito isso, inclusive, vou colocar durante a campanha isso, apresentando os jornais da época mostrando um aumento de passagem de ônibus, por exemplo o aumento de passagem era discutido pela associação de moradores.

Avalio que na educação existem falhas. Observe que o recurso é carimbando, via Fundeb então é possível fazer mais. Tem uma coisa que fiz como secretário da educação que foi o PAR (Plano de Ação Articulado). Feira de Santana foi um dos primeiros municípios a entregar o plano e foi homenageado até no Palácio do Planalto pela presidente Dilma Rousseff. O plano previa para Feira de Santana a construção de 22 creches.

Na área da saúde tem muitas falhas, mas também existe o recurso do SUS, de maneira que eu acho que se pode fazer muito mais quando se ouve a sociedade organizada.

Primeiro o dever de fazer um plano de governo, ouvindo essa sociedade organizada, na área de saúde, ouvir todas essas pessoas ligada a essa área, e fazer um planejamento estratégico. Na área da educação, a mesma coisa. Na área de segurança, embora seja do Estado, mas nós pretendemos também reunir a sociedade para elaborar um projeto neste sentido. O mesmo pensamos para a área social e também na área de desenvolvimento econômico.

JGB – O Poder Legislativo se queixa da falta de presença no Poder Executivo, de indicar quadros para o Poder Executivo. Como o senhor analisa isso?

José Raimundo Azevedo – Bom, eu não tenho muito conhecimento dessa parte. Eu sei que existem algumas queixas. Mas, acho que a Câmara de Vereadores, hoje, é uma Câmara que não tem uma oposição forte. A oposição, hoje, não faz uma oposição que deveria fazer ao atual governo, porque a oposição é uma coisa importante.

O pessoal me pergunta porque eu gostava tanto de Messias Gonzaga, se ele era oposição ao meu governo. Porque era importante oposição. É necessária essa oposição. Então acho que o prefeito não tem oposição na Câmara.

JGB – Observando o cenário de Feira de Santana. Quais os aspectos colocaria como importantes para constar em um plano de governo?

José Raimundo Azevedo – Eu tenho muitas coisas que eu penso no momento. Mas, se a gente vai fazer um planejamento com a sociedade organizada, compete a sociedade organizada dizer o que é mais importante e o que ela quer para Feira de Santana. Então, eu acho que o importante no momento é ter um planejamento estratégico, a cidade tem que ter um programa.

Até hoje não me lembro de ninguém que tem que apresentar programa de governo em campanha eleitoral. Nós pretendemos apresentar este programa logo que ele seja elaborado pela sociedade organizada e pela comunidade, e essa comunidade que vai dizer.

Eu participei de gestões passadas. Fui vice do ex-prefeito Colbert Martins, e a gente fazia muito isso. Transferia um governo para um bairro e a sociedade lá, dizia o que é mais importante. Porque era muito fácil chegar e dizer que vou construir uma escola no bairro X, e comunidade dizer não, declarando que eles querem é um posto de saúde.

Os encontros são oportunidades, também, de mostrar à sociedade organizada um orçamento, um orçamento que tem que ser participativo. Porque não adianta eu dizer que vou construir, se eu não tenho dinheiro. Então, a gente tem que construir um orçamento participativo.

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Sobre o autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto Oliveira da Silva (Carlos Augusto) é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF). Atua como jornalista e cientista social. Telefone: (75)98242-8000 | E-mail: diretor@jornalgrandebahia.com.br.