Salvador, maquiada para reforçar a divisão socioeconômica | Por Ubirajara Coroa

Vista aérea de Salvador.

Vista aérea de Salvador.

Maquiagem. Esta é a melhor nomenclatura para definir o trabalho que vem sendo realizado pela atual gestão municipal da cidade de Salvador, marcada pura e exclusivamente por uma pretensa requalificação da orla da cidade, sobretudo as que embelezam as áreas mais nobres, construção de praças e realização de extensas festas.

O que temos senão a materialização da política do “pão e circo”? Desafio os grandes defensores do prefeito ACM Neto a listar obras estruturantes e que, de fato, transformaram o dia a dia da população de Salvador. Há alguns meses foi publicizado pela Secretaria Municipal de Educação um novo projeto pedagógico que, segundo seus idealizadores, representaria uma mudança revolucionária na educação do município.

Agora vamos voltar à realidade. Na última semana, um grupo de estudantes negros, pobres, moradores da Ilha de Maré procurou o Governo do Estado em busca de uma solução para o transporte diário até suas respectivas escolas, o qual havia sido retirado pela Prefeitura sem grandes explicações. Pois bem, o Estado assumiu a mais esta tarefa, face o descompromisso  do Município. Assim o governador Rui Costa tem feito na área de infraestrutura e contenção de encostas, na área de mobilidade, na iniciativa para a construção de creches, entre outras. Logo confirmamos que não é por acaso que Rui já ganhou o título de “governador prefeito”. Voltemos ao projeto de requalificação da orla e comparemos o montante de investimentos feito pela Prefeitura. S

egundo notas veiculadas por empresa jornalística ligada à família do prefeito, a obra da Barra teve um custo médio de R$ 50 milhões – o que corresponde a quase metade do total previsto inicialmente para requalificação dos 12 trechos -; a do Rio Vermelho, R$ 44 milhões; Ribeira, R$ 9,6 milhões; Itapuã, R$ 9,3 milhões; São Tomé de Paripe R$ 3 milhões e Tubarão, R$ 5 milhões.

Este é apenas um exemplo de que não precisamos muito para perceber como a atual gestão tem trabalhado para demarcar a linha social  que separa ricos de pobres, negros de brancos, escolarizados de analfabetos, algozes de  oprimidos. Afinal, não podemos deixar de lembrar também que a tentativa de reorganização do transporte coletivo retirou de circulação linhas que, ironicamente, ligavam os bairros mais populares aos povoados por pessoas de maior poder econômico.

* Ubirajara da Silva Ramos Coroa (Bira Coroa) é biólogo, professor e deputado estadual pelo PT.

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