Carnaval 2016 – Salvador: cantor feirense Dionorina brilha no palco do Pelô

Cantora Dionorina apresenta show memorável.

Cantora Dionorina apresenta show memorável.

O Pelourinho foi mais uma vez cenário de grandes emoções ontem (07/02/2016), com encontros históricos, misturas inusitadas e ainda o balanço vibrante e incomparável do reggae, criando uma vibe de diversão e harmonia que envolveu a todos os foliões. O Carnaval do Pelô integra a programação do Carnaval da Cultura do Governo do Estado da Bahia, realizado pela Secretaria de Cultura (SecultBA) através do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI).

A folia no palco principal da festa, no Largo do Pelourinho, teve um início impactante que já entrou para a história do Carnaval do Pelô. Juntas no palco, as Ganhadeiras de Itapuã, a cantora baiana Aiace Félix e a atriz e cantora Zezé Motta trouxeram um repertório que exaltou a mulher negra e o empoderamento feminino, representados através da figura de Chica da Silva, símbolo histórico que foi representado pela própria Zezé no cinema em um clássico de 1976. No repertório, títulos como como Maracangalha, Vatapá, Ê Baiana, Filho da Bahia, Mas que nada, além de Xica da Silva, composta por Jorge Bem. O grande final reuniu as atrações no palco e fez o público ir ao delírio, tanto que as célebres participantes do show retornaram para um bis. Para a presidente das Ganhadeiras, dona Maria Hermelina, foi um grande orgulho participar da festa em Salvador representando o bairro de Itapuã. “Hoje divido o palco com minha neta e bisneta, levando essa mensagem de respeito à mulher, então isso para mim é uma grande alegria”, comentou.

Em seguida foi a vez de Alexandre Leão, Targino Gondim e Moreno Veloso levarem ao palco o show Vestido de Prata, que uniu os diferentes estilos dos três artistas e recordou clássicos do Carnaval. Deusa do amor, Vestido de prata, Chão da praça, Lambada de delícia, Massa real e Na Ilha Grande foram algumas das canções que foram tocadas com arranjos que convergiram a sonoridade de cada artista.

A folia do palco principal terminou ao som do cantor feirense Dionorina, um dos artistas mais prestigiados do gênero. Ele trouxe um show com sucessos próprios e do reggae mundial. A Banda Cativeiro foi a convidada do reggaeman. O reggae também estava em alta no Largo Tereza Batista, onde o folião curtiu o som de Sine Calmon que, com a sua banda Morrão Fumegante, relembrou clássicos da carreira, como ‘Fogo na Babilônia’ e ‘Nayambing Blues’ (também conhecida como “trem do amor”).  Mas antes de se tornar praça do reggae, o largo Tereza Batista havia sido palco para o samba durante a tarde, com o samba de roda da Quixabeira da Lagoa de Camisa e o repertório de Clecya Queiroz, e ainda a apresentação do grupo Negros de Fé. Ainda rolou o segundo dia do projeto Praça do Frevo Elétrico, comandado por Carlos Pitta & Bando Anunciador.

No Largo Pedro Archanjo, o espetáculo infantil PUMM – Por um Mundo Melhor encantou os pequeninos e fez adultos voltarem a se sentir como crianças, em uma apresentação cheia de fantasia, música, brincadeiras e muita diversão. Depois foi a vez da Orquestra Zeca Freitas comandar uma homenagem ao samba com clima de bailinho de Carnaval. E a banda Skanibais concluiu a programação com o seu som diferenciado, repleto de influências desde o ska jamaicano e reggae até o jazz e o blues.

Já no Largo Quincas Berro D’Água, imperou o samba, mas também teve espaço para o axé. O Samba Chula de São Braz começou o dia trazendo a espontaneidade e a tradição do samba de roda em um belo espetáculo musical e cultural. Em seguida foi a vez de Missinho, um dos primeiros puxadores de trio elétrico da Bahia e ex-integrante da banda Chiclete com Banana, trazer sucessos de sua carreira, como No Lume da Fogueira, Doce Feito Mel e Mistérios das Estrelas. Mas o samba logo estava de volta, com os shows da banda Samba Maria, que apresentou uma nova formação, e da cantora Maryzélia, que agitou a praça lotada.

