Salvador: ato a favor da união entre as religiões celebra 20 anos da ‘Cidade da Luz’

Lideres de diferentes entidades religiosas participaram do evento, que contou ainda com apresentação lúdica de assistidos da instituição.

Lideres de diferentes entidades religiosas participaram do evento, que contou ainda com apresentação lúdica de assistidos da instituição.

Todos os anos, mais de 200 mil atendimentos sociais são realizados pela Cidade da Luz, beneficiando crianças jovens e adultos de baixa renda ou em situação de risco social. O complexo social, sem fins lucrativos, celebra, esta semana, 20 anos de atuação e de assistência ao próximo, e os 38 anos do Centro Espírita Cavaleiros da Luz, primeiro núcleo da Casa, localizado em Salvador. Nesta terça-feira (23/02/2016), a convite do fundador e presidente da casa, lideranças de diferentes entidades religiosas se reuniam, em ato ecumênico, para celebrar a união e o aniversário da instituição.

No evento, reuniram-se artistas, autoridades, voluntários, frequentadores, dentre outras personalidades que apoiam o trabalho desenvolvido pela Cidade da Luz. A festa começou com apresentação do Coral Raio de Sol, da Instituição, sob a regência do maestro Keiler Rego. O repertório incluiu um pout pourri de músicas de todas as religiões presentes.

Crianças do Lar Luz do Amanhã, também administrado pela Cidade da Luz, prestaram homenagem ao médium José Medrado, e leram um texto, escrito por um dos assistidos que hoje tem 35 anos. O teor demostrava toda a gratidão pelo trabalho realizado na instituição.

Tolerância religiosa

Toda a celebração foi conduzida pelo médium José Medrado, ao lado das lideranças religiosas convidadas para o culto ecumênico. Cada líder fez uma celebração, dentro dos preceitos de sua religião, focando o discurso para práticas do amor, do respeito e da tolerância entre as diferenças.

Segundo o padre Luiz Simões,  da Igreja Católica, “essa foi uma noite abençoada”. Ele reforçou a importância das obras realizadas pela Cidade da Luz, especialmente o Lar Luz do Amanhã, que abriga crianças em situação de risco social. Já Mãe Jaciara Ribeiro, que participa desta celebração há cinco anos, demonstrou estar feliz por poder levar um pouco da essência do candomblé para o evento. “Deveria haver uma Cidade da Luz em cada bairro dessa cidade. O amor aqui é visível”, afirmou. Ela também lembrou o quanto a intolerância religiosa e racial representam um atraso para a sociedade.

Também representando o Candomblé, Mãe Nicinha pediu aos orixás, que regem este ano (Oxalá, Iansã e Iemanjá), proteção à Cidade da Luz e a todos os presentes. Ela saudou os guias espirituais da casa e do dirigente da Instituição, Medrado.

Já o pastor da Igreja Evangélica, Juvânio Araújo da Silva, muito emocionado, criticou a falta de respeito às diferenças. “Infelizmente a ignorância espiritual faz com que as pessoas interpretem as coisas como querem e façam coisas erradas, disse o Pastor, se referindo às posturas de intolerância religiosa que alguns adotam. Conhecer a verdade não é impor a verdade. Jesus quer que tenhamos amor um pelo outro. Eu converso com todas as religiões. Inclusive sou apaixonado pelo Islã”, declarou.

O mesmo foi dito pelo Sheik Abdul Hameed (Islamismo): “Deus é um só. Não importa se o chamamos de Alá, God ou Deus. Ele criou homens, mulheres, brancos e negros para que eles conheçam uns aos outros, e se amem. Não é para matar, é para respeitar. O Islã é da paz, fazer o Bem é o nosso objetivo”.

Para o presidente da Sociedade Israelita da Bahia, Luciano Fingergut, Deus dá a todos o livre-arbítrio para escolher o caminho. “Assim, como os espíritas, nós, israelitas também acreditamos nisso. Aqui vocês escolheram o amor. Respeitar e conviver é o melhor caminho para combater o preconceito”, afirmou.

O presidente da Cidade da Luz, José Medrado encerrou a celebração agradecendo a todos. “Eu quero seguir este Deus que não tem ideologia doutrinária específica, que nos uniu aqui e que diz que é possível, que mexe com nossas almas, que é símbolo de luta e resistência incansável. Este Deus que se chama Amor, que nos fez chegar aqui diante de tantas lutas, de tantas dificuldades”.

Estavam como convidados para assistir a concelebração, Pai Raimundo, representando a Umbanda, Padre Alfredo (Igreja Católica), o Desembargador João Augusto Pinto, o Tenente Coronel Lanzilotti, representando o Comandante Geral da PM, a Secretária Olívia Santana, entre outros.

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