Deputados pró e contra impeachment manifestam-se após leitura de parecer

Reunião da Comissão Especial do Impeachment, convocada para a leitura do relatório final.

Reunião da Comissão Especial do Impeachment, convocada para a leitura do relatório final.

Depois de mais de quatro horas de leitura, o deputado Jovair Arantes (PTB-GO), relator do pedido de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, encerrou a apresentação de seu parecer, favorável ao prosseguimento do processo de afastamento da chefe do governo. O parlamentar terminou a leitura rouco e aparentando cansaço.

Assim que Jovair encerrou a leitura do relatório, deputados favoráveis ao afatamento de Dilma gritaram: “impeachment, já”, ao que parlamentares contrários ao processo responderam: “não vai ter golpe”. Depois de alguns instantes de gritaria, os que defendem a saída de Dilma começaram a cantar o Hino Nacional, enquanto uma pessoa protestava, dizendo: “estão se apropriando de um símbolo nacional”. O hino é um dos símbolos nacionais. Os demais  são a bandeira, as armas e o selo nacional.

Pelo cronograma da Comissão Especial do Impeachment, com a apresentação do parecer do relator, será concedida vista coletiva de duas sessões legislativas para o documento. Em seguida, o relatório de Jovair Arantes será discutido pela colegiado. As discussões começam sexta-feira (8/04/2016) e serão retomadas segunda-feira (11) de manhã, dia em que os membros da comissão vão trabalhar até as 17h. Em seguida, deverá ter início a votação do relatório pela comissão.

Cassado em 2005, Roberto Jefferson volta à Câmara para defender impeachment

Onze anos depois de ter o mandato cassado, o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB) voltou hoje (6) à Câmara para defender a aprovação do impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Delator do mensalão e condenado a mais de sete anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) após o julgamento da Ação Penal 470, Jefferson prometeu “trabalhar duro” para unir o PTB a favor do afastamento de Dilma.

Militante da chamada tropa de choque do ex-presidente Fernando Collor Mello, cassado em 1992, Jefferson disse hoje que Dilma não tem mais condições de se manter à frente do país. “O governo acabou politicamente e moralmente. Não há condições mais de ela [Dilma] continuar à frente do governo. Como não temos um regime parlamentarista, vamos para o impeachment”, argumentou.

Conhecido por suas frases de efeito, Jefferson disse que o colega de partido Jovair Arantes (GO), relator da Comissão Especial do Impeachment, fez “um golaço de rasgar a rede” ao defender o prosseguimento do processo de afastamento. “Ele merece um troféu”, disse.

Para o ex-deputado, a batalha pelo impeachment não será fácil. “É uma luta do dia a dia, tem que ser buscada, não é uma luta fácil.”

Eduardo Cunha

Na avaliação do Roberto Jefferson, as acusações contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e o fato de o deputado ser réu em ação no STF não inviabilizam o trabalho do peemedebista à frente da sessão que votará o impeachment. “Ele conhece profundamente o regimento interno e tem dado um show de interpretação, de bom senso na aplicação. Está indo muito bem”.

Segundo Jefferson, Cunha trava uma batalha contra o PT, da qual vai sair vitorioso. “Ele vai vencer o duelo. O Lula [ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva] nunca esperou encontrar um pistoleiro tão bom quanto ele: rápido de gatilho, que atira pelas costas, atira na tocaia, rouba no jogo de pôquer, assalta o banco da cidade. O Lula nunca esperou encontrar um pistoleiro a altura dele. Ele [Cunha] é o meu herói”, ironizou.

Eleições Gerais

Em relação à proposta de realização de eleições gerais ainda este ano, defendida pela ex-senadora e ex-candidata à Presidência Marina Silva (Rede Sustentabilidade) e lideranças do PMDB, Jefferson disse acreditar que isso “enfraquece” o movimento pelo impeachment.

“Como ela [Marina Silva] é próxima ao PT e quer herdar parte dos eleitores do PT, está fazendo esse discurso, que é ruim e enfraquece essa decisão do Congresso, da sociedade de colocar um ponto final, um basta ao desgoverno do PT”.

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