Reportagem do Estadão cita investigação do Caso Lava Jato em que possível apoio eleitoral, em 2012, do ex-candidato a prefeito de Salvador Mário Kertész pode ter custado R$ 1.5 milhão a OAS

Walter Pinheiro, senador; Nelson Pelegrino (Deputado Federal – PTBA e candidato a prefeito de Salvador em 2012); e Mário Kertész (radialistas e militante do PMDB. Políticos comemoram apoio de Mário Kertész a candidatura do PT e rompimento com as lideranças estaduais do PMDB Geddel e Lúcio Vieira.

Walter Pinheiro, senador; Nelson Pelegrino (Deputado Federal – PTBA e candidato a prefeito de Salvador em 2012); e Mário Kertész (radialistas e militante do PMDB. Políticos comemoram apoio de Mário Kertész a candidatura do PT e rompimento com as lideranças estaduais do PMDB Geddel e Lúcio Vieira.

Mário Kertész abraça Nelson Pelegrino, celebrando apoio nas eleições de 2012 para prefeito de Salvador. Reportagem aponta para tese de que apoio  foi motivado com incentivo de R$ 1.5 milhão, oriundos do caixa da construtora OAS.

Mário Kertész abraça Nelson Pelegrino, celebrando apoio nas eleições de 2012 para prefeito de Salvador. Reportagem aponta para tese de que apoio foi motivado com incentivo de R$ 1.5 milhão, oriundos do caixa da construtora OAS.

Radialista Mário Kertész durante a campanha para prefeito de Salvador em 2012 pelo PMDB. Apoio de Kertész ao candidato do PT foi observado como uma traição ao PMDB.

Radialista Mário Kertész durante a campanha para prefeito de Salvador em 2012 pelo PMDB. Apoio de Kertész ao candidato do PT foi observado como uma traição ao PMDB.

Radialista Mário Kertész durante a campanha para prefeito de Salvador em 2012 pelo PMDB.

Radialista Mário Kertész durante a campanha para prefeito de Salvador em 2012 pelo PMDB.

Com o título ‘Mensagens indicam atuação de Wagner por empreiteiros’, reportagem de Daniel Carvalho e Beatriz Bulla, publicada hoje (07/01/2016) no jornal O Estado de S. Paulo (Estadão) revela que diálogos obtidos no âmbito do caso Lava Jato – resultado de troca de mensagens telefônicas – indicam atuação do ex-governador (2011-2015) e atual ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, em favor da liberação de recursos federais para a OAS, obtendo como resultado apoio financeiro para as eleições municipais de 2012.

O conteúdo das mensagens entre os prepostos da construtora OAS José Adelmário Pinheiro Filho (Léo Pinheiro) e Manuel Ribeiro Filho, e  então governador Jaques Wagner – trocadas entre agosto de 2012 e outubro de 2014 – evidenciam que ocorreram negociações com a OAS, com a finalidade de liberar recursos para a campanha eleitoral de 2012, em que Nelson Pelegrino (Deputado Federal – PT/BA) disputava a eleição para prefeito da capital baiana contra ACM Neto (DEM, conhecido como “Grampinho”), e Mário Kertész (MK, na época PMDB).

Curiosamente, no segundo-turno da eleição, Mário Kertész rompe com a executiva do PMDB e apoia Nelson Pelegrino. A ala do PMDB liderada pelos irmãos Vieira – Lúcio e Geddel – manteve o apoio a ACM Neto (vitorioso no pleito).

Observa-se que a troca de mensagens entre os personagens do Caso Lava Jato, e os fatos de conhecimento público sobre as eleições municipais de 2012 em Salvador, induz a acreditar que o apoio de Mário Kertész custou, inicialmente, R$ 5 milhões. Mas, que após negociações, o valor foi reduzido para R$ 1.5 milhão, com pagamento em duas parcelas, a primeira de R$ 500 mil, e a segunda de R$ 1 milhão.

Confira trecho dos diálogos interceptados pelos investigadores

Em 17/10/2012

Situação: Pinheiro fala com fundador da OAS sobre apoio no 2.º turno da eleição para a prefeitura de Salvador. A conversa cifrada faz menções a valores para pagar campanhas.

Léo Pinheiro: O Compositor (Jaques Wagner) me ligou ontem, disse-lhe que estava fora e que MR iria procurá-lo x MK (Mário Kertész, candidato do PMDB à prefeitura de Salvador em 2012) (saldo). Se resolveríamos parte como nosso apoio ao Andarilho (Nelson Pellegrino, candidato petista à prefeitura de Salvador em 2012) ou qual seria a solução?

Léo Pinheiro:

O valor é muito alto. 3.600 Street Brown

Em 18/10/2012

Situação: Conversa entre executivos da OAS aponta negociações com Jaques Wagner sobre volume de doações para campanha

Manuel Ribeiro Filho: Léo, vou estar com o compositor (Jaques Wagner) às 18. Ele adiou de 14 para 18. Algum conselho especial?

Manuel Ribeiro Filho: Amigos, estive com o figura. Ele falará com MK para deixar depois do evento. Disse que o valor não é real e não pediria para o Leo se soubesse o tamanho. Vai baixar e dividir.

Léo Pinheiro: Ok. Salvador acho que devemos dar +1.

Manuel Ribeiro Filho:

A pedida foi +5, me fingi de surdo, depois 2 e acabamos no 1,5. 0,5 agora, deixando +1 para o final. VC ele disse que EV falando com o povo de lá disse que podia ser +0,5. Disse que não havia estimativa e não havia qualquer interesse, exceto atendê-lo. Mas forçou a barra mesmo e fui obrigado a chegar a +0,4.

Léo Pinheiro:

Ok, tinha lhe mandando antes de lhe falar. 1,5 + 0,4.

Em 21/10/2012

Situação: A cinco dias do 2.º turno das eleições presidenciais, Pinheiro pede a Wagner para intermediar liberação de recursos dos Transportes

Léo Pinheiro para Jaques Wagner:

Governador, Se for possível, peço seu apoio. Abs.

Varjão:

“Léo, é importante que o nosso Gov. JW (Jaques Wagner) fale com o Min. dos Transportes Paulo Sergio para liberar recurso no valor de R$ 41.760 milhões, referente a ressarcimento d convênio TT 026/2008 da Via expressa, objeto o ofício 021/2013/GG assinado por ele em 10/10 de 2013.”

Jaques Wagner:

Ok, vou fazê-lo abs domingos vamos ganhar com certeza.

Léo Pinheiro para César Mata Pires Filho:

Já falei com JW (Jaques Wagner). Vai ligar para o PS. Bjs

Condenação

A partir das investigações do Caso Lava Jato, o ex-executivo do OAS José Adelmário Pinheiro Filho (Léo Pinheiro) foi condenado a 16 anos de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa no esquema desenvolvido dentro da Petrobras.

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Sobre o autor

Carlos Augusto
Carlos Augusto Oliveira da Silva (Carlos Augusto) é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF). Atua como jornalista e cientista social. Telefone: (75)98242-8000 | E-mail: diretor@jornalgrandebahia.com.br.