A superlotação das UPA’S e a deficiência na atenção básica de Salvador elevam o sofrimento da população, avalia Conselho Municipal de Saúde

Vista aérea de Salvador.

Vista aérea de Salvador.

Em nota, divulgada na sexta-feira (26/02/2016), o Conselho Municipal de Saúde de Salvador avaliou os serviços prestados pela rede municipal. Segundo o órgão, ocorre superlotação das Unidades de Pronto Atendimento (UPA’S) e deficiência na atenção básica.

Confira o teor da nota

O Conselho Municipal de Saúde de Salvador realizou visitas a duas Unidades de Pronto Atendimento do Município: UPA Parque São Cristóvão e UPA Hélio Machado, ambas localizadas no Distrito Sanitário de Itapoan. Mais uma vez, foi possível perceber a lotação da rede de urgência e emergência, assim como, a ineficiência das Regulações Municipal e Estadual, e também o reflexo da fragilidade da Atenção Básica no nosso Município. Pessoas idosas, com doenças crônicas, ocupando o leito de uma Unidade de Pronto Atendimento há mais de 20 dias, quando na verdade as legislações referem que o tempo de permanência numa UPA deve ser de, no máximo, 24h.

A exemplo, vale citar o que encontramos na UPA Hélio Machado, onde uma paciente de 90 anos, com doença crônica, aguardava Regulação há 02 dias, Outro, na UPA do Parque São Cristóvão,  com diagnóstico de Tuberculose, e aguarda Regulação para o Hospital couto Maia há 30 dias, ou seja, quase o mesmo período que a UPA tem de funcionamento, haja visto que foi inaugurada em 12 de janeiro.

Outro fato que nos chama atenção é o número de idosos e pacientes portadores de doenças crônicas, tais como Hipertensão e Diabetes, que encontrados nessas UPA’s. Muitos, por conta da falta de prevenção, já com as doenças agravadas, a exemplo dos pacientes com “Pé Diabético”, que aguardam por longo período por uma Regulação para especialista cardiovascular. Tal realidade só nos leva a questionar: “porque as UPA’s estão superlotas, em especial de pacientes com doenças crônicas, e também àqueles com um simples quadro de febre, dor…?”.

A resposta a este questionamento passa pela atual situação em que se encontra a Atenção Básica no nosso Município. Certamente se os programas de controle da Hipertensão e do Diabetes funcionassem de forma eficiente, um programa de internação domiciliar e visitas a esses pacientes, em especial os idosos, não tivessem que ir buscar socorro nas Unidades de pronto Atendimento. Se a Atenção básica cumprisse seu papel enquanto política de prevenção, não teríamos UPA’s lotadas de pacientes com uma simples dor de cabeça e febre,muitas das vezes com um quadro suspeito de dengue,zika, buscando atendimento.

Estes, na maioria dos casos, já buscaram atendimento nas Unidades de Saúde da sua região, porém, não encontraram e, neste caso, a única alternativa é buscar a rede de urgência e emergência. Enfim, convido à população, os gestores da saúde do nosso Município e no nosso Estado, assim como as autoridades e órgãos de controle, a refletirem sobre a atual realidade da saúde. Precisamos discutir a rede de urgência e emergência, o tempo de permanência dos pacientes nas Unidades de pronto Atendimento, a Regulação dos pacientes, o tempo de espera na fila para ser regulado. Precisamos discutir a Atenção Básica, a Estratégia de Saúde da Família está na hora de pararmos para repensar esse modelo.

Não podemos aceitar que os números e indicadores das mortes evitáveis e a subnotificação seja o carro chefe dos serviços da rede municipal em nossa cidade.

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