A República das minhocas

A presidente Dilma Rousseff em reunião com a coordenação política e ministros de estado. Artigo analisa governo Rousseff.

A presidente Dilma Rousseff em reunião com a coordenação política e ministros de estado. Artigo analisa governo Rousseff.

A presidente Dilma Rousseff, que de uns tempos para cá tem medo de usar a mídia para se comunicar com o povo, também não quis usá-la para opinar sobre a saída do PMDB de sua base de apoio. Depois de ter mamado no governo durante doze anos, o partido – acusado de ter se beneficiado da corrupção até recentemente-, pretende abandonar o barco visando sua sobrevivência política.

Os sintomas desse abandono foram antecipados pelo deputado Eduardo Cunha por ocasião da descoberta de suas falcatruas. Denunciado por corrupção por tudo quanto é lado, Cunha se mantém no poder graças ao STF e aos deputados que comanda, presidindo uma Câmara carcomida e desmoralizada.

Mesmo assim, esse parlamentar deu andamento a um pedido de impeachment da presidente Dilma que só não foi para a frente graças ao esdrúxulo voto do ministro Luís Roberto Barroso, também alvo de um idêntico pedido engavetado no Senado Federal.

Como se sabe, o governo é um minhocário doméstico cujas minhocas transformaram o lixo da política em adubo da corrupção. Para se ter uma ideia do potencial desse minhocário, basta dizer que o lixo dele decorrente se encontra em todos os setores, órgãos e poderes da nação.

Atualmente somos conhecidos como a República das minhocas, que se arvoram em jararacas quando acuadas pela justiça. E o exemplo mais flagrante dessa transformação é o ex-sindicalista Lula da Silva, que, apesar de ser apenas uma minhoca, insiste em integrar o grupo de serpentes do gênero bothrops.

Logo depois de depor nas investigações da Lava Jato – para onde foi levado debaixo de vara-, Lula disse que era uma jararaca que continuava viva e pronta para reagir. Em seguida a essa bravata, procurou proteção junto ao Congresso e no próprio STF para barrar as investigações sobre o seu patrimônio. De tão humilhado, pretende ocupar uma pasta ministerial no desgoverno de sua cria para ganhar uma espécie de foro privilegiado, onde os ricos e poderosos são protegidos pela impunidade garantida por nossa Suprema Corte.

Lula está sendo acusado de muitos crimes, entre os quais corrupção, tráfico de influência, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. Diante de tão variado caleidoscópio, a “jararaca” que virou minhoca pretende obter proteção contra sua provável prisão. Para tanto precisa de dois ministérios: da Justiça e da Fazenda, sendo que, para o primeiro, pretende nomear Nelson Jobim, citado pela imprensa em acerto para a compra de 11 fragatas italianas para a Marinha do Brasil.

Para a Fazenda, o preferido é o ex-ministro Enrique Meirelles, que, quando presidiu o Banco Central, foi acusado de crimes de evasão de divisas e contra o sistema financeiro, segundo o relatório do tucano Antero Paes de Barros. Meirelles não responde a nenhum processo por causa desse escândalo, pois nada ficou provado contra ele.

Seja como for, o fato é que onde a Justiça mexe no lixo, sai uma minhoca. O que ainda não se sabe é se ela passou a escavar onde jamais escavara ou se até agora não encontrou minhocas porque nunca escavou. Mas já que agora está – bem ou mal-, escavando, e considerando que Lula, como líder populista, se transformou apenas numa minhoca, por que não chamar a própria República com o nome desse verme anelídeo.

*Luiz Holanda é advogado e professor universitário.

Sobre o autor

Luiz Holanda
Luiz Holanda é advogado e professor universitário, possui especialização em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (SP); Comércio Exterior pela Faculdades Metropolitanas Unidas de São Paulo; Direito Comercial pela Universidade Católica de São Paulo; Comunicações Verbais pelo Instituto Melantonio de São Paulo; é professor de Direito Constitucional, Ciências Políticas, Direitos Humanos e Ética na Faculdade de Direito da UCSAL na Bahia; e é Conselheiro do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB/BA. Atuou como advogado dos Banco Safra E Econômico, presidiu a Transur, foi diretor comercial da Limpurb, superintendente da LBA na Bahia, superintendente parlamentar da Assembleia Legislativa da Bahia, e diretor administrativo da Sudic Bahia.