Ex-presidente Lula diz à imprensa estrangeira que impeachment é risco à democracia do Brasil

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa de coletiva à imprensa internacional.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa de coletiva à imprensa internacional.

Luiz Inácio Lula da Silva: "Acho que vai acontecer o que aconteceu em 2003. O governo vai construir uma base parlamentar com o PMDB e vamos ter uma espécie de coalizão sem a concordância da direção", afirmou. "Quando ganhei as eleições, em 2003, em um primeiro momento o PMDB não me apoiou. Mas uma parte da legenda no Senado me apoiava e nós conseguimos governar.".

Luiz Inácio Lula da Silva: “Acho que vai acontecer o que aconteceu em 2003. O governo vai construir uma base parlamentar com o PMDB e vamos ter uma espécie de coalizão sem a concordância da direção”, afirmou. “Quando ganhei as eleições, em 2003, em um primeiro momento o PMDB não me apoiou. Mas uma parte da legenda no Senado me apoiava e nós conseguimos governar.”.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse na segunda-feira (28/03/2016) acreditar que a presidenta Dilma Rousseff deve sobreviver à crescente pressão que tem sofrido no Congresso Nacional pelo seu impeachment. Em entrevista coletiva pars jornalistas de veículos internacionais, ele afirmou que a democracia do Brasil estará em risco caso o processo de impedimento de Dilma seja aprovado.

De acordo com o portal online do jornal New York Times, o ex-presidente, nomeado recentemente ministro-chefe da Casa Civil, afirmou que a presidenta poderá resistir ainda que parte do PMDB decida deixar o governo.

Lula, cuja nomeação para o cargo está suspensa pela Justiça até que o Supremo Tribunal Federal (STF) tome uma decisão definitiva, informou ainda, segundo o New York Times, que vai conversar com o vice-presidente Michel Temer, presidente nacional da legenda, e outros políticos em Brasília com o objetivo de ajudar Dilma a continuar no cargo.

Na tarde desta segunda-feira, a Ordem dos Advogados do Brasil protocolou na Câmara dos Deputados um novo pedido de impeachment contra a presidenta. Amanhã (29), o  Diretório Nacional do PMDB vai se reunir para decidir se deixa ou não o governo.

Lula concedeu a entrevista a diversos jornais estrangeiros, entre eles o El País, Wall Street Journal, Financial Times, Telam, Agência Lusa, The Guardian e Le Monde.

Ainda de acordo com o New York Times, o ex-presidente disse que não quer ser um “intruso” no governo da presidenta e negou as afirmações de que ele aceitou o cargo de ministro-chefe da Casa Civil para evitar ser preso por acusações de corrupção.

Composição do governo

Ao avaliar o futuro político do governo Rousseff, o ex-presidente comentou: “Acho que vai acontecer o que aconteceu em 2003. O governo vai construir uma base parlamentar com o PMDB e vamos ter uma espécie de coalizão sem a concordância da direção”, afirmou. “Quando ganhei as eleições, em 2003, em um primeiro momento o PMDB não me apoiou. Mas uma parte da legenda no Senado me apoiava e nós conseguimos governar.”

Segundo o ex-presidente, no segundo mandato houve um acordo com a legenda e, teoricamente, o partido decidiu apoiá-lo. “Ainda assim a gente nunca teve todo o apoio de todo o PMDB. Em vários estados o partido não quis apoiar o governo”, frisou. Para ele, caso a legenda saia do governo Dilma, “os ministros não deixarão o governo”.

Críticas a Moro

Lula também falou sobre o juiz Sergio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato. O ex-presidente afirmou que o magistrado “é inteligente e competente, mas foi picado pela mosca azul”. A expressão se refere a pessoas deslumbradas com o poder.

O ex-presidente disse que a divulgação de suas conversas com Dilma Rousseff, aliados e familiares como uma situação “deprimente, pobre e de má fé”.

“O juiz, por mais que seja juiz, não foi correto ao fazer a divulgação de coisas privadas. Não contribui com a democracia”, frisou. “Quero ter o mesmo tratamento que todo mundo. O excesso pode levá-lo a cometer erros. O juiz deve ser respeitado por todos, não pode ter um lado.”

Em defesa de Dilma

Na entrevista, Lula voltou a defender Dilma e criticou os apoiadores do impeachment da presidente. “Impeachment sem base legal, sem crime de responsabilidade, é golpe”, afirmou aos jornalistas. “É muito importante não brincar com a democracia.”

Os críticos do pedido de impedimento da presidente dizem que as manobras fiscais, conhecidas como “pedaladas”, não são o bastante para configurar crime de responsabilidade. Lula acusou também a oposição de impedir que a presidente governe e a mídia de criar um clima de ódio no país, que ele comparou com a situação vivida na Venezuela.

Lula, que ainda não pode assumir como ministro da Casa Civil por conta de uma batalha judicial, afirmou que quer participar das decisões do governo da presidente, mesmo que seja na condição de conselheiro. Ele disse ter convicção de que pode contribuir com o Brasil e acredita ser possível mudar o humor do país em poucos meses.

Ele afirmou também que o governo federal precisa fazer desonerações e adotar outras medidas para que a economia brasileira possa voltar a crescer, apostando no potencial do mercado interno do país.

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