CARNAVAL DA CULTURA

O Carnaval da Cultura 2016 é o carnaval da democracia e da diversidade, que leva para as ruas, durante todos os dias e circuitos da folia, a mistura de ritmos e gêneros musicais e, principalmente, a estética e a arte de diferentes artistas, grupos e entidades culturais da Bahia. São centenas de atrações e shows gratuitos de afoxé, samba, reggae, axé, pop, MPB, fanfarras e muito mais. É diversão garantida para todos os gostos e estilos no espaço público da rua para alegria do folião. O Carnaval da Cultura – uma realização da Secretaria da Cultura do Estado da Bahia, por meio do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI) –está organizado a partir de quatro programas: Carnaval do Pelô, Carnaval Ouro Negro, Carnaval Pipoca e Outros Carnavais.

Biografia

DIONORINA, nascido em Jussarí – Bahia, mas logo se mudou para Feira de Santana, onde criou suas raizes. Aos 10 anos de idade, já se apresentava nas rádios da Bahia. Mais tarde vieram os shows e apresentações em casas noturnas de Salvador e Rio de Janeiro.

Em 1974 decidiu voltar à terra natal para aprimorar seus estudos de música erudita. Ao receber o título de Solista pela Universidade Federal da Paraíba e Teoria Musical e Percepção Artística pela Universidade Estadual da Bahia em Feira de Santana, passou a fazer músicas para programas de TV, entre eles, trilhas e jingles para a TV Subaé – Feira de Santana (Rede Globo – Bahia), trilhas sonoras para cinema no filme “Cenas do Rio”, de Leon Kassid, no filme “Rádio GoGo” e trilhas para teatro, nas peças “Império do Condor” de Edson Nequeti, “Revolta dos Urubus” de Manoelito Guimarães e “A Revolta de Canudos” também de Manoelito Guimarães além da trilha para o grupo de balé da Earte-Ba, Tema de Lucas, com coreografia de Antonio Pitanga e direção artística de Antonio Godi.

Em 1993, ganhou o Troféu Caymmi, o prêmio mais importante para quem produz música na Bahia, na categoria de Melhor Show – “Música das Ruas” e Melhor Música – “Porrada de Polícia”, o que lhe garantiu a gravação do primeiro CD – “Música das Ruas”.

Embora seja um admirador e divulgador do reggae tradicional, ele se mantém atento às novas influências e não deixa de fazer experimentações, por isso sua música é uma fusão de estilos sem deixar de prevalecer a qualidade em suas composições. Já recebeu inúmeras premiações por seus trabalhos, além de participar de vários festivais e shows por todo o Brasil, incluindo carnavais e micaretas, arrastando grande público com o Bloco Planeta Reggae, em Itabuna – BA. Em 2004, o tema do bloco no carnaval antecipado, foi “TRIBUTO À DIONORINA”, uma homenagem a quem arrasta mais de 100.000 pessoas pela avenida.

Apresentou-se nos melhores teatros de varias capitais do país e participou de projetos musicais como o Pixinguinha, Projeto Seis e Meia da Funarte, Novos Talentos e Sons Urbanos, ambos do Sesi – SP, entre outros. Ministrou aulas de violão para crianças no SESI de Feira de Santana por treze anos, projeto este que pretende retomar. Tem sido freqüentemente convidado a participar de programações de rádios, emissoras de TV e Shows no especial Sons Urbanos do Sesi-Paulista e unidades do Sesc no estado de São Paulo, além de Secretarias de Cultura Municipais e Estaduais no país. Seu talento foi mais uma vez reconhecido sendo convidado para participar, em 2003, com outros vinte e quatro músicos da América Latina, no Workshop “Cultural Industries”, com o apoio da Unesco, FIM (Federação Internacional da Música) e IMZ (Centro de Música da Áustria), abrindo para ele o mercado internacional. Em 2004 foi convidado a participar do IV Festival de Artes e Criatividade em Funchal, Ilha da Madeira e logo após fez temporada de Shows no norte da Itália em diversas provincias como Milano, Firenze, Tortona, Torino, Imola, Ravena, Pavia entre outras, conquistando a mídia impressa e eletrônica da Italia com seu talento e carisma.

Com dois cds, “Música das Ruas” e “Sacasó”, além de várias coletâneas de reggae no país, DIONORINA entra em estúdio para gravar seu próximo CD que promete sucesso. Negociações com gravadoras interessadas no gênero serão bem-vindas.

Origem do nome DIONORINA:

Tonho de Honorina (sua mãe) : – apelido recebido em Feira de Santana – Bahia, para identificar a que “Tonho” se referiam. O apelido pegou e ele o assumiu como nome artístico. “Sou de Honorina. Sou de minha mãe, portanto, DIONORINA”, explica o músico.

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