Professor diz que educador baiano Anísio Teixeira pode ter sido morto por torturadores

Anísio Spínola Teixeira (Caetité, 12 de julho de 1900 — Rio de Janeiro, 11 de março de 1971) foi um jurista, intelectual, educador e escritor brasileiro.

Anísio Spínola Teixeira (Caetité, 12 de julho de 1900 — Rio de Janeiro, 11 de março de 1971) foi um jurista, intelectual, educador e escritor brasileiro.

Anísio Teixeira morreu em 1971, em circunstâncias consideradas obscuras. O corpo foi achado num elevador na Avenida Rui Barbosa, no Rio de Janeiro. Apesar do laudo de morte acidental, há suspeitas de que tenha sido vítima das forças de repressão do governo do General Emílio Garrastazu Médici.

Anísio Teixeira morreu em 1971, em circunstâncias consideradas obscuras. O corpo foi achado num elevador na Avenida Rui Barbosa, no Rio de Janeiro. Apesar do laudo de morte acidental, há suspeitas de que tenha sido vítima das forças de repressão do governo do General Emílio Garrastazu Médici.

O relatório que coloca em dúvida a versão inicial da morte do educador baiano Anísio Teixeira foi apresentado na sexta-feira (11/03/2016), em Salvador, 45 anos depois que um laudo da polícia atestou que ele morreu em um acidente, no Rio, cidade onde morava. O relatório indica que Anísio Teixeira pode ter sido morto por torturadores.

Anísio Teixeira foi um escritor e educador brasileiro. Ao lado de Darcy Ribeiro, fundou a Universidade de Brasília (UnB), da qual foi reitor em 1963. No dia de sua morte, ele saiu da Fundação Getúlio Vargas, onde trabalhava, e foi andando até o prédio onde morava Aurélio Buarque de Hollanda, no Edifício Duque de Caxias, no bairro de Botafogo. Lá, conversariam sobre a candidatura de Teixeira para a Academia Brasileira de Letras.

Apesar de não ter sido visto no edifício, o corpo dele apareceu no fosso do elevador, dois dias depois do desaparecimento. As novas análises sustentam a suspeita de que Teixeira teria sido morto pela repressão militar, durante o governo do então presidente Emílio Médici. Anísio Teixeira teria sido levado para depor na Aeronáutica, com a promessa de que seria liberado depois.

Mas o escritor e professor da Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia João Augusto de Lima Rocha contesta a versão oficial. Ele obteve acesso ao laudo do Instituto Médico-Legal e às fotos do corpo de Anísio Teixeira. A partir daí, começou a estudar os documentos, as imagens e se baseou, também, em depoimentos de pessoas próximas ao educador.

Segundo o professor, a versão sustentada até agora era de que Anísio Teixeira morreu após cair no fosso de um elevador, no prédio onde morava o dicionarista Aurélio Buarque de Hollanda, em 1971.

“Ele não chegou à casa do Aurélio e, quando a família o procurou, os funcionários do condomínio disseram não ter visto Teixeira entrar no prédio. Mas quando foi no dia 13 de março, o corpo dele apareceu no fosso do elevador. Então, a suspeita começa daí, porque se ele não chegou à casa do Aurélio e o corpo aparece lá, dois dias depois, há suspeita”, diz o professor, que é também sobrinho-neto do educador.

João Rocha conta que trabalhou em cima de outra contradição, porque, segundo informações que chegaram a ele, Anísio Teixeira prestou depoimento em um quartel da Aeronáutica, no Rio, no dia 12 de março, um dia depois do desaparecimento dele.

“O que estou provando, agora, é que a versão da queda é falsa. O resto – quem matou, como e por que matou –, deixaremos para a comissão de mortos e desaparecidos, em um pedido formal para que investiguem”, completa Rocha.

As análises foram possíveis porque, segundo João Rocha, a Comissão Nacional da Verdade (CNV) teve acesso ao laudo da perícia do cadáver de Anísio Teixeira, e às fotos tiradas depois que o corpo apareceu no fosso do elevador.

“A CNV me passou esses documentos, e pelas imagens fica claro que ele não caiu [do elevador]. A minha hipótese básica é de que ele morreu por tortura, e depois deram alguns golpes no cadáver, para simular a queda”, afirma o sobrinho-neto de Anísio.

Haroldo Lima, também sobrinho do intelectual nascido em Caetité, Bahia, disse que os próximos passos para as investigações serão muito importantes para os intelectuais do Brasil.

“Anísio foi um estadista da educação e fez muito pela ideia da educação pública, universal e gratuita. Era tido como comunista e dono de ideias perigosas. No final dos estudos, João demonstra que naquele elevador, Anísio não morreu. Gostaríamos que o Estado brasileiro se debruçasse sobre esse fato para apurar as verdadeiras causas da morte de Anísio Teixeira”, declara Lima.

Laudo médico

Segundo o laudo médico da perícia feita em 1971 e assinado pelo legista João Guilherme Figueiredo, foi possível afirmar que a versão sustentada pelo governo da época não é verdade, de acordo com os estudiosos.

