Sobre os reacionários do PMDB que tentam dar o Golpe de Estado, afirma ministro do STF: “Meu Deus do céu, essa é nossa alternativa de poder”

Reunião do diretório nacional do PMDB, que oficializou o desembarque do governo federal. O ministro Luís Roberto Barroso: ‘Meu Deus do céu, essa é nossa alternativa de poder. Não vou fulanizar. Quem viu a foto, sabe do que eu estou falando. Portanto, o problema da política, nesse momento, é a falta de alternativa. Não tem pra onde correr. Isso é um desastre”.

Reunião do diretório nacional do PMDB, que oficializou o desembarque do governo federal. Sobre a imagem, o ministro Luís Roberto Barroso comentou: ‘Meu Deus do céu, essa é nossa alternativa de poder. Não vou fulanizar. Quem viu a foto, sabe do que eu estou falando. Portanto, o problema da política, nesse momento, é a falta de alternativa. Não tem pra onde correr. Isso é um desastre”.

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou hoje (31/03/2016), durante audiência com alunos da Fundação Lemann, a falta de alternância de poder e disse que a “política morreu”. As declarações do ministro se referiram ao desembarque PMDB da base aliada do governo da presidenta Dilma Rousseff.

“A política morreu, porque nós temos um sistema político que não tem um mínimo de legitimidade democrática”, disse Barroso, ao ser questionado pelos alunos sobre a atual crise política.

As declarações foram feitas durante audiência realizada na sala da Primeira Turma do STF. O ministro começou a conversa com os alunos dizendo que falava privadamente com eles, mas o diálogo foi transmitido pelo sistema interno da Corte para todos os gabinetes.

“O sistema deu uma centralidade imensa ao dinheiro e à necessidade de financiamento, e se tornou um espaço de corrupção generalizada. Estou falando aqui, em um ambiente acadêmico, como se eu estivesse com meus alunos. Quando, anteontem, o jornal exibia que o PMDB desembarcou do governo, e mostrava as pessoas que erguiam as mãos, eu olhei e disse: Meu Deus do céu, essa é nossa alternativa de poder. Não vou fulanizar. Quem viu a foto, sabe do que eu estou falando. Portanto, o problema da política, nesse momento, é a falta de alternativa. Não tem pra onde correr. Isso é um desastre.”

No meio de sua fala, Barroso foi alertado por sua chefe de gabinete de que a audiência estava sendo transmitido pelo sistema interno de tramissão das sessões do STF e disse: “Pede para desgravar. Ter transmitido, paciência, mas para não ter uma fita.”

Na foto, à qual Barroso se referia, aparece o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o senador Romero Jucá (PMDB-RR) e ex-minisitro da Aviação Civil Eliseu Padilha. A imagem foi feita na reunião do PMDB, realizada na última terça-feira (29), quando o partido decidiu deixar a base aliada do governo.

Ministro Luís Roberto Barroso diz que foro privilegiado é desastre para o país

Poucas horas antes de participar do julgamento no qual o Supremo Tribunal Federal (STF) vai decidir se o inquérito envolvendo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no âmbito da Operação Lava Jato permanece na primeira instância em Curitiba ou será enviado à Corte, o ministro Luís Roberto Barroso disse hoje (31/03/2016) que é contra a existência de foro privilegiado no país.

“Foro por prerrogativa de função é um desastre para o país, a minha posição é extremamente contra”, disse Barroso durante palestra sobre reformas do Estado no Centro Universitário de Brasília (Uniceub). “É péssimo o modelo brasileiro e estimula fraude de jurisdição, na qual, quando nós julgamos, o sujeito renuncia, ou quando o processo avança, ele se candidata e muda a jurisdição. O sistema é feito para não funcionar”, acrescentou.

Barroso admitiu a possibilidade de que haja proteção institucional a algumas autoridades eleitas, mas defendeu mais uma vez a criação de uma vara especial em Brasília, de primeira instância, exclusivamente para julgar autoridades.

“A autoridade, o parlamentar, as pessoas que estão expostas às vezes a um determinado tipo de má vontade ou de perseguição, elas podem ter algum tipo de proteção institucional, mas isso se realizaria com juízo de primeiro grau, em Brasília, com recursos para o Supremo ou o STJ [Superior Tribunal de Justiça]”, disse Barroso à plateia formada por alunos de direito.

Na saída do evento, o ministro evitou comentar, em entrevista a jornalistas, o processo de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff, em curso no Congresso Nacional. Na última sexta-feira (25, ele disse a integrantes da comissão especial de impeachment da Câmara que o STF não vai mudar a decisão que for tomada pelo plenário da Casa sobre a admissão do processo de impedimento de Dilma.

O STF decide hoje (31/03/2016) se o juiz Sérgio Moro, responsável pela investigação da Lava Jato na primeira instância, continuará na condução dos inquéritos contra Lula. O ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo, suspendeu as investigações que envolvem o ex-presidente, por entender que cabe à Corte analisar se Lula tem foro privilegiado e deve ser processado pelo tribunal.

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