O acarajé da corrupção

Denomida de Operação Acarajé, artigo aborda a 23º fase do Caso Lava Jato.

Denomida de Operação Acarajé, artigo aborda a 23º fase do Caso Lava Jato.

Apesar das críticas do babalaô Ivanir dos Santos, membro da Comissão de Combate a Intolerância Religiosa (CCIR), o termo “acarajé”, que passou a designar uma das operações da força tarefa da Lava Jato, relacionada às investigações da corrupção existente na Petrobrás, veio para ficar.

Para religiões de matriz africana, o acarajé é como a hóstia para os católicos, uma espécie de alimento sagrado do ritual do orixá Iansã. Segundo nota das entidades divulgada por Ivanir, “assimilar essa expressão sacra ao crime, especialmente à corrupção, ofende religiões e religiosos de matriz africana”.

A Operação Acarajé é a 23ª fase da Lava Jato, tendo como foco central o marqueteiro João Santana, suspeito de ter recebido milhões de dólares do esquema de corrupção montado na estatal, apimentado com a participação de Lula e Dilma. O termo acarajé, em língua iorumbá, significa “comer bola de fogo”.

Pelo visto, é justamente isso que o pessoal investigado está comendo. O babalaô, em vez de criticar a Policia Federal pelo uso do termo, devia se insurgir contra os funcionários da Odebrecht, que, segundo a imprensa, teriam dado o nome desse alimento sagrado às propinas pagas pela empresa.

Dinheiro não falta para o grupo empresarial de Santana, também conhecido como o babalorixá do PT. Até a semana passadas suas empresas teriam recebido R$ 230 milhões do partido para promover as campanhas eleitorais de Lula e de dona Dilma. Apesar dessa dinheirama toda, parece que Santana não honrou suas dívidas com o fisco. A Santana & Associados Marketing Ltda., cuja sede é na capital do acarajé, deve quase R$ 180 mil ao governo, já inscrito na dívida ativa.

Isso, no entanto, não abalou o sorriso do casal, principalmente o de sua esposa, Mônica Moura, que chegou sorrindo ao Instituo Médico-Legal de Curitiba para fazer exames de corpo de delito. “Não vou baixar a cabeça”, teria dito dona Mônica, criticada até por petistas por ter exagerado no deboche.

Mas a ironia de dona Mônica não se compara com a do deputado Eduardo Cunha, também investigado na Operação Lava Jato e cercado de denúncias de corrupção por tudo quanto é lado. Segundo Cunha, “Perto do João Santana, meu caso deveria ir para o Tribunal de Pequenas Causas”.

Por aí se vê o deboche e o desprezo dessa gente por um dos princípios fundamentais de nossa administração, ou seja, a seriedade no trato da coisa pública, muito embora a moralidade, após a chegado do PT ao poder, tenha se tornado, também, motivo de deboche.

Até o presente momento João Santana era considerado um semideus no marketing político. Fez sete presidentes – aqui e no exterior-, e casou outras sete. Parece que esse é o seu número de sorte. Se, no entanto, ele for condenado a sete anos de prisão, o número SETE, considerado o mais presente em toda filosofia e literatura sagrada, passará a ser o número do seu inferno astral.

Pitágoras dizia que o número SETE é sagrado, perfeito e poderoso, pois indicava o processo de passagem do conhecido para o desconhecido. Daí, talvez, a situação de João Santana e sua mulher, que mesmo tendo chegado sorrindo à Policia Federal, pode dela sair chorando, apesar do seu número de sorte.

Mônica Moura confessou que recebeu pagamentos em caixa dois pelas campanhas a favor do PT feitas no exterior. Dizem que ela, ao ser perguntada por quantas vezes teria recebido a grana, simplesmente respondeu: SETE.

*Luiz Holanda é advogado e professor universitário.

 

Sobre o autor

Luiz Holanda
Luiz Holanda é advogado e professor universitário, possui especialização em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (SP); Comércio Exterior pela Faculdades Metropolitanas Unidas de São Paulo; Direito Comercial pela Universidade Católica de São Paulo; Comunicações Verbais pelo Instituto Melantonio de São Paulo; é professor de Direito Constitucional, Ciências Políticas, Direitos Humanos e Ética na Faculdade de Direito da UCSAL na Bahia; e é Conselheiro do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB/BA. Atuou como advogado dos Banco Safra E Econômico, presidiu a Transur, foi diretor comercial da Limpurb, superintendente da LBA na Bahia, superintendente parlamentar da Assembleia Legislativa da Bahia, e diretor administrativo da Sudic Bahia.