Carnaval sem corda: retorno sem volta | Por Josias Gomes

Vista aérea do carnaval 2016 de Salvador.

Vista aérea do carnaval 2016 de Salvador.

Prossegue animado e tranquilo o carnaval de Salvador, em sua versão 2016. O esforço do poder público na promoção do carnaval sem cordas, deste ano, marcará a história da folia baiana, na base do “antes e depois”.

Neste particular, a dedicação do governador Rui Costa na atração de patrocínios aos artistas mais famosos da música da Bahia está sendo reconhecida pelo povo, que brinca como sempre, só que com mais liberdade e democracia.

Fundamental lembrar que a participação de marcas famosas no patrocínio aos grandes trios, conforme acertado pelo governo estadual, não representou qualquer exclusividade a mais do que a exposição dessas marcas através de adereços e cartazes de publicidade.

Faço esse parêntesis para lamentar a decisão da prefeitura soteropolitana em tornar exclusiva a venda de uma determinada marca de cerveja em todo o circuito da folia, incluindo as ruas adjacentes.

Lembrando que tal exclusivismo submete ambulantes e comerciantes de bebidas, em geral, à venda de uma só marca, quebrando todo o princípio da livre concorrência, reduzindo os lucros de quem precisa escolher o menor preço, e prejudicando o folião-consumidor.

Lamentável o resultado de tudo isto na forma de um tumulto enorme que envolveu ambulantes e seguranças da prefeitura, justamente por conta disso, um fato lamentável que acabou empanando, nacionalmente, o brilho do carnaval baiano, em virtude da natural cobertura da grande mídia.

Com essa restrição à política da Prefeitura de Salvador, restrição feita, aliás, pela ampla maioria da população, é importante continuar comemorando a novidade deste ano, que é o carnaval sem cordas, com o governo do estado investindo recursos nos trios menores.

Dessa maneira, com a atração do capital privado aos trios maiores, para que estes abandonassem as cordas, e com o poder público garantindo a participação dos menos famosos, o governo Rui Costa acabou gastando menos do que ano passado.

Item fundamental tem sido o da segurança pública, que vai rendendo seus frutos na forma da redução de roubos, furtos e outros crimes no Carnaval 2016, com o governo estadual investindo forte no policial, através do pagamento de horas extras, devidamente.

Foram estabelecidos 48 portais de segurança, onde os foliões são inspecionados por detectores de metal e passm por uma pesquisa no banco de dados criminal. Armas e gente com pendências criminais não passam.

A experiência, é bom que seja assinalado, vai se reproduzir no próximo ano, certamente, com mais economia ainda, pela atração das mesmas marcas deste ano, e de novas marcas – por que não? – para que a concorrência acabe reduzindo ainda mais a participação do poder público.

Investir no carnaval, principalmente em se tratando do carnaval da Bahia, que atrai turistas do Brasil, das Américas, de todo o mundo, é contribuir para o aporte de recursos a grandes e pequenos empresários, fazendo o dinheiro circular na cidade, e beneficiar o próprio estado.

Ainda com relação ao carnaval do próximo ano, cumpre assinalar duas decisões do governador Rui Costa: uma delas, vimos comentando ao longo dos últimos parágrafos, que é o de ampliar o carnaval sem cordas em 2017.

Taxativamente, decidiu o governador que a sua gestão vai envidar todos os esforços para que o carnaval sem cordas seja, definitivamente, uma realidade a caracterizar o carnaval baiano, conforme já foi um dia.

Enfim, festejar o anúncio feito por Rui Costa de dedicar o carnaval do próximo ano aos 50 anos do Tropicalismo, um movimento cultural que não se restringiu apenas à música, e que tem a marca indelével dos baianos, liderados pelos baianíssimos Gil e Cateano.

*Josias Gomes da Silva é agrônomo, deputado federal licenciado (PT/BA) e secretário estadual de Relações Institucionais.

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