1916: Nascimento do dadaísmo

O Cabaré Voltaire era um clube artístico localizado em Zurique, no qual havia um teatro e uma sala de exposições e conferências, onde os dadaístas passaram a se reunir, a partir de 1916. O fundador e pseudocomandante do grupo era Hugo Ball (porque os dadaístas não aceitavam regras e imposições). Os demais integrantes eram, na maioria, artistas refugiados, que teriam sido convocados para a Primeira Guerra Mundial caso estivessem em seus países de origem.

O Cabaré Voltaire era um clube artístico localizado em Zurique, no qual havia um teatro e uma sala de exposições e conferências, onde os dadaístas passaram a se reunir, a partir de 1916. O fundador e pseudocomandante do grupo era Hugo Ball (porque os dadaístas não aceitavam regras e imposições). Os demais integrantes eram, na maioria, artistas refugiados, que teriam sido convocados para a Primeira Guerra Mundial caso estivessem em seus países de origem.

Há 100 anos, em 5 de fevereiro de 1916, foi inaugurado em Zurique o ponto de encontro para artistas “Cabaret Voltaire”. Era o início do dadaísmo, uma tendência artística antiburguesa que se baseia no irracional.

“O dadaísmo é o produto da tensão dialética entre os ímpetos redutivo e criativo da atividade artística.” Assim o descreve a historiadora de Arte Karin Thomas. Mas é também possível expressar-se de outra forma: “Dada é a vida sem pantufas e sem paralelas, é pró e contra a unidade e decididamente contra o futuro”, pois “a arte não é séria”, proclamava o escritor francês Tristan Tzara.

Tudo começou em 5 de fevereiro de 1916. Poucos dias antes da Batalha de Verdun, o poeta, diretor, anarquista e místico alemão Hugo Ball promoveu a primeira soirée de seu Cabaret Voltaire na parte antiga de Zurique. Ele queria realizar lá o que chamou de “coisas bonitas”.

Ball pediu a artistas plásticos, como Hans Arp, que contribuíssem com objetos de arte, e a poetas, como Tristan Tzara ou Huelsenbeck, que colaborassem com palavras poéticas. Assim, nasceram composições como as três variações sobre um motivo dado, em três línguas. Tratava-se do primeiro poema simultâneo dadaísta com o título: “O almirante tenta alugar uma casa”. Humor e nonsense tinham um pano de fundo sério.

Arte, acaso da natureza

A Primeira Guerra Mundial estava às portas. Pintores, poetas, pacifistas, filósofos e músicos de todas as nacionalidades se reuniam no Cabaret Voltaire, no solo neutro da Suíça. “Eles eram contra a sociedade pequeno-burguesa decadente, contra autoridades na política e na Igreja e, de maneira não pouco significativa, contra o aparato da arte estabelecida”, como explica Raimund Meyer, responsável pela exposição Dada Global, de 1994, em Zurique.

Dada é espatifar aquilo que até então era válido, quer dizer, não mais utilizar a tinta a óleo para pintar, nem empregar a língua do modo como era usada na literatura. A arte deveria ficar ao acaso da natureza.

Por acaso, combinavam-se palavras achadas, letras, sílabas. Como por acidente, produziam-se colagens de cores, materiais, palavras, movimentos e sons. Como que acidentalmente, nasceu o nome Dada, ao folhear um dicionário.

Não havia uma orientação estilística determinada, nem uma escola definida. Pois justamente isso levou à briga com os surrealistas, que podiam até flertar com os dadaístas, mas exigindo diretrizes claras. Em 9 de abril de 1919, o movimento encontrou seu apogeu e declínio numa gigantesca exposição de arte total, com poemas simultâneos e danças de máscaras ao som de música atonal.

Fora da Suíça, contudo, o dadaísmo continuou vivendo. Em Nova York, Marcel Duchamp declarou objetos utilitários como peças de arte. Em Berlim, Huelsenbeck fundou o Club Dada, de orientação sociocrítica. O poeta e colagista sonoro Kurt Schwitters não era um de seus membros, porém seu nome está estreitamente ligado ao dadaísmo, sendo sua ursonate uma das obras mais célebres do movimento.

E o que restou do dadaísmo?

Meyer: “Se vejo o Dada como um estado de espírito, ele está em nós. Quando me remeto ao passado, as agitações estudantis em 1980, em Zurique, penso que ali, nas ruas, o Dada tomou novamente uma forma bem palpável. Quer dizer, que eu coloque algo fundamentalmente em questão, o ataque radicalmente, usando de todos os meios para isso.”

Livremente baseado no Dada: Se o mundo está em ruínas, todos os meios são permissíveis. Também permaneceu algo que os dadaístas sempre rechaçaram: a indústria artística literária estabelecida. Ela incorporou o Dada, ela declarou a antiarte como arte. E, assim, Dada vive também protegido pela redoma dos museus, conservado, eternamente jovem.

Outras publicações

Valorização do dólar vai melhorar competitividade da indústria, diz CNI Robson Braga de Andrade: "câmbio do dólar a R$ 2,00 melhorou a situação da economia, da indústria e do Brasil." A valorização do dólar, cotado hoje ...
Rafael Correa é reeleito presidente do Equador O presidente do Equador, Rafael Correa, foi reeleito neste domingo para um terceiro mandato consecutivo, que terminará em 2017, quando ele completar ...
Novo livro analisa tendências e desafios da cobertura internacional O jornalismo internacional mudou muito nas últimas décadas. Por causa da crise econômica, as empresas de comunicação cortaram gastos com correspondent...

Sobre o autor

Redação
O Jornal Grande Bahia é um portal de notícias com sede em Feira de Santana. Para enviar informações, fazer denúncias ou comunicar erros do jornal mantenha contato através do e-mail: editor@jornalgrandebahia.com.br