Ao ler carta aberta da empresa de viação Rosa, vereador comenta crise no sistema de transporte público feirense

Vereador Edvaldo Lima dos Santos destaca desabafo da empresa Rosa em carta aberta à sociedade feirense.

Vereador Edvaldo Lima dos Santos destaca desabafo da empresa Rosa em carta aberta à sociedade feirense.

O vereador Edvaldo Lima (PP) ocupou a tribuna da Casa da Cidadania, na manhã desta quarta-feira (02/03/2016), para destacar uma carta aberta – dirigida  à sociedade feirense  – da empresa de ônibus Rosa, que integra o sistema de transporte coletivo urbano de Feira de Santana.

Segundo a referida carta, que foi lida na íntegra pelo vereador Edvaldo, a empresa Rosa afirma encontrar dificuldades na prestação do serviço em Feira de Santana desde a frota emergencial. Ela se queixa também do sistema alternativo e do transporte clandestino, afirmando que ambos se tornaram “concorrentes desleais para as empresas de ônibus, com a conivência da Administração Municipal”.

Outro problema apontado pela empresa Rosa é a decisão da Administração Municipal de efetuar o pagamento do vale transporte aos seus servidores em dinheiro. “Isso retira importante fonte de receita das empresas concessionárias do transporte e dar uma aparência de legalidade aos transportadores clandestinos/alternativos, com a criação de ‘moeda’ específica para os alternativos e a confissão de fazerem uso como moeda dos vales emitidos pelas concessionárias”.

A carta ressalta ainda que “as receitas da nossa empresa  não estão bastando para arcar com os custos operacionais, incluindo mão de obra. Até o momento, a empresa vem pagando corretamente os salários de seus colaboradores. Porém, o mesmo não vem ocorrendo quanto ao FGTS, diante do quadro financeiro. A Rosa esclarece que está buscando quitar o débito junto à Caixa Econômica Federal da forma mais rápida possível. Certamente, isso não gerará prejuízos aos nossos colaboradores”.

Após a leitura, Edvaldo disse, com base em informações do vereador Alberto Nery (PT), que a empresa São João, que também opera o sistema de transporte coletivo em Feira de Santana, não está depositando corretamente o FGTS dos seus funcionários.

O oposicionista alertou que, diante do exposto na carta aberta, a qualquer momento as empresas Rosa e São João podem deixar de prestar o serviço em Feira de Santana, como aconteceu com as empresas 18 de setembro e Princesinha. Em sua opinião, o Governo do Município tem que ter mais compromisso com o sistema de transporte público, principalmente “cumprindo o que foi acordado com as empresas no contrato de licitação”.

Em aparte, o líder governista José Carneiro (PSL) argumentou que os responsáveis pelas empresas Rosa e São João são bem sucedidos no Brasil e, por conta disso, ele não acredita que tenham vindo participar de uma licitação pública sem  conhecer a realidade de Feira de Santana.

“A questão dos ligeirinhos que a carta aberta alega  é um problema antigo e ninguém, nem secretário militar, a exemplo do atual secretário, coronel Pedro Boaventura, conseguiu sanar esse problema, que é sério e precisa da união de forças para tentar resolvê-lo”, disse.

José Carneiro lamentou a posição da empresa Rosa, salientando que não há razão para carta aberta à sociedade feirense, uma vez que, segundo ele, o Governo do Município tem um bom relacionamento com os empresários de ônibus. Em entendimento, a referida empresa deveria prestar conta ao Sindicato dos Rodoviários, por não depositar corretamente o FGTS dos trabalhadores.

Retomando o discurso, Edvaldo Lima ressaltou que os ônibus do transporte coletivo são novos, mas não estão cumprindo os horários preestabelecidos.   Para ele, o transporte público ainda precisa de melhorias.

Na oportunidade, o edil defendeu o sistema alternativo e a regularização do transporte clandestino, sobretudo dos que atuaram no município, quando as empresas 18 de Setembro e Princesinha deixaram de prestar o serviço. “Porque se não fossem os alternativos e os ligeirinhos esta cidade seria uma parafernália do inferno quando ficou sem o sistema de transporte”, avalia.

Confira o teor da ‘Carta aberta à sociedade feirense’

Como já é de conhecimento da sociedade feirense, o sistema de transporte coletivo em Feira de Santana passou por uma grande crise, culminando no abandono da prestação de serviço por parte das antigas empresas que operavam o sistema.

A nossa empresa, como também já se sabe, foi uma das vencedoras da Concorrência Pública 041/2015, realizada pela Administração Municipal para a contratação de novos prestadores do serviço.
Diante do caos gerado na cidade logo após a divulgação do certame, quando as empresas que operavam o sistema deixaram de atuar na cidade de forma abrupta, a Rosa firmou contrato emergencial com o município, demonstrando o claro desejo de colaborar com a cidade e a administração municipal.

Ocorre que, durante a execução do serviço emergencial, no período entre outubro de 2015 e meados de janeiro de 2016, a empresa se deparou com grandes problemas, notadamente o transporte clandestino.

Acontece também que, para a execução do serviço licitado, a Empresa de Ônibus Rosa empresa fez investimentos de grande volume para aquisição de todos os veículos 0 Km, contratando pessoal, etc.

Infelizmente, algumas situações anômalas ainda continuam acontecendo, o que vem inviabilizando a prestação do serviço público de transporte, colocando em risco a nossa atividade. A cidade está inundada de transportadores clandestinos. Para piorar a situação, há na cidade o chamado sistema “alternativo”, que não possui previsão legal.

Outro problema é a decisão da Administração Municipal de efetuar o pagamento do vale transporte aos seus servidores em dinheiro. Isso retira importante fonte de receita das empresas concessionárias do transporte e dar uma aparência de legalidade aos transportadores clandestinos/alternativos, com a criação de “moeda” específica para os alternativos e a confissão de fazerem uso como moeda dos vales emitidos pelas concessionárias.

Diante do exposto, a nossa empresa sofre desde que assumiu o serviço emergencial, sendo obrigada a enfrentar a concorrência desleal do transporte clandestino, praticada com a conivência da Administração. As receitas da nossa empresa não estão bastando para arcar com os custos operacionais, incluindo mão de obra.

Até o momento, a empresa vem pagando corretamente os salários de seus colaboradores. Porém, o mesmo não vem ocorrendo quanto ao FGTS, diante do quadro financeiro. A Rosa esclarece que está buscando quitar o débito junto à Caixa Econômica Federal da forma mais rápida possível. Certamente, isso não gerará prejuízos aos nossos colaboradores.

Empresa de Ônibus Rosa Ltda.

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