As análises mostram que a posição do corpo, os ferimentos na cabeça e a disposição dos objetos pessoais de Anísio Teixeira não correspondem ao que seria uma queda. As imagens mostram que os óculos, por exemplo, têm uma das hastes dobradas e estão aparentemente intactos mesmo depois da suposta queda de quatro metros de altura. A hipótese é de que o corpo e os objetos teriam sido depositados no local, para simular um acidente.

“Hoje, comprova-se, documentalmente e fotograficamente, com laudos periciais, que não é verdade que Anísio Teixeira tenha caído no poço daquele elevador. Vamos pedir à Comissão de Mortos e Desaparecidos que inclua o nome de Anísio Teixeira na lista de mortos da ditadura militar e prossiga com as investigações”, disse o coordenador da Comissão Estadual da Verdade, na Bahia, Joviniano Neto.

Sobre Anísio Teixeira, o educador na Bahia

Anísio Spínola Teixeira (Caetité, 12 de julho de 1900 — Rio de Janeiro, 11 de março de 1971) foi um jurista, intelectual, educador e escritor brasileiro. Personagem central na história da educação no Brasil, nas décadas de 1920 e 1930, difundiu os pressupostos do movimento da Escola Nova, que tinha como princípio a ênfase no desenvolvimento do intelecto e na capacidade de julgamento, em preferência à memorização. Reformou o sistema educacional da Bahia e do Rio de Janeiro, exercendo vários cargos executivos. Foi um dos mais destacados signatários do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, em defesa do ensino público, gratuito, laico e obrigatório, divulgado em 1932. Fundou a Universidade do Distrito Federal, em 1935, depois transformada em Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil

De volta à Bahia, em 1924, a convite do governador Góes Calmon, assumiu o cargo de Inspetor Geral de Ensino — cargo equivalente hoje ao de Secretário da Educação – iniciando sua carreira de pedagogo e administrador público.

A fim de melhor desempenhar esta função, viajou em 1925 à Europa, onde observou o sistema educacional de diversos países — implementando em seguida várias reformas no ensino do estado.

Teixeira conseguiu ampliar o sistema educacional, privilegiando a formação de professores. Em sua terra natal, Caetité, reinaugurou a Escola Normal, que havia sido fechada por Severino Vieira em 1901.

Em 1927, foi aos Estados Unidos, onde travou conhecimento com as ideias do filósofo e pedagogo John Dewey, que muito iriam influenciar seu pensamento. No ano seguinte, demitiu-se do cargo pelo fato de o novo governador não concordar com suas ideias sobre mudanças no ensino.

Voltou aos Estados Unidos (1928), onde fez pós-graduação. De volta ao Brasil traduziu, pela primeira vez em português, dois trabalhos de Dewey.

Em 1928, ingressou na Universidade de Colúmbia, em Nova York, onde obteve o título de mestre e conheceu o educador John Dewey.

Em 1931, mudou-se para o Rio de Janeiro, ocupando a Diretoria da Instrução Pública do Distrito Federal, em cujo mandato instituiu a integração da “Rede Municipal de Educação”, do fundamental à universidade. Diversas melhorias e mudanças foram feitas, mas a que maior polêmica gerou foi a criação da Universidade do Distrito Federal, em 1935.

Tornou-se Secretário da Educação do Rio de Janeiro em 1931 e realizou uma ampla reforma na rede de ensino, integrando o ensino da escola primária à universidade.

Em 1932, participou do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, tendo publicado neste período duas obras sobre educação que, junto a suas realizações, deram-lhe projeção nacional.

Em 1935, criou a Universidade do Distrito Federal, no Rio de Janeiro. Nesse mesmo ano, perseguido pelo governo de Getúlio Vargas, Anísio Teixeira mudou-se para sua cidade natal, na Bahia, onde viveu até 1945.

Anísio Teixeira assumiu o cargo de conselheiro geral da UNESCO em 1946. No ano seguinte, foi convidado novamente a assumir o cargo de Secretário da Educação da Bahia, onde foi muito bem-sucedido como administrador público. Criou a Escola Parque, em Salvador, que se tornou um centro pioneiro de educação integral.

Em 1951, assumiu a função de Secretário Geral da CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), tornando-se, no ano seguinte, diretor do INEP (Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos).

Em fins dos anos 1950, Anísio Teixeira participou dos debates para a implantação da Lei Nacional de Diretrizes e Bases, sempre como árduo defensor da educação pública.

Ao lado de Darcy Ribeiro, Anísio Teixeira foi um dos fundadores da Universidade de Brasília, da qual tornou-se reitor em 1963.

No ano seguinte, com o golpe militar, afastou-se do cargo e foi para os Estados Unidos, lecionando nas Universidades de Colúmbia e da Califórnia. De volta ao Brasil em 1966, tornou-se consultor da Fundação Getúlio Vargas.

Anísio Teixeira morreu em 1971, em circunstâncias consideradas obscuras. O corpo foi achado num elevador na Avenida Rui Barbosa, no Rio de Janeiro. Apesar do laudo de morte acidental, há suspeitas de que tenha sido vítima das forças de repressão do governo do General Emílio Garrastazu Médici.

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