Manifestantes gritam “não vai ter golpe” em ato contra impeachment na Paulista

O ato reúne muitas pessoas em um clima bem descontraído e pacífico, com muitas bandeiras, bexigas e balões vermelhos.

O ato reúne muitas pessoas em um clima bem descontraído e pacífico, com muitas bandeiras, bexigas e balões vermelhos.

Manifestação em defesa do governo e da presidenta Dilma Rousseff, na Avenida Paulista.

Manifestação em defesa do governo e da presidenta Dilma Rousseff, na Avenida Paulista.

Manifestantes reúnem-se na tarde de hoje (18/03/2016) na Avenida Paulista, em frente ao Museu de Arte de São Paulo. Muitos estão vestidos de vermelho, com apitos, bexigas e faixas, pedindo a defesa da democracia e também a manutenção da presidenta Dilma Roussef no governo. Os manifestantes gritam “não vai ter golpe” em diversos momentos.

O ato reúne muitas pessoas em um clima bem descontraído e pacífico, com muitas bandeiras, bexigas e balões vermelhos, alguns com logotipos da CUT e do PT, e outros sem nenhuma imagem . Os manifestantes carregam uma bandeira com uma imagem da presidenta Dilma jovem, na época em que foi presa na época da ditadura. Representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Central de Trabalhadores do Brasil (CTB), da Frente Brasil Popular, de vários sindicatos, como bancários e professores, discursam nos carros de som desde o fim da tarde.

A presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Juvandia Moreira Leite, disse que o povo tem que ir para a rua dizer “não vai ter golpe”, referindo-se ao impeachment de Dilma. Além disso, sobre os casos de enfrentamento entre pessoas com divergências políticas, ela disse que “não podemos responder o ódio com ódio”.

O professor da rede municipal de São Paulo, Edmar Magalhães, 59, se manifesta hoje na Avenida Paulista contra o impeachment de Dilma. “O país vive um momento perigoso, que é a derrubada de um governo legítimo, eleito pelo povo democraticamente. O que está acontecendo é um golpe”, disse. Sobre a atual situação econômica do país, ele comenta que, não só o Brasil, mas todo o mundo passa por uma crise na economia. “É a falência do sistema capitalista”.

Gabriela Pompermayer, 27, produtora cultural, defende a democracia e luta pela tentativa de uma construção política à esquerda. Ela votou na presidenta Dilma e é contra o impeachment, mas é crítica às políticas atuais e acredita que as pessoas e grupos de esquerda precisam viabilizar outra opção para o próximo governo que não seja o PT.

“Eu acho que até agora não teve nenhuma prova, nada que faça com que tenha motivos reais para o impeachment. Desaprovo bastante o governo, principalmente o que foi em 2015, mas acho que ela [Dilma] tem que chegar até o fim do mandato”, disse.

Rodrigo Lopes Marcelino, 37, agente penitenciário, está nas ruas “contra a tentativa de golpe” ao lado de sua esposa, 42, e de sua filha, 14. Segundo ele, o que era uma crise econômica mundial foi transformado em política para beneficiar grupos de elite. “Eles não querem uma divisão da riqueza produzida no país, querem só pra eles e manipulam a opinião pública”.

“Eu vim para a rua junto com a minha família para lutar pela democracia, lutar pelo acesso às conquistas que estão sendo feitas no campo social. Hoje temos milhões de universitários jovens que não tinham acesso à universidade. Hoje as famílias tem algum acesso a bens que não tinham. Então para a continuação dessa política, contra todo tipo de preconceito, contra todo tipo de conservadorismo e de monopólio é que estamos aqui”, disse.

Pelo país

Na capital federal, manifestantes a favor do governo Dilma Rousseff e contra o processo de impeachment estão reunidos no Museu da República, no início da Esplanada dos Ministérios. O ato é organizado pela Frente Brasil Popular, e os manifestantes levam cartazes com frases de apoio a Dilma e ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e contra o que chamam de golpe.

“Esse é um ato em defesa da democracia, contra o golpismo e o fascismo que está explodindo no país. Estamos defendendo a mudança de discurso no Congresso, que pare de discutir só o golpe e que encaminhe avanços nos direitos da classe trabalhadora”, disse o secretário-geral da Central Única dos Trabalhadores do Distrito Federal (CUT-DF), Rodrigo Rodrigues.

Políticos como o ex-ministro Gilberto Carvalho e deputados do PT e da base aliada fazem discursos e dividem o carro de som com artistas locais, que apresentam músicas intercaladas com palavras de ordem.

No Rio de Janeiro, a manifestação contra o impeachment da presidenta Dilma Rousseff reúne manifestantes na Praça XV, no centro da cidade. Eles carregam cartazes e defendem a permanência da presidenta. Os manifestantes também fazem um ato de apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva: “Ministro Lula estamos com você”, diz um dos cartazes. Também há faixas pedindo a saída do presidente da Câmara, o deputado Eduardo Cunha.  #ForaCunha #FicaDilma, pedem os cartazes.

Para a atriz Letícia Sabatella, que participa do ato no Rio, o objetivo em comum entre todos os movimentos presentes nas manifestações de hoje é a luta pela democracia e o combate à corrupção, mas não a que atinge apenas um grupo. “Vamos fazer uma reforma política, vamos lutar por esta reforma para que a gente limpe todos os focos de corrupção. E não apenas pegar um bode expiatório e dizer que esse é o grande corrupto. Vamos olhar onde está a corrupção, ver porque ela existe e porque o sistema funciona desta maneira”, afirmou.

Em Salvador, militantes, estudantes e representantes de centrais sindicais e movimentos sociais da Bahia realizam um ato contra o impeachment desde o início da tarde de hoje (18) em Campo Grande, região central da cidade. Segundo a Polícia Militar, mais de 70 mil pessoas acompanharam a passeata que seguiu em direção à Praça Castro Alves.

Adesivos com a frase “Nao ao golpe” e máscaras satirizando o juiz Sérgio Moro (que aparece com um nariz de tucano, em referência ao PSDB) foram distribuídos entre os manifestantes que seguiram em caminhada cantando e tocando tambores.

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